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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Voltando_A salvação pela fotografia


                                                       [Escrever] além de uma liberdade é uma conquista.
                                                                                                            Franco Terranova




Estou com saudade de escrever aqui!
Tive um ano complicado. Até comecei a escolher assuntos, a me decidir por imagens, pensando no texto, mas a vida foi me levando para longe do blog.
Gosto, gosto muito de contar o que ando fazendo a vocês, acreditem, me fez uma grande falta. Estive envolvida com coisas da família e depois, quando isso deu uma folga, fiquei com problemas de saúde.
Foi uma sequência de fatos que se iniciou em maio passado. Começou com um procedimento dermatológico, vejam que o nome da pequena cirurgia de retirada de um caroço nas minhas costas nem é cirurgia de tão simples, mas não podia fazer esforço para não prejudicar a cicatrização.
A seguir veio um acidente na porta giratória de uma agência bancária. Machuquei o dedo grande do pé esquerdo.
Para terminar, antes mesmo de poder calçar sapatos fechados, tive uma crise, chamo de ataque de um vírus da catapora, o herpes zoster.
Alguém vai se perguntar por que afinal, se esses problemas todos demandam repouso, ficar parada, não aproveitei para escrever muitas postagens.
Ai, meu estado de espírito ficou seriamente afetado, pois cada vez que pensava que ficaria tudo bem, acontecia outro problema. Tomei antibióticos em profusão, logo eu, que sempre dou preferência a tratamentos com homeopatia, florais, ervas. O corpo se ressentiu um bocado. Tinha remédio que dava sono, o outro provocava insônia…
Resumindo, fiquei toda mexida e não gosto de escrever sobre arte nesse tipo de estado. Sem falar que, durante essa sequência de problemas, fui perdendo compromissos, tendo de desmarcar, ou simplesmente não indo, como foi o caso da oficina de monotipia do amigo João Bosco, chovia na ocasião e eu não podia calçar sapatos.
Isso foi inevitavelmente me chateando, me tirando do sério. Foi desgastante, a cada vez que estava me recuperando outra coisa acontecia. Parece mentira, mas não é!
É, se não escrevia postagens, também não desenhava, um vazio criativo.
No entanto ele foi quebrado no dia em que peguei a câmera de fotografia.
Estava deitada, em repouso, quando me deu vontade de captar uma luz que passava pela fresta da porta do quarto. Isso foi me devolvendo o olhar para as coisas ao redor, me preparando, sem saber, para os eventos fotográficos de que participei em setembro e outubro.
Vou contar um pouco do que vivi.
Em 2012 tive o prazer de participar da oficina do fotógrafo Paulo Baliéllo,1 que resultou num pequeno ensaio fotográfico, experiência que, ao ver a programação da OC Hilda Hilst,2não pensei duas vezes em repetir. E lá me fui para a OFICINA: REINTERPRETANDO GRANDES IMAGENS FOTOGRÁFICAS!3
Tem uma história longa dessa oficina, porque tínhamos de escolher um fotógrafo, decidir qual foto dele seria reinterpretada. Cheguei com um fotógrafo, passei por outros e acabei reinterpretando uma fotografia de
Aaron Siskind, San Luis Potosi 16 de 1961

Siskind_San_Luis_Potosi_16

Minha releitura eu chamei de Rasgação

Rasgação_ML2013_com ajustes finais de Paulo Baliéllo_inspirada por Aaron Siskind

Vontade de falar e muito da oficina, contando sobre como foram as aulas com Paulo, sobre os colegas, alguns que se tornaram amigos, as ricas conversas e trocas durante a oficina e o processo mesmo de chegar a essa foto, porém me contenho e vou falar brevemente também do workshop.
Esse foi mais ou menos assim.
Aqui em Campinas (SP) há o Festival de Fotografia Hercule Florence, que neste ano foi de 1º a 31 de outubro
4
                                                 

http://nitroimagens.com.br/nitronline/wp-content/uploads/2011/10/hercule_florence1.jpg

um dos eventos era o WORKSHOP: RAPTOS DE LUZ5 do fotógrafo Juvenal [Pereira].
Li o programa e fiquei achando que não seria selecionada. Enviei meu portfólio e aguardei ansiosamente pelo dia do possível aviso de aceitação.
Foi emocionante receber a mensagem do pessoal da Hilda Hilst e a recomendação para levar uma lanterna. De verdade demoraria muito falar a respeito e a foto que vou mostrar tem a ver com raptar a luz

