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domingo, 14 de novembro de 2010

Comentário de comentário_Retratação


Já disse que levo um tempo considerável, às vezes, até publicar uma postagem, porque procuro ser o mais informativa e o mais escalarecedora possível, buscando textos, fotos, tudo que possa me ajudar nessa minha intenção de encontrar uma verdade sobre aquilo a que me proponho partilhar com quem visita o blog.
Ontem estava alterando alguns marcadores (uns de fotografia), quando, de relance, vi uma postagem com um comentário a mais. Fiz as alterações necessárias e fui verificar o comentário casualmente percebido. 
Desse comentário vou falar em outra postagem, não por menor importância, pois, entre outras boas coisas, me serviu de alerta para uma mudança de comportamento e me pus  imediatamente a abrir a pasta de comentários para ver se havia outros cuja existência não tinha percebido por estarem em postagem mais antigas. [Todos os comentários, todas as visitas me interessam muito, gosto de me comunicar, de dialogar.]
Encontrei mais um.

Demorei um bocado escrevendo a série de postagens A arte de compartilhar a arte(1) sobre o artista plástico Árpád Szénes e, confesso, somente dei os devidos créditos a pouco material que usei para tanto, mas me referi a uma foto de quadro de Szénes retirado de um blog, coloquei um link no nome do autor e fiz observações sobre essa foto provavelmente não corresponder ao original, isso com relação às cores, e fiz lá uma afirmação, uma elocubração a respeito de outra foto ser possivelmente mais próxima do quadro em questão. 
Pois não é.

Fiquei pasma ao ler o comentário feito pelo próprio Rui Morais de Sousa, o autor do blog, e, para minha surpresa, soube que foi ele quem fotografou o quadro.
Ah, sim, meu coração se pôs a bater misturando alegria e dor. Explico. 
Ele menciona o fato de eu ter tirado a foto de seu blog. Isso tem uma gravidade, mesmo eu tendo citado a fonte, não é menos grave quando, em seu blog, se vê a explícita necessidade de pedir autorização a Rui para isso. Afinal, ele é o autor da foto, é um direito seu exigir a autorização. É uma luta grande pelos direitos autorais por que passam artistas de toda arte. 
A referência ao nome do autor na reprodução de uma obra sua é, no mínimo, uma questão de respeito e de reconhecimento a ele. E Rui se propõe a analisar o pedido e dar autorização por escrito. Ele cuida, preza o que faz, é justo que faça isso. 


O quadro cuja fotografia tirou do meu blogue, foi fotografado (por mim) na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva em Lisboa.  

Ao ler a frase no primeiro trecho de seu comentário, parei a leitura, já me julgando processada por ele. Não, acho que não. 
Rui me conta como fez a fotografia.
Que maravilha, esteve diante não só daquela obra mas das obras da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva em Lisboa, Portugal. Visitar esse espaço de arte é um privilégio em si, mas poder fotografar as obras deve ser incrível. Ainda mais com uma das câmeras de filme a que Rui se refere na postagem onde está a fotografia que tirei, e mais outras.

Não preciso dizer da alegria que causou ao me escrever, Rui. Fez com que decidisse com certa tranquilidade fazer essa retratação pública, que eu faria de qualquer forma só que haveria uma tensão maior. 
Você me trouxe o esclarecimento, a informação que faltava naquela minha postagem, e me permite partilhar isso com mais pessoas. É muito bom saber que sua fotografia retrata o quadro. Põe fim a uma inquietação minha. Um incômodo.
A questão de fidelidade às cores, quando se fala em fotografia e se pensa nos meios atuais de captação e reprodução e edição de imagens, para mim é delicada. Não tenho tido contato com fotógrafos que, como você, tenham paixão por arte (desenho, pintura etc.). Levei desenhos meus a fotógrafos que ignoraram, se recusaram a levar em conta as especifidades da fotografia de obras de arte, ocupados em fazer fotografias para documentos (RG, passaporte e outros), sem certos cuidados com iluminação, por exemplo.
Há mesmo livros de arte com fotografias, digamos, equivocadas em relação às cores e até aos materiais e técnicas usadas pelo artista para fazer a obra.


