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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Voltando_A salvação pela fotografia


                                                       [Escrever] além de uma liberdade é uma conquista.
                                                                                                            Franco Terranova




Estou com saudade de escrever aqui!
Tive um ano complicado. Até comecei a escolher assuntos, a me decidir por imagens, pensando no texto, mas a vida foi me levando para longe do blog.
Gosto, gosto muito de contar o que ando fazendo a vocês, acreditem, me fez uma grande falta. Estive envolvida com coisas da família e depois, quando isso deu uma folga, fiquei com problemas de saúde.
Foi uma sequência de fatos que se iniciou em maio passado. Começou com um procedimento dermatológico, vejam que o nome da pequena cirurgia de retirada de um caroço nas minhas costas nem é cirurgia de tão simples, mas não podia fazer esforço para não prejudicar a cicatrização.
A seguir veio um acidente na porta giratória de uma agência bancária. Machuquei o dedo grande do pé esquerdo.
Para terminar, antes mesmo de poder calçar sapatos fechados, tive uma crise, chamo de ataque de um vírus da catapora, o herpes zoster.
Alguém vai se perguntar por que afinal, se esses problemas todos demandam repouso, ficar parada, não aproveitei para escrever muitas postagens.
Ai, meu estado de espírito ficou seriamente afetado, pois cada vez que pensava que ficaria tudo bem, acontecia outro problema. Tomei antibióticos em profusão, logo eu, que sempre dou preferência a tratamentos com homeopatia, florais, ervas. O corpo se ressentiu um bocado. Tinha remédio que dava sono, o outro provocava insônia…
Resumindo, fiquei toda mexida e não gosto de escrever sobre arte nesse tipo de estado. Sem falar que, durante essa sequência de problemas, fui perdendo compromissos, tendo de desmarcar, ou simplesmente não indo, como foi o caso da oficina de monotipia do amigo João Bosco, chovia na ocasião e eu não podia calçar sapatos.
Isso foi inevitavelmente me chateando, me tirando do sério. Foi desgastante, a cada vez que estava me recuperando outra coisa acontecia. Parece mentira, mas não é!
É, se não escrevia postagens, também não desenhava, um vazio criativo.
No entanto ele foi quebrado no dia em que peguei a câmera de fotografia.
Estava deitada, em repouso, quando me deu vontade de captar uma luz que passava pela fresta da porta do quarto. Isso foi me devolvendo o olhar para as coisas ao redor, me preparando, sem saber, para os eventos fotográficos de que participei em setembro e outubro.
Vou contar um pouco do que vivi.
Em 2012 tive o prazer de participar da oficina do fotógrafo Paulo Baliéllo,1 que resultou num pequeno ensaio fotográfico, experiência que, ao ver a programação da OC Hilda Hilst,2não pensei duas vezes em repetir. E lá me fui para a OFICINA: REINTERPRETANDO GRANDES IMAGENS FOTOGRÁFICAS!3
Tem uma história longa dessa oficina, porque tínhamos de escolher um fotógrafo, decidir qual foto dele seria reinterpretada. Cheguei com um fotógrafo, passei por outros e acabei reinterpretando uma fotografia de
Aaron Siskind, San Luis Potosi 16 de 1961

Siskind_San_Luis_Potosi_16

Minha releitura eu chamei de Rasgação

Rasgação_ML2013_com ajustes finais de Paulo Baliéllo_inspirada por Aaron Siskind

Vontade de falar e muito da oficina, contando sobre como foram as aulas com Paulo, sobre os colegas, alguns que se tornaram amigos, as ricas conversas e trocas durante a oficina e o processo mesmo de chegar a essa foto, porém me contenho e vou falar brevemente também do workshop.
Esse foi mais ou menos assim.
Aqui em Campinas (SP) há o Festival de Fotografia Hercule Florence, que neste ano foi de 1º a 31 de outubro
4
                                                 

http://nitroimagens.com.br/nitronline/wp-content/uploads/2011/10/hercule_florence1.jpg

um dos eventos era o WORKSHOP: RAPTOS DE LUZ5 do fotógrafo Juvenal [Pereira].
Li o programa e fiquei achando que não seria selecionada. Enviei meu portfólio e aguardei ansiosamente pelo dia do possível aviso de aceitação.
Foi emocionante receber a mensagem do pessoal da Hilda Hilst e a recomendação para levar uma lanterna. De verdade demoraria muito falar a respeito e a foto que vou mostrar tem a ver com raptar a luz

