Mostrando postagens com marcador Fotografia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fotografia. Mostrar todas as postagens

domingo, 6 de junho de 2010

Anna_Platibanda_Mariani

Foi numa revista Veja, nos anos 1980, que vi esta foto

Barra do Faria, PE

Foi a primeira vez que ouvi, na verdade, li a palavra 'platibanda', porque ver uma eu certamente já havia visto,


Região de Desterro, Paraíba, 1990


e soube da grandiosidade de Anna Mariani,*


Foto das páginas de A revista**

fotógrafa cujo nome não mais me saiu da memória, tanto quanto a palavra e as fotos. 
Acho que seu nome ficou colado à palavra 'platibanda', embora eu saiba que ela fez muito mais que do que fotografar casas com platibandas, isso que é de uma importância para a valorização e visibilidade de uma manifestação inusitada de populações nordestinas. Inusitada para nós, os do Sudeste ou talvez de outras regiões do país, com nosso pouco conhecimento do que se faz longe dos nossos olhos ou das telas de tevês. 
Anna fotografou essas belas casas com platibandas. E o que é mesmo platibanda? 
Mureta que contorna telhados embutidos


Esquema de platibanda

Note que mal se vê o telhado em algumas casas, com a platibanda ganha-se um espaço para a imaginação, de quem? Acredite, não estava pensando no autor das artes nessas fachadas. Serão obra de dono, de pedreiro, quem arquiteta aquelas belezas de formas e cores? 
Dá para saber isso no site do Almanaque Brasil, onde se pode ler um trecho da revista Veja de setembro de 1987, essa mesma de que falei no início, que tem o depoimento de quem criou esta fachada amarela


Bezerros, Pernambuco, 1982

Destas não sei muito além da localidade  

 Caratacá, Bahia, 1986

Bola, Paraíba, 1985


Anna Mariani estudou fotografia com Claude Kubrusly, Cristiano Mascaro e Maureen Bisilliat. Fez um livro com essas fotos, que são de casas dos estados de Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, o Pinturas e platibandas, publicado em 1987. 
Tive a alegria de poder ver algumas de suas fotos expostas na Unicamp (Campinas, SP, Brasil) num ano de que não consigo me lembrar agora. Recentemente descobri que elas estiveram em exposição no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro e que vão estar em São Paulo neste mês de junho, onde haverá também o lançamento de uma nova edição revista e ampliada pela fotógrafa do livro que mencionei há pouco. Uma informação que surpreende é que tanto em livro, quanto nas exposições, o que se vê é uma parcela muito pequena de fotos que ela fez dessas fachadas, que são em torno de 2 mil. 

A exposição Anna Mariani: pinturas e platibandas vai ser realizada de 17 de junho a 1 de agosto no IMS  e  espero poder ver pessoalmente. E recomendo, porque a mim encanta.
Mas para não dizer que só falei em platibanda, ainda uma fachada

 
 Duas Serras, Bahia, 1985

a seguir, uma foto de interior de casa


e outra de uma pessoa***



_______
* Fonte foto: http://www.arcoweb.com.br/design/6-bienal-de-design-grafico-direcao-de-02-05-2002.html
Tive dificuldade de encontrar foto de Anna, não as que ela tirou mas do seu rosto. Uma observação que se      faz quanto às fotos das casas com platibandas é a ausência de pessoas; ela mesma parece ter sido pouco fotografada. Na outra foto que encontrei, Anna aparece junto com o escritor Ariano Suassuana


** A Revista é uma publicação institucional de experimentação gráfica e tecnológica e divulgação técnica da gráfica Takano Editora Gráfica, restrita aos seus clientes. Fonte: http://www.usp.br/fau/docentes/depprojeto/i_minami/mestrado/nanda.htm

*** No site do Museu da Casa Brasileira podem ser vistas estas duas últimas fotos e outras feitas pela fotógrafa
http://www.mcb.sp.gov.br/mcbItem.asp?sMenu=P002&sTipo=5&sItem=676&sOrdem=0

Nota de ML: Ontem, por um ato falho, a postagem foi publicada sem alguns detalhes como o link sobre o fotógrafo Claude Kubrusly, na verdade Cláudio e também Clode, com quem Anna teve aulas, entre outros.