Considerando que os meios de que dispomos para ver as reproduções de imagens de obras de arte, como monitores de computador, devemos reconhecer que apresentam capacidades e limitações tão diversas quanto a de nossos olhos e foi uma sorte minha ter a palavra do fotógrafo sobre a qualidade da imagem. Rui fotografa obras de arte, é profissional(2).
Devia ter me detido na leitura do texto que acompanha as fotos nessa postagem de Rui, pois teria sido talvez motivo para não incluir a foto no meu blog o fato de ter de pedir permissão para reproduzi-la, mas teria encontrado um fotógrafo, um apaixonado por arte e ainda alguém com uma história parecida com a minha em relação à escolha de carreira e do papel do pai nesse momento tão especial da vida. Com a diferença de que ele, felizmente há um bom tempo, vem realizando seu desejo e se diz "a kind of breadless photographer"(3)Não me arrependo de ter feito a postagem, claro que ter me apropriado indevidamente da fotografia de Rui ou as de outras pessoas foi uma falha grande minha, mas meu desejo de falar de Árpád era incontrolável.

Eu peço desculpas a você, Rui.


_______
1. A série começa na postagem de 14 de março de 2010, na qual faço um certo mistério sobre quem seria o texto. Coloquei um subtítulo de _Preparação justamente por estar sendo elaborada ainda a postagem.
2. Mais informações sobre Rui Morais de Sousa, fotógrafo e editor, estão em seu blog. Na postagem a que recorri pode-se ler um pouco de sua história de vida e seu modo de ver a fotografia, a arte, a vida mesmo.
3. Uma tradução possível: um tipo de fotógrafo sem uma migalha de pão, sem dinheiro. 
Fazer arte, quando eu estava às vésperas de tomar uma decisão sobre a faculdade, era vista como um meio de se tornar um sem-dinheiro, pobre, por isso os pais, o meu, o de Rui, eles nos desaconselhavam a seguir a carreira de artista e muitas vezes conseguiam (temo que ainda o façam) fazer os filhos desistirem ao nos colocar esse medo de ficar na miséria. Eu não lutei contra esse medo naquele momento. 
Já disse, espero ter dito, que admiro muito os que seguem seus sonhos, ainda que eles tomem formas um pouco diferentes no percurso da vida. Rui queria ser artista plástico, hoje é fotógrafo, com câmeras maravilhosas de filme, com essa possibilidade de fotografar obras de arte, enfim, colocou e vem colocando seu sonho no mundo. 

ML_Para que entendam melhor do que falei aqui, é bom ir à minha postagem comentada e ao blog de Rui Morais de Sousa.
Vale a pena visitar seu blog, achei melhor não pegar mais nenhuma foto dele sem sua autorização, lá podemos ver uma de Rui e uma de suas câmeras. 
Estou estudando fotografia e começando a fotografar seriamente e isso faz com que meu respeito  por quem já o faz seja maior.
Foi difícil ler o comentário de Rui, como mencionei na postagem, mas o contato foi rico. 
Ainda vou fazer comentário do primeiro comentário descoberto em outra postagem, o que me levou ao de Rui. Aguardem. 
Continuo sem ter certeza da grafia do nome de Szénes, mas um dia vou saber. Importa, sim, que seu nome e sua obra sejm lembrados. 
Vale guardar na memória que a foto do quadro Vieira da Silva pinta Árpád pintando é do fotógrafo Rui Morais de Sousa. Não vou fazer a correção na postagem onde ainda está a foto com minha observação equivocada, volto à postagem
para colocar o link desta assim que for publicada, quero que as pessoas leiam meu comentário aqui.
Mantive a data de quando comecei a escrever, mas a publicação é de 21 de novembro.

domingo, 18 de abril de 2010

A arte de compartilhar a arte_vida e obra



Volto a falar sobre Árpád Szenes e Viera da Silva.
Na postagem em que comecei a falar sobre eles, havia dado tanto destaque à vida e ao relacionamento dos dois artistas que acabei por não apresentar obras de cada um deles, há só um quadro de Szenes. Eles não eram apenas marido e mulher, eram artistas, pintores, gravadores...

O quarto cinzento, Vieira da Silva, 1950

Aqui se pode ver o que mais me encanta na obra de Vieira da Silva.  A profusão de elementos dispostos no espaço. Outro recurso usado é o de manter a linha como estrutura aparente. E essa atenção que ponho sobre esse fato é inegavelmente porque a linha aparente no desenho adquiriu uma importância para mim mesma, como artista. Não estou insinuando algum tipo de influência da obra da artista em meu desenho, não tenho dúvida de que, no meu caso, a linha aparente surgiu de uma prática em que não me demorei a me dar conta do papel que essa linha foi assumindo no que fazia e, acredito, não de um contato anterior com obras de Helena vistas pessoalmente em uma exposição em São Paulo nos anos 1990 e posteriormente em livro.
Vieira da Silva também fez retratos de Szenes, que fez inúmeros dela.