                                                                 
Maneira Negra1
esta é Maneira negra.6
Há tempos queria fazer algo semelhante e não me acertava com a câmera digital.7 Mas quando chega a hora as coisas acontecem, e foi no workshop de Juvenal.
Além de Juvenal, outra pessoa que conheci durante o Festival foi o fotógrafo Ricardo [Lima], o criador e um dos organizadores do Festival. Tive a alegria de uma intervenção maravilhosa dele no meio de minha apresentação das fotos que enviei a Juvenal para a seleção.
A foto a que me refiro é esta
 

                                                                           image
                                                                                                                                     
          

é o resultado da intervenção de algum passante na avenida onde a foto está colada num muro,  imagem é um lambe-lambe de foto do fotógrafo Carlos Bassan. Ricardo reconheceu e, rindo, comentou. Tem a história do lambe-lambe, do grupo que promove essa exposição ao livre de fotografias coladas em tapumes, paredes, muros em algumas ruas da cidade. Mais um agito de que Ricardo participa, faz. Disso eu também gosto muito, é uma oportunidade de mostrar as fotos para quem anda nas ruas.
Nessa minha foto é contada um estória. Bassan fotografou a modelo negra, alguém rasgou e eu fotografei a seguir.
Eu me encantei com isso! Foram dias de uma espécie de renascimento, depois de tanto tempo lidando com problemas pessoais.
Se eu ficar falando, vou levar dias para terminar de escrever a postagem. Espero não perder a oportunidade de voltar a esse assunto, na verdade, são muitos os assuntos que cada evento traz, pedem outras postagens. Há muitas histórias a contar, podem crer.
O  que posso afirmar é que não imaginava que neste ano eu ainda pudesse realizar coisas importantes como artista visual. Não é à toa que brinco seriamente sobre ter sido salva pela fotografia.
O chamo de importante é o aprendizado, as conversas, eu sinto muita falta de ouvir e falar sobre fotografia de um modo geral, a de fotógrafos profissionais, sobre a minha fotografia também. É nesse ambiente que me sinto à vontade e com desejo de refinar os processos de fazer fotografia, de compartilhar informações, ver as fotos dos colegas, ver se contribuo com alguma coisa que nos faça crescer como gente que fotografa, capta imagens com câmeras de todos os tipos, incluindo as de celulares.
2014 logo se inicia, eu não podia deixar de trazer alguma história do ano que acaba, porque o  que vou fazer no ano novo é dar continuidade ao que comecei já nos últimos meses dele e também desejar a quem circula pelo blog um ano de muita criatividade, um ano com oportunidades de realizar projetos, sejam nas artes e/ou em outras áreas, de ser reconhecido pelo que se faz e de abundância e prosperidade!
Que 2014 seja um espaço de tempo repleto de histórias bonitas, de encontros com gente nutritiva, isso no sentido de incentivar, valorizar o que cada um faz e, sobretudo, como cada um é!
VIVA 2014!