                                                                 
Maneira Negra1
esta é Maneira negra.6
Há tempos queria fazer algo semelhante e não me acertava com a câmera digital.7 Mas quando chega a hora as coisas acontecem, e foi no workshop de Juvenal.
Além de Juvenal, outra pessoa que conheci durante o Festival foi o fotógrafo Ricardo [Lima], o criador e um dos organizadores do Festival. Tive a alegria de uma intervenção maravilhosa dele no meio de minha apresentação das fotos que enviei a Juvenal para a seleção.
A foto a que me refiro é esta
 

                                                                           image
                                                                                                                                     
          

é o resultado da intervenção de algum passante na avenida onde a foto está colada num muro,  imagem é um lambe-lambe de foto do fotógrafo Carlos Bassan. Ricardo reconheceu e, rindo, comentou. Tem a história do lambe-lambe, do grupo que promove essa exposição ao livre de fotografias coladas em tapumes, paredes, muros em algumas ruas da cidade. Mais um agito de que Ricardo participa, faz. Disso eu também gosto muito, é uma oportunidade de mostrar as fotos para quem anda nas ruas.
Nessa minha foto é contada um estória. Bassan fotografou a modelo negra, alguém rasgou e eu fotografei a seguir.
Eu me encantei com isso! Foram dias de uma espécie de renascimento, depois de tanto tempo lidando com problemas pessoais.
Se eu ficar falando, vou levar dias para terminar de escrever a postagem. Espero não perder a oportunidade de voltar a esse assunto, na verdade, são muitos os assuntos que cada evento traz, pedem outras postagens. Há muitas histórias a contar, podem crer.
O  que posso afirmar é que não imaginava que neste ano eu ainda pudesse realizar coisas importantes como artista visual. Não é à toa que brinco seriamente sobre ter sido salva pela fotografia.
O chamo de importante é o aprendizado, as conversas, eu sinto muita falta de ouvir e falar sobre fotografia de um modo geral, a de fotógrafos profissionais, sobre a minha fotografia também. É nesse ambiente que me sinto à vontade e com desejo de refinar os processos de fazer fotografia, de compartilhar informações, ver as fotos dos colegas, ver se contribuo com alguma coisa que nos faça crescer como gente que fotografa, capta imagens com câmeras de todos os tipos, incluindo as de celulares.
2014 logo se inicia, eu não podia deixar de trazer alguma história do ano que acaba, porque o  que vou fazer no ano novo é dar continuidade ao que comecei já nos últimos meses dele e também desejar a quem circula pelo blog um ano de muita criatividade, um ano com oportunidades de realizar projetos, sejam nas artes e/ou em outras áreas, de ser reconhecido pelo que se faz e de abundância e prosperidade!
Que 2014 seja um espaço de tempo repleto de histórias bonitas, de encontros com gente nutritiva, isso no sentido de incentivar, valorizar o que cada um faz e, sobretudo, como cada um é!
VIVA 2014!