                                          Retrato do Arpad, 1931, óleo s/tela

A gente se acostuma a ver os quadros de caráter abstrato de Vieira porque são os mais divulgados, mas fazia figurativo também. Gosto particularmente dos retratos, eles têm uma carga emocional imensa, isso é mais do que representar a aparência do retratado, fosse Árpád ou ela mesma.


 Arpad, 1942, guache s/cartão 

Auto-retrato*

Encontrei uma reprodução de um quadro de Vieira de 1944, que foi feito durante o período em que moraram no Brasil, chama-se História trágico-marítima ou O naufrágio, um óleo sobre tela e os traços feitos com mina de chumbo. Aqui aponto novamente a profusão de elementos, entre os quais se veem figuras humanas, caracterizando bem a situação de desespero de um naufrágio.


As cores usadas nessa pintura têm o poder de dar a dimensão da tragédia no mar, o que se passa se concentra ali naquela onda que lambe o barco e atira seus ocupantes nas águas em movimento de redemoinhos. Ele foi pintado em menção ao estado de guerra por que passava a Europa na época. 
Li, no blog de Luisa Lopes, mulheresesjs, que no Brasil Vieira da Silva se voltou à pintura figurativa, deixando um pouco de lado a abstração.
Ao que parece Luisa está correta, basta verificarmos a data deste outro quadro, eles permaneceram aqui de 1940 a 1947.

O desastre ou A guerra, 1942, ost


O que li num texto sobre a mostra Vieira da Silva no Brasil, de 2007, com curadoria de Nelson Aguilar, que também organizou o catálogo de mesmo nome, o que a teria levado a interromper seu caminho pela abstração: "'Aqui no Brasil ela usou o álibi do figurativo, senão ia ficar falando sozinha', diz Nelson Aguilar". A motivação de um artista nem sempre é espontânea, de acordo com seu desejo mais pessoal.
Não consigo me recordar da data exata em que vi um desenho ou gravura dela pessoalmente, mas a galeria é bem provável tenha sido a de Arte do Sesi, em São Paulo. Era algo parecido com este

Abstracção

Árpád Szenes, sua pintura não teve o destaque da de Vieira. Outro dia encontrei um blog em que estava sendo anunciada uma exposição com obras dele na Fundação Arpad Szenes e Vieira da Silva, em Lisboa, e o relato do autor do blog Infinito Pessoal sobre a exposição ser um tributo a ele, um resgaste do valor do artista. O post de 2007 tem como título "Arpad, ou por detrás de uma grande mulher...".
Szenes pintou Vieira da Silva,



mas também desenhou a poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner


e a poeta brasileira Cecília Mirelles,


entre outros retratos.
Gosto de uma pequena biografia de Szenes que aparece no site do CAMJAP. Nela finalmente se tem uma apresentação de sua obra mais consistente, além dos dados propriamente biográficos. Desenhista, pintor... professor. Deu aulas no Rio de Janeiro. Quando Vieira da Silva retornou à Europa, Szenes só vijou depois de terminado o curso. 
Fizeram amigos no Brasil, a  retratada Cecília Meirelles, o artista gaúcho Carlos Scliar com quem aparecem nesta foto


Em 1943

Vale a pena ler o que Vieira da Silva escreveu a Scliar sobre a arte dele, é puro reconhecimento e incentivo, algo que considero uma rara oportunidade de ver: um artista encantado com a obra do outro, um outro mais jovem. Li em algum site que era um casal dado a incentivar artistas.

De Árpád Szenes, uma paisagem (?)


Leio em um site que Szenes e Vieira da Silva obtiveram cidadania francesa em 1956 e que ele teria sido reconhecido com exposições também no exterior e mesmo com condecorações do Estado francês. Isso é muito bom, tenho tristeza quando um artista que o mereça não seja reconhecido em vida. Aqui pareço dar uma informação contraditória, Szenes foi reconhecido, mas o fato é que a arte de Vieira da Silva foi muito mais divulgada que a dele, mesmo agora ainda é o que acontece.