Abraços carinhosos de Marga

_______

ML_ Quero dizer da ansiedade de publicar quanto antes a postagem, eu me senti muito bem escrevendo o texto, selecionando as imagens, contando minhas impressões sobre o que vivi, ainda que tenha ficado faltando dizer muito mais.
Ontem, dia 30 de dezembro, faleceu um poeta italiano, que morava há muitas décadas no Rio de Janeiro. Era um ser fantástico, criador de uma poesia de imagens fortes, frágeis, verdadeira dentro do corpo que é o poema.
Franco Terranova, a frase dele me incentiva a permanecer escrevendo aqui e em vários outros lugares. Ele estava certo, há uma liberdade em escrever e a conquista se dá talvez não definitivamente, mas sim a cada linha ou, antes, a cada palavra escrita, pensada. A liberdade e a conquista, se as alcançamos, está no lapidar a frase, em escutar o que a anterior diz e tecer o diálogo entre elas.
A morte dele me comoveu, comove muito, e quis trazer esse pensamento dele para o blog, sim, como homenagem, mas certamente como um guia, uma frase que me guie quando eu não tiver palavras para me expressar, então vou me lembrar do que ele escreveu!
1. Escrevi uma primeira postagem sobre essa oficina (
Crônicas fotográficas_1) e ficou faltando a segunda.
2. Trata-se de um espaço de oficinas, workshops, entre outros eventos, que vem crescendo em importância para a cultura na cidade.
Informações:
http://oficinasculturais.org.br/oficinas/?idoficina=17
Neste momento ainda não há a programação para 2014, mas vale ficar atento!
3.
O programa da oficina:
Ao estimular a releitura ou ainda a reprodução de imagens fotográficas consagradas e conhecidas, a atividade explora a aplicação de técnicas e a capacidade criativa e artística. As reinterpretações das imagens devem compor uma exposição ao final da atividade. Os participantes devem trazer câmera fotográfica (digital ou analógica) com controles manuais de foco, diafragma e velocidade.
4. Não vou entrar em detalhes sobre o Festival agora, nem sobre Hercule Florence. Bem, ele foi um dos vários descobridores da fotografia. Era francês, morava em Campinas. O Festival leva seu nome por causa disso e vai além, sendo um evento marcante para a cidade, para fotógrafos profissionais e amadores e para quem aprecia a fotografia.
Há muitos eventos dentro do Festival, só a história dele dá um livro.
Quero escrever sobre tudo isso aos poucos, é muita coisa!
Link:
http://www.festivalherculeflorence.com.br/
5. Eis o programa do Workshop:
Voltada à leitura e produção fotográfica, a atividade tem por temática a influência da luz – que engendra formas, espaços, planos, volumes e profundidade que se entrecruzam e constroem tramas e massas – e explorará o olhar e a apreensão da luz como abstração, na sua condição de ausência e presença que situam o surgimento do invisível. Os participantes devem trazer câmera fotográfica.
6. A foto não foi feita com iluminação de laterna.
O tílulo da foto remete uma técnica de gravura em metal que é muito bonita. A imagem surge de um fundo preto, como essa de Rubens Matuck
(ver em http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_IC/Enc_Obras/dsp_dados_obra.cfm?cd_obra=33111&cd_idioma=28557&cd_verbete=9445&cont=5&CFID=14890320&CFTOKEN=61230518&jsessionid=f2308877e6f41b6b7f77
 )



7. Tenho uma câmera digital Samsung WB150F. Ela é compacta, mas vai um pouco além dos modos que se podem escolher (retrato, paisagem etc.) mesmo não entrando na categoria de semiprofissional, posso escolher ajustar a abertura, a velocidade, que me agradou bastante, uma vez que estive fotografando com câmera de filme profissional, a Canon AE-1 PROGRAM,  e me perturbaria muito não dispor ao menos disso, que chamo de meio fake, porque há umas limitações de controle desses recursos.Quero dizer com isso que a
câmera não me deixa  fazer o que “quero”.

domingo, 27 de março de 2011

As câmeras que uso*

 
Antes de enveredar pela experimentação com filme preto e branco, por receio de não me acertar com câmera SLR 35 mm, usei filme colorido. No caso, comprei um bem mais barato que o P&B para me sentir mais à vontade, mas não me permitindo escolher um filme que não tivesse uma certa qualidade porque, afinal, podia fazer uma bela foto.
SLR quer dizer single lens reflex, é o que se chama comumente de câmera monorreflex, pois ela tem um sistema interno¹ com espelhos que nos permite ver a cena pelo visor exatamente como a câmera a e decidirmos o que e como queremos captar a cena ou parte dela, fazendo o enquadramento.
Eu nunca tinha chegado perto de uma dessas, tanto que para saber se a Olympus TRIP 35² que foi de meu pai era ou não reflex fui parar numa livraria e, lendo um livro, cujo título não me recordo no momento, descobri que não. A TRIP tem o visor para o lado e é preciso ter algum cuidado para enquadrar a cena, um objeto ou pessoa. Nele há umas marquinhas para nos basearmos, pois a imagem como vemos pelo visor não coincide com a que é vista pela lente, que fica em outra posição

DSCN6406post

Numa câmera reflex o visor fica na parte superior dela, na mesma direção da lente, aliás um pouco acima, voltado para os espelhos de que falei e refletem a imagem que passa pela lente, é essa diferença que torna o fotografar muito mais facilitado. Por exemplo, ao fotografar pessoas com uma TRIP existe o risco de, se mal enquadradas, elas saírem na foto sem as cabeças; numa reflex isso pode acontecer mas só se o fotógrafo quiser, afinal o que se vê através do visor é o que vai ser captado no filme de uma câmera SRL analógica ou no sensor de uma digital DSRL3

