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segunda-feira, 18 de julho de 2016

De volta



Sim, faz um tempo grande que não publico uma linha no blog. Quero agradecer aos que continuam seguindo o blog, visitando! Vejo o número de visitas crescendo dia a dia mesmo na minha ausência!

Isso é muito especial  pra mim, porque tenho pensado em parar de escrever aqui, cheguei a criar um blog na WordPress (Marga Ledora), outra plataforma mais badalada que esta em que está o meu blog. Na verdade, há  motivos técnicos e também uma preocupação com o destino de minhas postagens, será que quem cita o que escrevo diz a fonte? Sei que isso é internet e a questão  da autoria fica numa zona nublada, embora direitos autorais existam e devam ser observados.

Participei de um laboratório de criação literária e descobri que o que escrevo aqui são ensaios e têm valor, foram considerados bons até para um livro pelo coordenador, o escritor Marcelino Freire, que admiro!

Isso foi muito depois de minha preocupação com o destino dos meus textos e sobretudo um susto que tomei no ano passado ao tentar entrar no blog e receber o aviso do Blogger de que não podia mais, uma situação que me desgostou um bocado!

Estou de volta, gosto deste blog, ele é meu cartão de visita, sempre falo nele quando alguém pergunta o que faço. Faço arte e tenho um blog, um blog abandonado algumas vezes, mas meu blog querido! Volto pra contar que ontem soube do prêmio Prix Canson 2016 vencedores, entre eles, Njideka Akunyili Crosby, que foi quem fez a obra acima e venceu em primeiro lugar.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Processo de criação


Banco vermelho da revista Casa Claudia*

Olhe bem para este banco. Fiz um desenho a partir dele.
Folheava uma revista usada quando o vi. Quase imediatamente me interessei por suas formas e mesmo pela cor vermelha dele. O recorte do encosto, em curvas, mexe comigo, e não tenho nenhuma explicação para isso. A pintura vermelha desgastada em certos pontos, onde se pode ver um cinza, acho bonito. Comprei a revista para poder observar o banco e uns dias se passaram até os primeiros esboços.
A forma do encosto eu ressalto neles, é o mais importante, a curva me atrai. no entanto não queria reproduzir o banco com exatidão, só alguns detalhes dele. 
Insatisfeita, continuei pensando no desenho, ainda com os olhos na foto do banco. Mas pouco a pouco fui me concentrando no esboço e, mesmo sem pegar no lápis e só mentalmente, trasnformações foram acontecendo na imagem numa espécie de esboço invisível, traçado atrás dos olhos talvez.
Já com o papel onde o desenho seria feito à mão, lapiseira em punho (gosto mais de lapiseira 0,5 mm para iniciar o esboço e com uma pressão leve para não marcar o papel), vou eu desenhar o tal banco. 
Medidas alteradas, ali ele começou a se modificar, não o banco mas o desenho que surgia no papel. Foi realizado, como eu digo inúmeras vezes, dividindo as decisões com a própria imagem, fui notando aos poucos que a imagem seria outra coisa que não a de um banco. 
No tal papel o esboço feito e alterado passo a passo me pareceu tão bom que fiquei receosa de colocar cor. Previa um vermelho mas os detalhes eu não tinha cor para eles e também havia o fato de pretender usar o giz da Sennelier com o qual não estava familiarizada o suficiente, seja lá o que siginifique esse suficiente aqui.
Algo com que me ocupo é não ficar acomodada a um modo de fazer os desenhos, a uma técnica; tinha vontade de experimentar um pouco naquele desenho. E para acalmar minha insegurança sobre o que veria ao final do processo, resolvi copiar o esboço num papel manteiga, preservando a imagem e me lançando ao que sentisse que devia fazer no desenho. Criei um espaço para minhas ousadias gráficas.
Eis o desenho