Abraços carinhosos de Marga

_______

ML_ Quero dizer da ansiedade de publicar quanto antes a postagem, eu me senti muito bem escrevendo o texto, selecionando as imagens, contando minhas impressões sobre o que vivi, ainda que tenha ficado faltando dizer muito mais.
Ontem, dia 30 de dezembro, faleceu um poeta italiano, que morava há muitas décadas no Rio de Janeiro. Era um ser fantástico, criador de uma poesia de imagens fortes, frágeis, verdadeira dentro do corpo que é o poema.
Franco Terranova, a frase dele me incentiva a permanecer escrevendo aqui e em vários outros lugares. Ele estava certo, há uma liberdade em escrever e a conquista se dá talvez não definitivamente, mas sim a cada linha ou, antes, a cada palavra escrita, pensada. A liberdade e a conquista, se as alcançamos, está no lapidar a frase, em escutar o que a anterior diz e tecer o diálogo entre elas.
A morte dele me comoveu, comove muito, e quis trazer esse pensamento dele para o blog, sim, como homenagem, mas certamente como um guia, uma frase que me guie quando eu não tiver palavras para me expressar, então vou me lembrar do que ele escreveu!
1. Escrevi uma primeira postagem sobre essa oficina (
Crônicas fotográficas_1) e ficou faltando a segunda.
2. Trata-se de um espaço de oficinas, workshops, entre outros eventos, que vem crescendo em importância para a cultura na cidade.
Informações:
http://oficinasculturais.org.br/oficinas/?idoficina=17
Neste momento ainda não há a programação para 2014, mas vale ficar atento!
3.
O programa da oficina:
Ao estimular a releitura ou ainda a reprodução de imagens fotográficas consagradas e conhecidas, a atividade explora a aplicação de técnicas e a capacidade criativa e artística. As reinterpretações das imagens devem compor uma exposição ao final da atividade. Os participantes devem trazer câmera fotográfica (digital ou analógica) com controles manuais de foco, diafragma e velocidade.
4. Não vou entrar em detalhes sobre o Festival agora, nem sobre Hercule Florence. Bem, ele foi um dos vários descobridores da fotografia. Era francês, morava em Campinas. O Festival leva seu nome por causa disso e vai além, sendo um evento marcante para a cidade, para fotógrafos profissionais e amadores e para quem aprecia a fotografia.
Há muitos eventos dentro do Festival, só a história dele dá um livro.
Quero escrever sobre tudo isso aos poucos, é muita coisa!
Link:
http://www.festivalherculeflorence.com.br/
5. Eis o programa do Workshop:
Voltada à leitura e produção fotográfica, a atividade tem por temática a influência da luz – que engendra formas, espaços, planos, volumes e profundidade que se entrecruzam e constroem tramas e massas – e explorará o olhar e a apreensão da luz como abstração, na sua condição de ausência e presença que situam o surgimento do invisível. Os participantes devem trazer câmera fotográfica.
6. A foto não foi feita com iluminação de laterna.
O tílulo da foto remete uma técnica de gravura em metal que é muito bonita. A imagem surge de um fundo preto, como essa de Rubens Matuck
(ver em http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_IC/Enc_Obras/dsp_dados_obra.cfm?cd_obra=33111&cd_idioma=28557&cd_verbete=9445&cont=5&CFID=14890320&CFTOKEN=61230518&jsessionid=f2308877e6f41b6b7f77
 )



7. Tenho uma câmera digital Samsung WB150F. Ela é compacta, mas vai um pouco além dos modos que se podem escolher (retrato, paisagem etc.) mesmo não entrando na categoria de semiprofissional, posso escolher ajustar a abertura, a velocidade, que me agradou bastante, uma vez que estive fotografando com câmera de filme profissional, a Canon AE-1 PROGRAM,  e me perturbaria muito não dispor ao menos disso, que chamo de meio fake, porque há umas limitações de controle desses recursos.Quero dizer com isso que a
câmera não me deixa  fazer o que “quero”.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Ciclos



ALEG[o]RIAS 6_ML2012_color


Este é um pequeno desenho que fiz em novembro passado. Na verdade
não foi o único, eles são três, aos quais chamei de ALEG[o]RIAS e numerei: 6, 7 e 8.
Não é muito difícil saber o motivo quando se presta atenção nos galhos

Incomplete, complete
                                                    ALEG[o]RIAS 8_colorido

este, depois que colorir, renomeei (In)complete porque, embora a meu ver não esteja incompleto, ele dá essa impressão, talvez alguém tenha vontade de inserir flores, uma casa, um rio, arbustos, pessoas ali e só assim vai considerar a obra pronta, completa. Vale imaginar como ficaria, cada um pode olhar e ir preenchendo o que sente como espaço vazio.
Não era para falar de processo de criação, mas, sabe, eu fiz os três numa tarde chuvosa, dessas com raios e não era possível ficar com o computador ligado.
Havia um tempo que estava para testar a Stabilo point 88, uma caneta hidrográfica famosa, que atualmente se encontra em muitas papelarias, não só em lojas de material artístico.
Eu sou bem louca por esse tipo de caneta desde a infância, usava “hidrocores” da marca Sylvapen