Lente
Visor Canon AE-1 PROGRAM_visto de cima_
Visor
Visor Canon AE-1 PROGRAM
Visor com protetor4

Acho que já tinha notado antes, mas o que mais me impressionou, em primeiro lugar, foram os anéis nas lentes das câmeras fotográficas. Na TRIP são três, 

Lente D. Zuiko_40mm

o anel na borda da lente corresponde à ASA do filme, dado sobre o filme que há um tempo considerável passou a ser chamado de ISO5; o anterior, com as figurinhas, tem a ver com as distâncias necessárias para focalizarmos a cena ou um objeto nela, definindo uma área de nitidez  (1 m ao infinito [])6; o bem próximo ao corpo da câmera é o anel das aberturas de diafragma (de f/2.8 a f/22)7.
Numa reflex... bem, deixa eu apresentar a reflex com que fotografo. Trata-se de uma Canon AE-1 PROGRAM, câmera japonesa que começou a ser fabricada em 1981 e com produção interrompida em 1986 e considero mais uma maravilhosa companheira fotográfica com que conto, uma vez que antes já estava com a Olympus TRIP 35, uma bela máquina dos anos 1960, com lente de 40 mm8.
Aqui está 

vintage-canon-ae-1-program-slr-camera1

abaixo os detalhes em sua lente, que é de 50 mm e possui mais anéis:

Lente Canon FD 50 mm

o do meio é fixo e corresponde à profundidade de campo9, medida em metros; o bem próximo ao corpo da câmera é o anel das aberturas de diafragma (de f/2.8 a f/22); o outro das distâncias focais ( 0.60 m ao ).
Em seguida notei a diferença das partes superiores das câmeras. Mal me acostumei com a TRIP10

Olympus TRIP 35_de cima

e, ao ver a Canon,

Canon AE-1 PROGRAM2

fiquei sem entender nada, ou quase isso, e corri procurar um manual na internet, não me sentia com coragem de mexer em todos aqueles botões, alavanca... e felizmente hoje posso dizer que me entendo bem com ela. Foi o manual, mais algumas conversas com Vera [Albuquerque], a orientadora da oficina que fiz no Lasar Segall, e também com Agnes, colega que se tornou amiga, tem uma Canon e me ajudou a saber onde ficava o fotômetro, um elemento essencial para fotografar e de que falo numa outra ocasião.
_______
* É difícil não ceder à tentação de explicar certas noções técnicas sobre as câmeras e o modo como se faz uma fotografia, portanto se não for do interesse nesse tipo de informação o melhor é ignorar as notas, em boa parte delas creio que extrapolei nas expliçações. Na verdade, falar da minha experiência, do contato inicial com o uso das câmeras acaba passando mesmo por assuntos técnicos, eu não sabia praticamente nada sobre o assunto, achava que era só pressionar o disparador, posicionar a câmera e pronto. Não é assim quando se tira a câmera do automático e ela fica nas nossas mãos.

1. Para variar eu vou procurar não ficar falando grego, ou melhor, usando termos muito técnicos porque ficaria chato, cansativo para quem tem alguma curiosidade sobre fotografia mas também não vai acabar perdendo o interesse ou se confundindo. Esse sistema de espelhos se chama pentaprisma, mas basta saber que é formado por espelhos, a gente sabe que servem para refletir e isso é suficiente para entender um pouco. A imagem refletida passa de um espelho ao outro até a vermos pelo visor.
2. O 35 quer dizer que na câmera se usa o filme 35mm. Isso tem explicação mas...
3. Nas câmeras reflex digitais, as DRLS, também há o pentaprisma. Em alguns aspectos elas se parecem com uma reflex analógica, só que as diferenças são várias, a mais visível é a existência da tela de LCD na parte traseira das câmeras digitais, onde se vê a fotografia pronta. Tela que em câmera digital compacta, as mais comuns, servem para enquadrar a cena, como as Cybershot da Sony e outras que não têm visor nenhum e a lente fica deslocada para o lado esquerdo do corpo da câmera