De Vieira da Silva, livros e luz


L'issue lumineuse, Vieira da Silva

Ainda Árpád, mais uma vez Maria Helena em retrato


Poderia escrever muito sobre eles mas creio que já me alonguei por demais aqui. 
Eis os artistas Vieira da Silva e Szenes, eis o casal Árpád** e Maria Helena


                          

_________
* Para variar, as cores das reproduções são infiéis e não consigo dar conta de encontrar a mais próxima. No catálogo Vieira da Silva  no Brasil, de Nelson Aguilar, encontrei foto desse autorretrato em tons de azul. Sabe-se lá qual a verdade! Não tenho intuição para tanto.

** Quanto à grafia do nome do artista, ora vejo com acentos, ora sem. Já vi o sobrenome acentuado também.  Em Portugal não acentuam. Gosto de manter a grafia original do nome da pessoa. Ainda vou saber como se escreve o nome dele. Creio que com acentos.



sábado, 3 de abril de 2010

A arte de compartilhar a arte_Correções

Andei fazendo alterações na postagem anterior.
Primeiro alterei informações porque, ao consultar o livro Vieira da Silva (Taschen), descobri que a foto supostamente tirada do casal Arpad Szenes e Maria Helena Vieira No Brasil era, sim, deles no boulevard Saint-Jacques em Paris. Seria casa ou atelier?
Na quinta-feira passada (1º de abril), eu, na Livraria Cultura, me vi diante de um livro, o Vieira da Silva no Brasil,


na verdade, é o catálogo da mostra realizada em 2007 no MAM de São Paulo, organizado por seu curador, Nelson Aguilar. 
Não pensei duas vezes e me pus a folhear. 
Uma das tantas fotos que vi foi exatamente aquela que não é No Brasil, apresentada como sendo no atelier do  boulevard Saint-Jacques. Nova alteração na postagem.
Mas, hoje... há uma foto de Vieira da Silva e diz-se que era uma casa-atelier e nem vou me arriscar a alterar de novo a postagem porque isso parece não ter fim. E anteontem cheguei a pensar, para meu desespero, que tinha perdido a postagem inteira por causa de problemas técnicos para fazer as alterações, não havia meio de salvar.
Além disso, olhando, temos uma única certeza, são eles na foto. 

 
Agora falta pouco para terminar a série de postagens "A arte de compartilhar a arte". 
Vou procurar publicar sem idas e vindas, quero dizer sem alterações depois de publicada. 
Uma coisa que aprendi é que é bom deixar marcas das alterações (em azul) porque parece que quem segue um blog fica recebendo a postagem novamente a cada alteração e não deve entender nada, fica sem saber por que uma postagem antiga volta a ser publicada. E entende ainda menos se acontecer com a frequência com que eu alterei a minha.
Outra coisa aprendida é que não se pode prever que o envolvimento com um assunto vá crescer tanto que perdemos o controle e a postagem comece a ficar com metros de comprimento. 
Vou ter de alterar o que se pode chamar de "projeto inicial" e fazer cortes. Por exemplo, não vou mais falar de outros artistas como previsto, pois este casal que ora me ocupa não deixou espaço para mais. Ia falar também um pouco sobre mais casais de artistas, com o casal Leda Catunda e Sérgio Romagnolo e o casal Josef e Anni Albers
Este último casal tem um quê especial para mim, porque Anni era artista têxtil, designer de tecidos, e me identifico por já ter exercido a tecelagem manual, sem falar na beleza do que ela fazia, que naturalmente é o que garante a identificação. 
Ali está Josef ao lado de Anni diante de seu tear


Josef e Anni Albers em sua sala de trabalho, ca. 1995


segunda-feira, 22 de março de 2010

A arte de compartilhar a arte


Árpád Szenes e Maria Helena Vieira da Silva

Há cinqüenta anos vivo com essa senhora, não me cansei um só minuto e, ao contrário, não se passa um dia sem que me surpreenda e me comova com sua inteligência.