sylvapen4-1
O teste foi feito sobre papel reciclado comum. Gosto da cor, de uns fiozinhos mais escuros e quis que o fundo dos desenhos não fosse branco. A pretensão é de digitalizar e depois imprimir num papel de muito boa qualidade, fazer gravura digital, uma pequena edição de cada desenho. É, isso é outra história, até por que não tinha pensado em colorir. Ficaram com ares de ilustração.
Pois é, gostei deles sem cor, não desenhava assim fazia um tempo considerável, o primeiro foi

ALEG[o]RIAS 7_ML2

ALEG[o]RIAS 6, ainda sem versão colorida, surgido de umas rabiscadas que dei num envelope de conta telefônica dias antes.
O 8 eu me inspirei no salso chorão, obviamente sem nenhuma intenção de fidelidade à árvore


mas com uma saudade das vezes em que estive visitando minha avó no Rio Grande do Sul, há uma dessas na rua onde mora.
ALEG[o]RIAS 7, desenho de abertura da postagem, foi após terminá-lo que percebi a relação numérica, razão para fazer o 8. Aprecio muito quando um desenho chama outro, neste caso eles têm uma ligação direta, embora nem sempre aconteça desse jeito. Pode vir um bem desgarrado da série, o que também é bom.
Não falei em pintar até o momento. De onde vêm as cores então?
Contei com os serviços de uns editores de imagem e de uma mesa ditigitalizadora1.
Não pintei, apenas colori.
Sim, arte, mas também uma atividade lúdica, pois nestes editores se podem experimentar as cores, mudar de lugar, de tom, apagar, enfim uma variedade de possibilidades, sem falar em cortar, inserir. Não brinco, no entanto me surpreendo às vezes, porque não domino essas ferramentas, uma falha minha, a ser sanada com urgência.
Hoje descobri muitos recursos interessantes, vou usar e abusar desses novos conhecimentos e fazer outros avanços no sentido de aprender mais.
E os ciclos?
Melhor parar de explicar técnicas e programas de computador.
Mais um ano terminando, momento de agradecer as incontáveis visitas ao blog. Sinceramente eu não tinha noção da receptividade que teria este blog. Ninguém faz ideia da alegria que me dá chegar aqui verificar os contador de visitas e encontrar ainda mais pessoas acompanhando o blog explicitamente, como digo, porque com foto, para quem quiser ver.
O prazer é continuar a escrever, a buscar imagens, assuntos interessantes, artistas favoritos, minhas artes compartilhar! Isso tudo enriquece a vida, incentiva a ir em frente e enfrentar obstáculos dentro e fora de mim. É a tal de autossabotagem existe e tem de ser forte e amar muito o que se faz para permanecer em atividade. As presenças de cada um aqui é uma força maravilhosa!
Anos são ciclos. O de 2012 termina, vem o de 2013. Sabemos que essas divisões do tempo são culturais; judeus, por exemplo, já estão no ano 5773 e os japoneses vão entrar no ano 4711 em fevereiro.
Há toda uma energia, um movimento de emoções, desejos… sonhos são lançados nestas datas, portanto são momentos em que muitos se juntam, isso fica bonito.
A união das pessoas em torno do bem, da paz, do crescimento, de projetos de vida é o que mais devíamos fazer, vejo casos e mais casos desse tipo de união. Penso, sim, em que todos vocês tenham suas vidas, cuidem de si e das pessoas amadas, respeitem gente com quem convivam seja por que motivo for (trabalho, estudo etc.), cresçam em alegria, em paz, equilíbrio.
A plantinha do desenho inicial tem uns movimentos, umas flores um pouco estranhas, o novo é de uma estranheza…
Mas tudo bem porque dentro da cúpula amarela. Amarelo é tido como a cor do equilíbrio. O que não quer dizer que ele seja permanente e por isso mesmo que na vida eu espero que cada um de nós saiba lidar com  dúvidas, inseguranças, obstáculos de modo equilibrado neste novo ano e em todos os demais!