Câmera digital_sem visor
4. Este acessório que chamei aqui de protetor, mas não estou certa do nome, creio, serve para a gente olhar através do visor de modo a facilitar a visão dos pequenos números do fotômetro interno, que fornece indicação da abertura do diafragma da lente depois que determinamos a velocidade de disparo da câmera, ou seja, o tempo durante o qual o diafragma vai ficar aberto para expor o filme, que fica no fundo do corpo da câmera, à luz, à cena que enquadramos. É muito útil quando se está numa posição em que o sol interfere atrapalhando de ver a indicação do fotômetro. Fonte da foto: http://www.mir.com.my/rb/photography/companies/canon/fdresources/SLRs/ae1/index1.htm
5. ISO é aquele número que vem na caixa do filme, ou em câmeras digitais que têm o recurso para escolher o ISO, como os mais comuns: 100, 125, 200, 400. Cada vez que colocamos um filme numa câmera devemos ajustar este anel para o ISO desse filme, pois a câmera fica preparada para ser usada com esse filme específico. Cada filme tem características não só no que diz respeito a ser P&B, colorido, mas também há outras especificações em jogo.
6. Essas distâncias são medidas em metros ou pés (ft). Não comentei sobre foco, pode-se acertar o foco da lente manualmente, que é quando se controla o processo,  até ver se a imagem não está desfocada, quero dizer, pouco ou nada nítida. Já posso adiantar que isso não é um procedimento rígido, na medida em que se pode decidir na cena o que queremos que fique nítido ou não na foto. Veja, na foto,

profundidadedecampo03

o galo aparece desfocado por vontade do fotógrafo, porque lhe interessava nitidez apenas na escultura.
7. Só para dar uma ideia do que estou falando ao me referir a abertura de diafragma, ver a figura

diafragma

Estranhei muito o fato de que quanto maior o número é menor a abertura do diafragma. Há uns cálculos que explicam o que são esses números f, mas o essencial é não esquecer disso, essa informação é importantíssima, porque é pela abertura do diafragma que a luz entra, a gente tem de controlar para obter uma fotografia. Se, por exemplo, há muita luz no ambiente/cena, podemos usar aberturas menores, do contrário vai entrar muita luz e a foto vai ficar muito clara, às vezes praticamente em branco. Este assunto eu simplifico porque existem outras fatores envolvidos na questão das aberturas, da luz, do tempo de exposição etc., está tudo interligado.
8. Acho melhor não explicar muito o que é uma lente de 40 mm ou  50 mm. Essas medidas têm a ver com o ângulo de cobertura da cena pela lente, por exemplo a de 50mm num ângulo de 45º, o que é muito próximo da visão humana, isso em relação ao nosso ângulo de visão, motivo pelo qual ela é chamada de normal. Pode parecer estranho mas a lente de 40 mm num ângulo maior ainda e quanto mais milímetros tem uma lente menor é o ângulo, menor a área vista pela câmera porém maior a aproximação da cena ou objeto a ser fotografado. Coisas que com o tempo fazem todo o sentido.
9. Conforme a escolha que fazemos da abertura de diafragma da lente, podemos ter à nossa frente (e da máquina fotográfica, claro) zonas de maior ou menor nitidez. Uma mesma cena pode ser fotografada a partir de uma mesma distância, focando o mesmo objeto na cena,  mas ora com uma abertura maior, ora com uma menor, por exemplo  f/2.8 e  f/16 (ver nota 7) e vamos obter duas fotos com os mesmos elementos mas com diferentes áreas de nitidez.
Nesta foto 

profundidadedecampo03 

o fotógrafo podia ter privilegiado o galo, deixando a escultura fora de foco como na foto a seguir

profundidadedecampo04  
10. Recorte de fotografia do artigo em busca da câmera obscura de Mario Arruda.

ML_ Eu me arrisquei ao falar sobre câmeras digitais pois não uso e o funcionamento tem lá suas diferenças de que sei muito pouco. É resultante de evolução que se dá o tempo todo. Li que já existem câmeras sem o sistema de espelhos e a variedade de tipos é grande, desde as mais comuns para amadores, as semiprofissionais e as profissionais. Para ser sincera e não dizer que não uso digital, uso a do celular.
Na verdade, fazia um tempo que queria falar um pouco das câmeras que uso e, ao começar a escrever, é que vi como há muito mais a dizer sobre elas e sobre fotografar. Espero ter dado alguma noção do que sejam essas câmeras, seus recursos básicos, sem cometer imprecisões graves. Estou em progresso, estudando, fotografando, aprendendo.

