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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Sempre Louise Bourgeois




Entro no blog e vou ver como andam as atualizações que me chegaram dos blogs que acompanho e sou surpreendida como título da postagem da artista Cathy Cullis e já me ponho a ler com certa alegria pois também gosto muito de Louise Bourgeois, a escultora franco-americana. 
Descobri, na segunda linha do texto, que Louise havia falecido no dia 31 passado.
Há uma postagem minha sobre ela aqui e não pensei que faria outra tão cedo, embora a obra dela seja vastíssima e, sem dúvida, vale muitas postagens minhas e de quem mais a admirar. 


1996


No país, Louise é mais conhecida pela escultura Maman, a da aranha, que não é esta da foto acima. Mas tenho o privilégio de saber que ela é muito mais que isso, fazia esculturas, escrevia, desenhava, fazia arte.
Estou bastante comovida, mexida mesmo com sua morte, para mim prematura apesar de seus 98 anos, mesmo percebendo que foram anos demais para seu coração, que resolveu pará-la.
Cathy fez uns desenhos em homenagem a ela, eu nem saberia o que fazer neste momento além da palavra emocionada e triste.




Olho para seu rosto nas fotos, Louise esculpida pelo tempo, ela mesma uma escultura. 


Insomnia Drawing nº 174, 1995
Técnica mista sobre papel, 29,6 x 22,8 cm



Gosto de seu rosto não parecer o de uma vovozinha e sim de uma mulher com muitos anos de exposição à vida. Minha foto favorita dela com uma de suas obras é a de Mapplethorpe, a sexualidade é tema de suas obras, o que lhe valeu uma saudação de Adrian Searle, do The Guardian, à sua mente suja e coração terno. Mas que conste aqui que concordo apenas com o que se refere ao coração da artista e protesto contra ao desconhecimento de Searle sobre sexualidade!






Estava preparando outras postagens, uma delas sobre uma grande fotógrafa e outra sobre um escultor maravilhoso, Louise me pegou de supetão e passou na frente deles. 




Se existe Céu, desde de segunda-feira não há mais paz naquele lugar! 



Nota: Este texto foi escrito em estado de emoção, não sei se não há alguma informação equivocada. Por ora peço que me desculpem. 
Mais uma nota: Em azul estão correções/alterações que fiz no dia 06.06.10.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Louise Bourgeois



Ela é bárbara! Esta foto foi tirada por Robert Mapplethorpe, fotógrafo polêmico de que um dia eu falo. Bem, ele fotografava homens nus. Belas fotos... mas logo de homem? Eu não vejo problema mas havia quem criticasse. Mulher nua pode, homem não. Porque pênis não pode aparecer assim, explícito.
Debaixo do braço de Louise pode. A artista conta em seu livro Destruição do pai, desconstrução do pai como foi a sessão para esta foto em que ela exibe um de seus pênis, ou melhor, esta escultura é Fillette, de 1968.
Há várias interpretações para ela. Naturalmente que não escapa a uma leitura freudiana sobre a inveja do pênis pela mulher. Não vou enveredar por essa discussão agora e, mais que isso, prefiro reler o que a artista tem a dizer sobre a escultura nas páginas 198 e especialmente a 202 do livro citado.
Gosto de sua arte e do que escreve e diz. Concordo com ela quando diz que ser artista é um privilégio e uma maldição. De novo digo que ser artista não é só alegria, não é lazer, é bem mais complexo; mas não tenham medo, não falo em nome de todos os artistas, cada um tem seu processo criativo e tem uma opinião sobre o que significa fazer arte e ser artista. Para ela é uma luta, "um campo de batalha".

 

Outra consideração feita por Louise que me agrada: "Arte é uma garantia de sanidade", parece que ela considera que esta é a frase mais importante que já disse. 
Louise faz obras com conteúdos autobiográficos, como deixa claro o título do livro citado em que a figura do pai está presente. Creio que deva dizer que ela faz uma catarse, isso certamente mantém a sanidade, embora o que ela diz ao afirmar essa garantia é mais profundo que isso.

Acabo de encontrar mais uma escultura

 
Topiary, 2005, mármore rosa

Vibro com seus desenhos e gravuras. Ela faz uns guaches avermelhados

 
Femme, 2007, guache sobre papel

Adoro essa cor, já fiz desenhos com uma semelhante e uso sempre que sinto que é melhor do que usar o preto ou o sépia para o desenho. As duas obras, Femme e Topiary, fazem parte de uma série chamada Nature Study. 

Uma gravura em metal 

 Spiral woman, 2003, água forte e ponta seca

Tem um fato que ela conisdera importante que é ter podido fazer arte em paz por muito tempo. Creio que ela disse isso porque por algum tempo não expunha nem tinha necessidade de colocar à venda  no início de sua vida artística e pôde se desenvolver sem as pressões do mercado.

Paro por aqui, a todo instante me vem mais uma imagem, uma foto de obra, uma frase dela...
Espero não ter dito nada equivocado sobre o que já li a respeito dela, pois foi a um certo tempo.