Beijos, abraços e desejo de sucesso a todos os que passam por aqui

________

1. Tenho uma primitivíssima versão de Photoshop Elements, outra do Procreate Painter Classic, ambos felizmente vieram junto com a mesa digitalizadora Wacom adquirida em 2003, e mais o GIMP 2.8, este gratuito.
Esse Painter deve ser o primeiro da linhagem que veio a se chamar Corel Painter, já está na versão 12, pode ser baixada, por exemplo do site
Baixaki, testada gratuitamente por algum tempo, mas é preciso comprar em loja ou no site da Corel. O Painter é um programa feito mais para artistas visuais. Certa vez ouvi de um artista, em entrevista na tv, que seus pincéis haviam sido aposentados, ele só pintava nesse tipo de programa.
Tudo bem debandar para o mundo digital, mas gosto de somar. Desenhei no papel, com caneta e captei as imagens com um escâner. Aliás, se eu quisesse desenhar no computador naquele dia, teria de arriscar vê-lo queimar por obra de algum raio. Dou vivas ao papel e aos materiais de arte ao vivo e em cores!
A mesa digitalizadora, antes chamavam de tablet, mas agora prefiro não usar esse termo porque vai confundir as pessoas por causa dos ipads e outros parecidos, não tem mesmo nada a ver



A minha é desse tipo, com fio, nada de wi-fi na época, mas com mouse e caneta sem fios!
Com ela podemos desenhar direto num editor de imagem, seja ele qual for, desde o Paint que acompanha o Windows até os sofisticados Corel Draw ou Adobe Photoshop.
O GIMP é um editor que uso há anos, mantenho sempre a última versão dele… e olha só, fui ver um link para compartilhar aqui e descubro a nova versão! A minha é de julho, vamos nos atualizar já! Está no Baixaki a versão
2.8.2.

ML
_ Era só para agradecer, mas como o blog é de arte, falo dos materiais e dos processos de criação, não resisto. Hoje bem que consegui me segurar um pouco, não falei dos recursos dos editores, na caneta Stabilo, nem nas interpretações que eu mesma faço desses desenhos, que, depois de coloridos e quando decidi mostrá-los, ganharam leituras possíveis, tanto que comentei sobre terem adquirido um caráter de ilustração, não pretendido espontaneamente. Quem sabe, em futuras postagens eu resolva isso tudo.
Quero agradecer especialmente a presença das pessoas que me acompanham no blog!

domingo, 27 de março de 2011

As câmeras que uso*

 
Antes de enveredar pela experimentação com filme preto e branco, por receio de não me acertar com câmera SLR 35 mm, usei filme colorido. No caso, comprei um bem mais barato que o P&B para me sentir mais à vontade, mas não me permitindo escolher um filme que não tivesse uma certa qualidade porque, afinal, podia fazer uma bela foto.
SLR quer dizer single lens reflex, é o que se chama comumente de câmera monorreflex, pois ela tem um sistema interno¹ com espelhos que nos permite ver a cena pelo visor exatamente como a câmera a vê e decidirmos o que e como queremos captar a cena ou parte dela, fazendo o enquadramento.
Eu nunca tinha chegado perto de uma dessas, tanto que para saber se a Olympus TRIP 35² que foi de meu pai era ou não reflex fui parar numa livraria e, lendo um livro, cujo título não me recordo no momento, descobri que não. A TRIP tem o visor para o lado e é preciso ter algum cuidado para enquadrar a cena, um objeto ou pessoa. Nele há umas marquinhas para nos basearmos, pois a imagem como vemos pelo visor não coincide com a que é vista pela lente, que fica em outra posição

DSCN6406post

Numa câmera reflex o visor fica na parte superior dela, na mesma direção da lente, aliás um pouco acima, voltado para os espelhos de que falei e refletem a imagem que passa pela lente, é essa diferença que torna o fotografar muito mais facilitado. Por exemplo, ao fotografar pessoas com uma TRIP existe o risco de, se mal enquadradas, elas saírem na foto sem as cabeças; numa reflex isso pode acontecer mas só se o fotógrafo quiser, afinal o que se vê através do visor é o que vai ser captado no filme de uma câmera SRL analógica ou no sensor de uma digital DSRL3