Primeiras fotos | First photos


Algumas das primeiras fotos que fiz com informações básicas sobre o funcionamento de câmeras e sobre fotografar, estas feitas com a Canon AE-1 PROGRAM

Hora do Lanche_Marga Ledora_Dez 2010_reduz  Hora do lanche | Afternoon tea, 2010

Flores de Bananeira_Marga Ledora_Dez2010_reduz  
Flores de Heli | Heli's flowers, 2010

A Hora do lanche tem como modelos as pombas que vêm todas as tardes comer um pouco do milho generosamente a elas ofertado por minha mãe. Não tinha o tripé adequado por isso foi meio complicado fotografá-las, tive de ficar o mais quieta possível para não ser vista e evitar que se assustassem com minha presença e mais a câmera.
Nunca havia pensado em fotografá-las antes, o lanche acontece há muitos anos; foi só mesmo depois de ter decido fazer o curso que voltei  meu olhar para uma porção de coisas, eventos e muito mais, incluindo as pombas, pardais e outros pássaros que aparecem.
"Flores de Heli" (Heliconia rostrata) é um título provisório ainda. Esta foto é um recorte de uma foto maior. Quis mostrar assim, só um cantinho da foto, porque ali dá para ver o que falei na postagem anterior sobre  o foco: a folha e as flores em primeiro plano estão mais nítidas do que os demais elementos na cena porque ajustei a câmera para isso.

ML_Here I show some of my first photographies made with a Canon AE-1 PROGRAM  and a 50 mm lens. I was experimenting notions of photography and  recognize I need to learn more and more about this art. Photography is a passion!
Heli's flowers is the provisoriy name of the photography, the plant is  tropical, its scientific name is Heliconia rostrata. In this photo only a part of the flower appears. I will post more of these flowers yet, they are one of my favorite models like the pigeons that came here to eat all the afternoons. Heli's... is edited photo, because in this part I wanted to show areas in and out of focus. I follow experimenting.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

De volta a Sampa_mudança de rumo

 
No mês passado estive em São Paulo, como mencionei em postagem anterior, fui para conhecer o Museu Lasar Segall. A intenção era me inscrever na Oficina de Iniciação à Gravura em Metal, só que mudei de rumo antes de voltar lá, e a inscrição foi feita na Oficina Básica de Fotografia Criativa.
Começo do começo. A primeira vez em que peguei uma câmera foi para fotografar paisagens e índios na floresta amazônica. Havia ido lá para estudar a língua de índios da tribo Pirahã, estava no mestrado de línguística em 1987 na Unicamp.
Ao retornar para casa, não mandei revelar o filme, tinha dúvidas sobre valer a pena. Depois de não sei quanto tempo, decidi ver o que tinha  registrado.  Só que a demora foi tanta que, reveladas, as fotos apresentaram problemas, acho que houve uma deterioração do filme. Dá para ver que minha impressão inicial não se confirma, as fotos tem alguma qualidade



e são válidas como registro da viagem, e resta um lamento por não ter revelado em tempo, algumas estão com manchas rosadas.

Outra experiência foi fotografar meus desenhos. Estas ficaram bem ruins, uma pessoa que entendia de fotos, ao ver, disse que depunham contra minha arte. Concordo, fotografei sem a luz adequada, sem o cuidado de fazer um enquadramento decente etc. Esta(2) é uma das menos ruins (imagine as péssimas!)


Casa amarela, c. 1988
Giz pastel seco s/ papel Carmen preto
Foto de 1989

A experiência mais recente foi durante o Filc, quando o poeta Geraldo Maia me pediu para registrar, com sua câmera digital, a apresentação de Os Poetizadores(1), grupo de que ele faz parte
Bem, dessa vez algumas fotos apenas se salvaram, dada minha inexperiência com a câmera digital, ainda mais no que diz respeito a registrar poetas em movimento. Eu digo, mas vai saber se foi apenas isso!
A essas experiêicas se somaram os fatos de já ter ido procurar por cursos em alguns momentos no passado e o de ter encontrado entre as coisas de meu pai, falecido em 2006, uma câmera de fotografia antiga.
Trata-se de uma Olympus TRIP 35, que chamam de analógica e não meramente de antiga, até porque esse tipo de câmera eu descobri, navegando pela internet, é adorada por muita gente por produzir fotos bastante boas e especiais para muitos. Na verdade eu ainda não descobri tudo sobre ela; no Lasar Segall, durante a oficina e na internet vou saber mais certamente.
Esta não é ela, ainda não a fotografei, mas é este o modelo