domingo, 25 de abril de 2010

Artes em Sampa



Casa do Artista, Loja Jardins

Minha cabeça ainda não voltou de São Paulo, onde estive na segunda-feira passada. 
Casa do Artista, uma loja de materiais de arte que fica lá. Fui, num dia de sol, com uma leve brisa pela manhã. Dobrar a esquina e me deparar com a loja foi um impacto.
Aquele mundo de materiais à disposição. Um sonho real para qualquer artista que queira fazer arte com material de alta qualidade. 
Tintas da Winsor&Newton, como os meus favoritos bastões de óleo


E os papéis? 
Muito Fabriano 5, em várias gramaturas, um luxo! 
Horas, teria de ficar horas olhando cada coisa, verificando preços. Eu não conseguia pensar direito o que seria mais interessante comprar. Vim para casa apenas com uma bastão de óleo, o incolor, que eu tinha mais certeza de usar logo. 
A cabeça cheia de ideias, uma porção de folders sobre produtos.
É, mas não parei por aí. 
Livraria Cultura em Sampa é divina. A da avenida Paulista no Conjunto Nacional é um complexo de várias lojas, uma para cada área, fiquei um tempo na Loja Artes. Evidentemente livros e mais livros sobre artistas, questões teóricas etc. Arte.
Gravuras digitais estavam à venda lá. Eu olhei algumas bem de perto, queria ver a textura do papel onde foram impressas e como a tinta se assentava nele. Odiei o acabamento das ditas gravuras, um passe-partout de 4 cm, que leva quem compra a não ter a opção de enquadrar do jeito que quiser, pois está colado. Gosto de passe-partouts largos mesmo quando o desenho é feito num papel menor. 

Na vitrine uma exposição, que foi o que me motivou mais ainda a entrar na loja.
Nanquim, desenhos a bico de pena. Logo que entrei, vi um banner com informações sobre a artista Sonia von Brüsky, o curador, datas de abertura e de encerramento. Não perguntei nada, mas pensei na possibilidade de um dia expor meus desenhos naquela vitrine. Tem de se informar, não é?
A seguir fui à loja do IMS, Instituto Moreira Sales. (Lembrando que ainda é na Livraria Cultura.) Muito atraente, as portas de vidro são automáticas... Aliás, não se vê lá dentro, fui abduzida quando alguém saía da loja e vislumbrei o que havia dentro. 
Fotografia. 
Espaço dedicado à fotografia. Livros com fotos de obras de artistas plásticos, escultores (como Bez Batti, maravilhoso, que vi já estando de saída!), fotógrafos incríveis.
Patrick Bogner é um deles, vi Interiores, o catálogo de exposição del, pelo qual fiquei apaixonada desde a capa



Eu nasci na cidade de São Paulo, sei que lá há toda sorte de problemas das grandes metrópoles. Não preciso citar, estão o tempo inteiro nas tevês e jornais e diante de nossos olhos, se se vive ou vai até ela. 
As artes estão presentes naquela minha cidade. Fiquei um pouco lendo jornal na mesa de um café. Ali estava na sombra e havia uma brisa. Não me lembrava do cinza, da chuva, das enchentes é melhor dizer, do frio, do céu sem cor, era a minha São Paulo. É minha também quando está daquele jeito, virada, mas é amor com tristeza.
Depois lia entre um gole e outro de café para espantar a sensação do estresse com os atrasos dos ônibus, que foi cessando ao pisar a plataforma do metrô, de onde poucos minutos rumaria ao Paraíso e em seguida à Consolação.
Raramente ouso dizer que estou em paz, é uma agitação interna quase o tempo todo, mas ali estava pacificada. Fiquei naquela mesa, aguardando a chegada do amigo, que contaria novidades, enquanto descíamos a ladeira para me surpreender com a loja, de que falei no início, e com a Cultura e a cultura.
Uma palavra que de tão desgastada não costumo usar é felicidade. Só que gosto de  pensar que a situação que descrevi pode ter sido feliz no sentido exato da palavra. E, cá entre nós, ainda é.