Lente
Visor Canon AE-1 PROGRAM_visto de cima_
Visor
Visor Canon AE-1 PROGRAM
Visor com protetor4

Acho que já tinha notado antes, mas o que mais me impressionou, em primeiro lugar, foram os anéis nas lentes das câmeras fotográficas. Na TRIP são três, 

Lente D. Zuiko_40mm

o anel na borda da lente corresponde à ASA do filme, dado sobre o filme que há um tempo considerável passou a ser chamado de ISO5; o anterior, com as figurinhas, tem a ver com as distâncias necessárias para focalizarmos a cena ou um objeto nela, definindo uma área de nitidez  (1 m ao infinito [∞])6; o bem próximo ao corpo da câmera é o anel das aberturas de diafragma (de f/2.8 a f/22)7.
Numa reflex... bem, deixa eu apresentar a reflex com que fotografo. Trata-se de uma Canon AE-1 PROGRAM, câmera japonesa que começou a ser fabricada em 1981 e com produção interrompida em 1986 e considero mais uma maravilhosa companheira fotográfica com que conto, uma vez que antes já estava com a Olympus TRIP 35, uma bela máquina dos anos 1960, com lente de 40 mm8.
Aqui está 

vintage-canon-ae-1-program-slr-camera1

abaixo os detalhes em sua lente, que é de 50 mm e possui mais anéis:

Lente Canon FD 50 mm

o do meio é fixo e corresponde à profundidade de campo9, medida em metros; o bem próximo ao corpo da câmera é o anel das aberturas de diafragma (de f/2.8 a f/22); o outro das distâncias focais ( 0.60 m ao ∞).
Em seguida notei a diferença das partes superiores das câmeras. Mal me acostumei com a TRIP10

Olympus TRIP 35_de cima

e, ao ver a Canon,

Canon AE-1 PROGRAM2

fiquei sem entender nada, ou quase isso, e corri procurar um manual na internet, não me sentia com coragem de mexer em todos aqueles botões, alavanca... e felizmente hoje posso dizer que me entendo bem com ela. Foi o manual, mais algumas conversas com Vera [Albuquerque], a orientadora da oficina que fiz no Lasar Segall, e também com Agnes, colega que se tornou amiga, tem uma Canon e me ajudou a saber onde ficava o fotômetro, um elemento essencial para fotografar e de que falo numa outra ocasião.
_______
* É difícil não ceder à tentação de explicar certas noções técnicas sobre as câmeras e o modo como se faz uma fotografia, portanto se não for do interesse nesse tipo de informação o melhor é ignorar as notas, em boa parte delas creio que extrapolei nas expliçações. Na verdade, falar da minha experiência, do contato inicial com o uso das câmeras acaba passando mesmo por assuntos técnicos, eu não sabia praticamente nada sobre o assunto, achava que era só pressionar o disparador, posicionar a câmera e pronto. Não é assim quando se tira a câmera do automático e ela fica nas nossas mãos.

1. Para variar eu vou procurar não ficar falando grego, ou melhor, usando termos muito técnicos porque ficaria chato, cansativo para quem tem alguma curiosidade sobre fotografia mas também não vai acabar perdendo o interesse ou se confundindo. Esse sistema de espelhos se chama pentaprisma, mas basta saber que é formado por espelhos, a gente sabe que servem para refletir e isso é suficiente para entender um pouco. A imagem refletida passa de um espelho ao outro até a vermos pelo visor.
2. O 35 quer dizer que na câmera se usa o filme 35mm. Isso tem explicação mas...
3. Nas câmeras reflex digitais, as DRLS, também há o pentaprisma. Em alguns aspectos elas se parecem com uma reflex analógica, só que as diferenças são várias, a mais visível é a existência da tela de LCD na parte traseira das câmeras digitais, onde se vê a fotografia pronta. Tela que em câmera digital compacta, as mais comuns, servem para enquadrar a cena, como as Cybershot da Sony e outras que não têm visor nenhum e a lente fica deslocada para o lado esquerdo do corpo da câmera