 
Abraço, 2010

Usei um lápis de carvão em vez do habitual grafite em algumas linhas. Na verdade pensei em fazer um vermelho com transparência mas não ouve jeito. Embora ali eu veja um veludo, então a transparência nem faria sentido. Os detalhes são de madeira clara. Não sou designer de móveis, não sei se no mundo real não seria melhor uma madeira escura.
Coloquei um nome provisório, Veludo e Madeira, dias depois de terminado, ou supostamente terminado uma vez que estava inclinada a colocar ao menos uma terceira perna e um acabamento em madeira bem na curva do encosto. Um desejo repentino de representar algo real, uma poltrona de verdade, ela certamente precisaria de mais uma perna para se manter em pé, só se fosse uma escultura isso seria dispensável.
Esse desejo, aliás, me valeu uma conversa bem engraçada com Pedro, que há anos vê meus desenhos e conversamos a respeito. Não foi diferente com a poltrona vermelha. Ele não viu nada faltando no desenho e ainda me perguntou que significados ou o que eu via na poltrona e, na verdade, achei que ela não ficou confortável, aconchegante, mas gostaria que tivesse ficado para eu me atirar nela, buscando uma certa proteção.
Acho que foi essa minha observação e o fato de ele não ver isso no desenho que o levou a dizer que tinha um título para o desenho, não antes de perguntar se eu já tinha um, ao que respondi que não, apenas um provisório. Parece até que previ que aquele não seria mesmo o titulo.
Daí Pedro mencionou  Abraço. E passei a chamá-lo assim, Abraço porque me agrada e faz sentido, porque capta primeiramente a visão de Pedro e, depois, por falar algo que, na minha opinião, não ficou bem explicitado no desenho, mas  revela um desejo meu.
Normalmente eu não fico buscando significado para minhas imagens, Pedro é que várias vezes me coloca essa questão e fico bem de procurar responder, de me revirar por dentro e me portar como expectadora da minha própria arte. 
Arte é autoconhecimento também, eu é que resisto em admitir porque me observar e conhecer e prestar atenção ao que faço, penso, vivo é um exercício constante e não  encaro a arte que faço como terapia.
Não posso deixar de mencionar o privilégio que é ganhar um título tão significativo e bonito, que acabou me fazendo parar de encontrar problemas no desenho. 


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*O banco foi feito a partir de uma antiga cama por Normélio Brill, e está na revista Casa Claudia nº 7 de Julho de 2005, p. 118.  A foto, que aqui não aparece inteira, foi preciso recortar, é de Letícia Remião.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Mais um desenho recém-descoberto


 
Sem título, 2001*

Parece estranho que eu tenha me esquecido completamente da existência dos desenhos como este, não só o fato de estarem guardados num arquivo-morto, eu os esqueci.
Às vezes sinto falta de um ou outro desenho meu, uma espécie de saudade. Posso visualizá-los sem fechar os olhos. Como agora, vejo um desenho feito com a mina na cor avermelhada do desenho acima. É bem diferente o uso que fiz do mesmo material. Qualquer hora ele vem parar numa postagem e falo mais.
Acabo de me perguntar qual será o critério da memória para explicar esse quase fenômeno de esquecimento. São de 2001, não é tanto tempo assim.
Já tive urgência em localizar um desenho por causa de outro. Havia um detalhe muito peculiar que eu precisava ver. Não para fazer igual, mas tinha de ver. Vi e só assim sosseguei e fui fazer o outro.
Pretendo não me esquecer mais de meus desenhos desse jeito. Vou mexer em pastas, cadernos de esboços mais antigos, ver onde guardei cada um, se estão bem. 


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* O desenho apresentado aqui foi redescoberto recentemente entre outros e ainda estão todos sem títulos. Ver também a postagem anterior onde explico que redescoberta é essa.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Arquivo-morto


Sem título, 2001

Havia dias eu, mexendo em minha estante, resolvi tirar dali o arquivo morto para liberar o espaço para livros e revistas que andavam circulando pelo quarto.
Que surpresa encontrar desenhos que não via fazia muito tempo, a ponto de me esquecer de sua existência. Aliás, levei mais tempo ainda para ver porque dias se passaram sem que fosse abrir o tal arquivo.
São de 2001, entre eles está esse. Foi o primeiro que revi e me causou uma alegria tão gostosa, de fato uma surpresa agradável. Deu até para eu ficar dizendo "Fui eu que fiz", como se não soubesse ou não acreditasse.
Apareceram num momento importante porque no ano passado recomecei a usar as minas de tons terrosos para alguns detalhes em desenhos, então ver como fiz uso deles em desenhos mais antigos é bem adequado. Permitem que se façam texturas bonitas, arrisco dizer que se assemelham às que se conseguem em litografia. 
Sou muito ligada às cores das terras, os marrons, tanto o sépia quanto as terras naturais ou queimadas, também os ocres. Vou mudando os materiais mas essas cores me acompanham mesmo quando me encanto com outras. De vez em quando me dá uma vontade de azul ou vermelho, ou invento um verde ou mais, no entanto as terrosas nem penso em não usar, são parte essencial de minha paleta.
Alguns chamam de grafite, outros de minas, são da Koh-I-Noor. Adoro
          