Esta frase não foi dita na época da foto acima, levou um bom tempo para ela ser dita por Árpád sobre Helena durante uma entrevista da jornalista Gardenia Garcia, publicada em 1978 numa antiga revista, Arte hoje (nº 11, pp. 32-35).
Gardenia escreveu que, ao ser apresentado a ela, Szenes lhe disse imaginar que ela passou um dia maravilhoso, por ter estado o tempo todo com sua mulher.
Não sei o que  mais me toca se a frase reproduzida na íntegra ou a sobre o dia da jornalista, tanto que, lendo a frase citada, fiquei a imaginar que tinha lhe atribuído uma beleza que só o tempo nos permite, quando as palavras do outro se transformam para pior ou melhor graças a nosso esquecimento de quais foram exatamente. Elas podem vir à memória misturadas às nossas próprias palavras.
Dois artistas, como disse na postagem anterior. 
A grande pintora portuguesa, naturalizada francesa, Vieira da Silva. Árpád Szenes, pintor húngaro, de menor sucesso e/ou reconhecimento. Pintaram em harmonia, viveram assim. Não posso afirmar que sem alguma discussão, mas, se houve, eles tornaram a se harmonizar, a muito provavelmente se incentivar e a se encantarem um com o outro, um com a arte do outro. Ambos a se admirar um com o outro. Crescendo juntos na vida e na arte.


No atelier



 Vieira da Silva pinta Árpád pintando

Não estou certa ainda de que este seja o título do quadro, não consegui informação exata em blogs como o de Rui Morais de Souza, onde encontrei reproduções do quadro, mas é de Szenes. 
Na verdade recolher informação na internet é correr riscos, acabo de encontrar um foto do quadro acima que provavelmente seja mais fiel ao original, Arpad Szenes, 1942, digo isso sem conhecimento da obra dele, usando minha intuição e outras fotos de obras do pintor.


Seria  bom poder contar com boas imagens no site da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, no entanto não me foi possível sequer visitá-lo, por algum problema que desconheço. Parece que preferem que se vá pessoalmente vê-las em logo ali em Portugal, é o modo como "protegem" a obra do artista, nos privam dela.
Como muitas vezes, começo apenas com o desejo de partilhar o que sei sobre artistas de que gosto e acabo fazendo críticas e apresentar questões que me preocupam em relação especialmente ao acesso à obra do artista. 
Desta vez mesmo a questão da fidelidade da foto à obra original se coloca. Sei um pouco disso pois andei tendo problemas ao mandar fotografar meus desenhos. Até entendo as limitações e características das câmeras, dos monitores e programas de computador, dos próprios profissionais, do olho humano, mas isso não tem sido suficiente. Apoiados nisso tudo, me parece haver deles um certo descaso, uma falta de curiosidade, de vontade de procurar fotografar obra de arte, que requer um tratamento diferente.
É um assunto espinhoso para mim, uns fotografam com a luz do sol, outros com lâmpadas especiais, todos fazem um trabalho de edição das imagens com o original presente. Não importa, é difícil a comunicação entre nós quase o tempo todo. Um deles me perguntou com base em que eu estava reclamando da foto em relação às cores. A resposta foi em meu desenho, a foto deve reproduzir o desenho obviamente, ou não? 
Já me estendi demais no assunto agora.


Em Paris, 1960

Ainda há muito o que falar de Árpád e Maria Helena. Nesta foto eles já há muito haviam voltado à Europa mas passaram um tempo no Rio de Janeiro na época do nazismo. A história de por que vieram em 1940 é um capítulo à parte da vida deles, no qual não vou me aprofundar. Digo apenas que Szenes era judeu húngaro e que Helena, ao tentar obter cidadania portuguesa de volta, pois há muito vivia na França, teve o pedido negado pelo governo, o que envergonha até hoje os portugueses que tomam conhecimento do fato, pode-se ver algo sobre isso em Vidas Lusófonas.


No Brasil*


Ficaram aqui até 1947. Durante esse tempo, ao que parece, Helena fez várias exposições, influenciaram alguns artistas com sua arte Certamente trouxeram novidades da arte europeia. Szenes deu aulas aqui.
Aqui como lá, eles acolhiam jovens artistas. Carlos Scliar, pintor brasileiro, foi um deles, basta ver no site Pitoresco.
Eu mergulhei tanto em sua história que vou ter de continuar numa próxima postagem. Afinal, felizmente eles tiveram vida longa, como se pode notar na foto de Maria do Carmo Galvão Teles, de 1984.




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* Correção: Não, eles não estão no Brasil nesta foto. Ao consultar o livro Vieira da Silva, de Gisela Rosenthal, verifiquei que se trata do atelier no boulevard Saint-Jacques em Paris, no ano de 1938, ou seja, antes da vinda deles ao País.
Como já disse, é preciso muito cuidado com informações de sites na internet. O velho e bom livro é fonte mais segura.