Câmera digital_sem visor
4. Este acessório que chamei aqui de protetor, mas não estou certa do nome, creio, serve para a gente olhar através do visor de modo a facilitar a visão dos pequenos números do fotômetro interno, que fornece indicação da abertura do diafragma da lente depois que determinamos a velocidade de disparo da câmera, ou seja, o tempo durante o qual o diafragma vai ficar aberto para expor o filme, que fica no fundo do corpo da câmera, à luz, à cena que enquadramos. É muito útil quando se está numa posição em que o sol interfere atrapalhando de ver a indicação do fotômetro. Fonte da foto: http://www.mir.com.my/rb/photography/companies/canon/fdresources/SLRs/ae1/index1.htm
5. ISO é aquele número que vem na caixa do filme, ou em câmeras digitais que têm o recurso para escolher o ISO, como os mais comuns: 100, 125, 200, 400. Cada vez que colocamos um filme numa câmera devemos ajustar este anel para o ISO desse filme, pois a câmera fica preparada para ser usada com esse filme específico. Cada filme tem características não só no que diz respeito a ser P&B, colorido, mas também há outras especificações em jogo.
6. Essas distâncias são medidas em metros ou pés (ft). Não comentei sobre foco, pode-se acertar o foco da lente manualmente, que é quando se controla o processo,  até ver se a imagem não está desfocada, quero dizer, pouco ou nada nítida. Já posso adiantar que isso não é um procedimento rígido, na medida em que se pode decidir na cena o que queremos que fique nítido ou não na foto. Veja, na foto,

profundidadedecampo03

o galo aparece desfocado por vontade do fotógrafo, porque lhe interessava nitidez apenas na escultura.
7. Só para dar uma ideia do que estou falando ao me referir a abertura de diafragma, ver a figura

diafragma

Estranhei muito o fato de que quanto maior o número é menor a abertura do diafragma. Há uns cálculos que explicam o que são esses números f, mas o essencial é não esquecer disso, essa informação é importantíssima, porque é pela abertura do diafragma que a luz entra, a gente tem de controlar para obter uma fotografia. Se, por exemplo, há muita luz no ambiente/cena, podemos usar aberturas menores, do contrário vai entrar muita luz e a foto vai ficar muito clara, às vezes praticamente em branco. Este assunto eu simplifico porque existem outras fatores envolvidos na questão das aberturas, da luz, do tempo de exposição etc., está tudo interligado.
8. Acho melhor não explicar muito o que é uma lente de 40 mm ou  50 mm. Essas medidas têm a ver com o ângulo de cobertura da cena pela lente, por exemplo a de 50mm vê num ângulo de 45º, o que é muito próximo da visão humana, isso em relação ao nosso ângulo de visão, motivo pelo qual ela é chamada de normal. Pode parecer estranho mas a lente de 40 mm vê num ângulo maior ainda e quanto mais milímetros tem uma lente menor é o ângulo, menor a área vista pela câmera porém maior a aproximação da cena ou objeto a ser fotografado. Coisas que com o tempo fazem todo o sentido.
9. Conforme a escolha que fazemos da abertura de diafragma da lente, podemos ter à nossa frente (e da máquina fotográfica, claro) zonas de maior ou menor nitidez. Uma mesma cena pode ser fotografada a partir de uma mesma distância, focando o mesmo objeto na cena,  mas ora com uma abertura maior, ora com uma menor, por exemplo  f/2.8 e  f/16 (ver nota 7) e vamos obter duas fotos com os mesmos elementos mas com diferentes áreas de nitidez.
Nesta foto 

profundidadedecampo03 

o fotógrafo podia ter privilegiado o galo, deixando a escultura fora de foco como na foto a seguir

profundidadedecampo04  
10. Recorte de fotografia do artigo em busca da câmera obscura de Mario Arruda.