A TRIP 35 é uma câmera barata atualmente, ela foi introduzida no mercado em 1967, depois pararam de fabricar em 1984. A de meu pai está completa, com estojo orignal, com a alça e com com a tampa da lente, que soube ser essencial para manter algo dentro dela em bom estado. Tem ainda o flash, que parece estar funcionando muito bem. 
Tenho fotografado com ela nos últimos dias para ver se está funcionando manualmente porque já sei que está com problema no automático. Aliás, para aprender mesmo, acredito que tenho de lidar manualmente com a câmera, então vou testar assim e ver se o resto funciona depois de mandar revelar as fotos, o que quero fazer quanto antes. Estou bastante ansiosa!

Vivo falando em retomar a gravura em metal desde que não pude dar continuação a esta arte iniciada em 1993/4 e interrompida em 1995. Fica esquisito eu não aproveitar a oportunidade de fazê-lo no LS agora. 
Costumo me interessar por muitas coisas ao mesmo tempo e não sou nada boa em tomar decisões, menos ainda quando decidir implica uma mudança na minha vida. Pode parecer bobagem ficar dividida entre gravura e fotografia, mas é bom verificar o que tem mais junto com elas. Tenho de voltar a desenhar, quero também me dedicar à monotipia, paixão e necessidade há tempos longos, e evidentemente não dá para fazer tudo isso, penso no material que para mim tem de ser de primeira, penso nos equipamentos, na prensa para gravura...
Optei por fazer a oficina de gravura em metal numa  outra oportunidade, não desisti dessa arte, continuo amando gravura.
Fotografia, bem ou mal tenho uma câmera; mesmo que precise de conserto, está aqui. Não vou descrever por enquanto o projeto de fotos que me surgiu, afirmo que quero realizá-lo sabendo melhor como lidar com câmera. Às vezes vejo algo que pode se tornar uma ideia de desenho, é útil fotografar então. Sei que novas possibilidades para mim como artista vão surgir e há algo importantíssimo subjacente a essa decisão e que vai além de eu gostar de fotografia: a liberdade.
Liberdade de um dia poder eu mesma fotografar meus desenhos, não mais de um jeito que diminua a qualidade deles e, sobretudo, sem as confusões com fotógrafos que parecem desconhecer a importância de um registro mais fiel à obra possível e tornam minha necessidade para lá de embaraçosa e, pasme, angustiante. Vou enfrentar os obstáculos e deificuldades que boa parte deles preferem ignorar e fazer fotos dos quadros mecanicamente, como se fosse foto 3x4 ou pior.
Por ora não tenho fotos minhas feitas com a TRIP para mostrar mas sei que com essa câmera as fotos podem ser realmente boas, basta ver na internet, como esta tirada com uma delas e que está no blog Olympus Trip 35 Cult

Green chair

Gosto da TRIP, da aparência, do peso, de sua existência (sabe-se lá por quanto tempo está sem uso, talvez me aguardando para voltar à atividade e a sua valorização!), quero fotografar com ela, então tenho o cuidado de ouvir bem os técnicos quando dizem que precisa de conserto e talvez compense comprar outra igual, caso o conserto fique de repente com um valor equivalente ao de  uma das câmeras que eles têm para vender. Aprecio coisas que têm um significado maior do que apenas o materialista. Acredito que terei outra ou outras câmeras analógicas e digitais na vida, ela terá sempre seu lugar nela, afinal, já faço parte do grupo de loucos por Olympus TRIP 35



___________
1. Atualmente as apresentações de Os Poetizadores são toda quinta-feira às 16h na Praça Carlos Gomes em Campinas, SP. Há no evento um momento especial de incentivo à leitura, Leia e Leve, no qual basta ler um trecho do livro escolhido pela própria pessoa entre vários livros doados, pela Biblioteca Municipal de Campinas e por outros doadores, e levar para a casa. 
É bonito ver as pessoas lendo e às vezes contando como é sua relação com a leitura. Não vou me estender no assunto aqui, no site deles há informação, fotos e vídeos dos eventos.
2. Para essas três fotos usei uma câmera muito simples, a Fatos, da Kodak. Para colocá-las na postagem, foram escaneadas e precisei redimensionar e cortar as bordas, mas não fiz mais nenhuma alteração.