Fico tentando lembrar em que circunstâncias esses desenhos foram feitos por mim. Por enquanto não sei dizer, posso ter visto as minas na loja e trazido para experimentar... O papel não é tão bom quanto os que costumo usar, trata-se de um papel de desenho creme da Canson, de baixa gramatura. Uma coisa tenho de admitir: a textura fina desse papel foi vital para os efeitos que obtive. Grana fina, sempre procuro papel assim para conseguir efeitos mais leves porém marcantes no desenho. 

Recorte de desenho

Este é um recorte de outro desenho reencontrado, igualmente sem título, para você ver do que estou falando. Olha só como são bonitas as linhas! Eu acho.
Ainda tenho de fazer uns ajustes na reprodução desse desenho antes de colocar aqui, porque, ao escanear, as imagens ficaram muito escuras. Só ontem comecei a me entender com o editor de imagens e consegui um bom resultado com o primeiro desenho visto. Um dia ainda falo sobre a saga da fidelidade de cores ao original com mais calma, mas não estou buscando um grau muito alto disso para esses desenhos no momento.
Veja o que acontece quando mudo o matiz e/ou a saturação do vermelho e do magenta (?), que compõem o marrom avermelhado do desenho:

                                              


São muitas as possibilidades e é preciso aprender a lidar com o editor. Eu me encanto, a tecnologia transforma, basta saber como fazer, onde clicar ou não. Para que alterá-los?, essa também é uma boa questão, eu sempre a faço para evitar mexer onde não é preciso. A tentação é grande com esses programas de editar imagens, procuro entender o limite que elas muitas vezes me ditam.
Dá para ver bem o resultado da edição e que tenho muito a aprender. Não tinha notado que as cores do desenho até ficaram boas, mas o cor do fundo já não me agrada tanto, cadê meu fundo creme?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Desapego

 
Asas (Desapego), 2006, giz pastel oleoso s/papel

Não sei se já disse mas, quando termino um desenho, passo a ser uma expectadora. Olho para ele como se não fosse eu quem fez. Isso tem muitas vezes como consequência o desejo de posse.
Outra pessoa pode desejá-lo também, então é preciso pensar nisso, na venda.
Em alguns casos se dá com facilidade. Não tenho esse sentimento de guardar tudo o que desenho, não faria sentido, não haveria espaço nem condições adequadas para tanto.
Asas é um desses desenhos que eu favoritei logo depois de terminado. Foi imediata a nossa comunicação. Há efeitos nele de que gosto demais, obtidos pela interação bonita do grafite com o giz. O diálogo se completou no momento em que afastei o giz preto do papel dando como encerrado o fundo.
Ele pertence à serie dos Duetos, que tem desenhos compostos de duas figuras mais uma central, esta servindo de detalhe. As duas figuras de Asas são feitas a partir de esboços de 2003. A central, creio, surgiu durante o processo.
Coloquei o nome de Asas porque parecem asas colocadas cada uma em seu suporte. O que me importa nele são as formas e as cores, confesso que o nome foi mais para poder me referir a ele. Alguns artistas não nomeam suas obras, alguns acham que já determina a leitura e isso não é bom. 
Nomeio, mas quem vê está livre para interpretar, para gostar ou não do que desenho. Isso não é uma autorização, não tenho intenção de delimitar a visão de ninguém, acho difícil tentar isso porque a pessoa vê a partir de sua cultura, seu modo de encarar a vida, elementos que compõem a bagagem cultural e emocional da pessoa. É com ela que a pessoa vê e sente.
(Desapego). O subtítulo surgiu pouco depois de eu vir a saber que havia um interessado nele. 
Foi necessário o desapego. 
Asas vendidas.