ML_ Eu me arrisquei ao falar sobre câmeras digitais pois não uso e o funcionamento tem lá suas diferenças de que sei muito pouco. É resultante de evolução que se dá o tempo todo. Li que já existem câmeras sem o sistema de espelhos e a variedade de tipos é grande, desde as mais comuns para amadores, as semiprofissionais e as profissionais. Para ser sincera e não dizer que não uso digital, uso a do celular.
Na verdade, fazia um tempo que queria falar um pouco das câmeras que uso e, ao começar a escrever, é que vi como há muito mais a dizer sobre elas e sobre fotografar. Espero ter dado alguma noção do que sejam essas câmeras, seus recursos básicos, sem cometer imprecisões graves. Estou em progresso, estudando, fotografando, aprendendo.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Fotogrando2


Achei melhor fazer umas observações em separado porque me excedi na anterior, temo ter sido muito técnica e até tornando meio aborrecido o texto. Eu bem que tentei não ser mas...

Não é por alguma implicância ou purismo que não me refiro à fotografia digital. Não é o tipo de fotografia que estou fazendo no momento, não sei muito sobre o assunto, é só isso. Na verdade, redescobri que fotografar me interessa fotografando com a câmera digital do meu celular, também aprecio filmar nele, ih, é outra história. 
Gosto de pensar que cada meio tem suas qualidades, suas especificidades e produz resultados diferentes. Acredito em qualidade da fotografia e, antes, na qualidade da sensibilidade, da emoção, da intenção do ser humano por trás da câmera seja ela digital ou de filme. 
Tenho uma postagem a caminho em que falo um pouco da qualidade do que pode ser feito em termos fotográficos com uma câmera de buraco de agulha, a que pode ser feita com uma lata de leite, uma caixa de papel com um furo de agulha, sem lente, com a qual fazemos registros fotográficos diretamente sobre um pedaço de papel fotográfico dentro dessa lata ou caixa, de modo muito semelhante ao que se fazia num tempo muito distante do agora e que permanece como objeto de encantamento para muitos de nós, que tivemos ou não a experiência de fazer, mas sobretudo a de ver o resultado dessa câmera simples, pero no mucho.
Não desprezo tecnologia, por exemplo, sei de papéis maravilhosos para a impressão de fotografia digital. Digitalizei o fotograma Sob a luz. E me alegro com a possibilidade de  imprimi-lo num desses belos papéis! A tecnologia digital é bem-vinda, procuro somar recursos e não extinguir alguns.

Eu me imagino, sim, trancada num quarto escuro revelando papéis recém-saídos de minha câmera de buraco de agulha ou revelando filmes P&B, tudo com a delícia de ver as imagens surgidas. No caso do que é registrado diretamente nos papéis, como se pôde ver que acontece com os fotogramas, a imagem aparece pouco a pouco sobre o papel fotográfico durante a revelação, algo que, volto a dizer, é lindamente observado durante a revelação sob a luz vermelha, mas no caso dos filmes veem-se as imagens somente depois de retirá-los do recipiente vedado a qualquer tipo de luz e melhor ainda durante o processo de ampliação seguida de revelação, de que não vou falar agora.

Então as fotografias digitais... 
Há portarretratos digitais, não é? E as fotos agora são vistas nos celulares, enviadas por e-mails. Isso não há como negar que é bom.
Algo com que concordo com Vera, fotógrafa e orientadora do curso no Lasar, é quanto a fotografar com consciência do que se está fazendo. Os ajustes da câmera, a observação da luz, a leitura da cena, outras tantas leituras, entre elas, a da fotografia em si; o estudo, a seriedade; o não acionar o disparador por acionar, por um ato mecânico do dedo movido meramente pelo desejo de registrar tudo o que te passa diante dos olhos. O educar esses olhos a detectar o instante de o dedo pressionar o disparador, o exercício, o experimentar, o analisar, o crescer do olhar atento e exigente e sensível.
Isso tudo, creio, vale para quem usa câmeras de filme como para os que fotografam com as digitais. E vice e versa.
 




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1. Ver o filme revelado é outra emoção, não menor só que não observável até chegar no momento da lavagem, porque ele reage a qualquer tipo de luz, não escapa nem a vermelha, por isso é revelado num pequeno tanque muito bem vedado à luz. Já passei por uma grande ansiedade durante a revelação de filme P&B no laboratório. Ainda conto.