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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Ciclos



ALEG[o]RIAS 6_ML2012_color


Este é um pequeno desenho que fiz em novembro passado. Na verdade
não foi o único, eles são três, aos quais chamei de ALEG[o]RIAS e numerei: 6, 7 e 8.
Não é muito difícil saber o motivo quando se presta atenção nos galhos

Incomplete, complete
                                                    ALEG[o]RIAS 8_colorido

este, depois que colorir, renomeei (In)complete porque, embora a meu ver não esteja incompleto, ele dá essa impressão, talvez alguém tenha vontade de inserir flores, uma casa, um rio, arbustos, pessoas ali e só assim vai considerar a obra pronta, completa. Vale imaginar como ficaria, cada um pode olhar e ir preenchendo o que sente como espaço vazio.
Não era para falar de processo de criação, mas, sabe, eu fiz os três numa tarde chuvosa, dessas com raios e não era possível ficar com o computador ligado.
Havia um tempo que estava para testar a Stabilo point 88, uma caneta hidrográfica famosa, que atualmente se encontra em muitas papelarias, não só em lojas de material artístico.
Eu sou bem louca por esse tipo de caneta desde a infância, usava “hidrocores” da marca Sylvapen

sylvapen4-1
O teste foi feito sobre papel reciclado comum. Gosto da cor, de uns fiozinhos mais escuros e quis que o fundo dos desenhos não fosse branco. A pretensão é de digitalizar e depois imprimir num papel de muito boa qualidade, fazer gravura digital, uma pequena edição de cada desenho. É, isso é outra história, até por que não tinha pensado em colorir. Ficaram com ares de ilustração.
Pois é, gostei deles sem cor, não desenhava assim fazia um tempo considerável, o primeiro foi

ALEG[o]RIAS 7_ML2

ALEG[o]RIAS 6, ainda sem versão colorida, surgido de umas rabiscadas que dei num envelope de conta telefônica dias antes.
O 8 eu me inspirei no salso chorão, obviamente sem nenhuma intenção de fidelidade à árvore


mas com uma saudade das vezes em que estive visitando minha avó no Rio Grande do Sul, há uma dessas na rua onde mora.
ALEG[o]RIAS 7, desenho de abertura da postagem, foi após terminá-lo que percebi a relação numérica, razão para fazer o 8. Aprecio muito quando um desenho chama outro, neste caso eles têm uma ligação direta, embora nem sempre aconteça desse jeito. Pode vir um bem desgarrado da série, o que também é bom.
Não falei em pintar até o momento. De onde vêm as cores então?
Contei com os serviços de uns editores de imagem e de uma mesa ditigitalizadora1.
Não pintei, apenas colori.
Sim, arte, mas também uma atividade lúdica, pois nestes editores se podem experimentar as cores, mudar de lugar, de tom, apagar, enfim uma variedade de possibilidades, sem falar em cortar, inserir. Não brinco, no entanto me surpreendo às vezes, porque não domino essas ferramentas, uma falha minha, a ser sanada com urgência.
Hoje descobri muitos recursos interessantes, vou usar e abusar desses novos conhecimentos e fazer outros avanços no sentido de aprender mais.
E os ciclos?
Melhor parar de explicar técnicas e programas de computador.
Mais um ano terminando, momento de agradecer as incontáveis visitas ao blog. Sinceramente eu não tinha noção da receptividade que teria este blog. Ninguém faz ideia da alegria que me dá chegar aqui verificar os contador de visitas e encontrar ainda mais pessoas acompanhando o blog explicitamente, como digo, porque com foto, para quem quiser ver.
O prazer é continuar a escrever, a buscar imagens, assuntos interessantes, artistas favoritos, minhas artes compartilhar! Isso tudo enriquece a vida, incentiva a ir em frente e enfrentar obstáculos dentro e fora de mim. É a tal de autossabotagem existe e tem de ser forte e amar muito o que se faz para permanecer em atividade. As presenças de cada um aqui é uma força maravilhosa!
Anos são ciclos. O de 2012 termina, vem o de 2013. Sabemos que essas divisões do tempo são culturais; judeus, por exemplo, já estão no ano 5773 e os japoneses vão entrar no ano 4711 em fevereiro.
Há toda uma energia, um movimento de emoções, desejos… sonhos são lançados nestas datas, portanto são momentos em que muitos se juntam, isso fica bonito.
A união das pessoas em torno do bem, da paz, do crescimento, de projetos de vida é o que mais devíamos fazer, vejo casos e mais casos desse tipo de união. Penso, sim, em que todos vocês tenham suas vidas, cuidem de si e das pessoas amadas, respeitem gente com quem convivam seja por que motivo for (trabalho, estudo etc.), cresçam em alegria, em paz, equilíbrio.
A plantinha do desenho inicial tem uns movimentos, umas flores um pouco estranhas, o novo é de uma estranheza…
Mas tudo bem porque dentro da cúpula amarela. Amarelo é tido como a cor do equilíbrio. O que não quer dizer que ele seja permanente e por isso mesmo que na vida eu espero que cada um de nós saiba lidar com  dúvidas, inseguranças, obstáculos de modo equilibrado neste novo ano e em todos os demais!

Beijos, abraços e desejo de sucesso a todos os que passam por aqui

________

1. Tenho uma primitivíssima versão de Photoshop Elements, outra do Procreate Painter Classic, ambos felizmente vieram junto com a mesa digitalizadora Wacom adquirida em 2003, e mais o GIMP 2.8, este gratuito.
Esse Painter deve ser o primeiro da linhagem que veio a se chamar Corel Painter, já está na versão 12, pode ser baixada, por exemplo do site
Baixaki, testada gratuitamente por algum tempo, mas é preciso comprar em loja ou no site da Corel. O Painter é um programa feito mais para artistas visuais. Certa vez ouvi de um artista, em entrevista na tv, que seus pincéis haviam sido aposentados, ele só pintava nesse tipo de programa.
Tudo bem debandar para o mundo digital, mas gosto de somar. Desenhei no papel, com caneta e captei as imagens com um escâner. Aliás, se eu quisesse desenhar no computador naquele dia, teria de arriscar vê-lo queimar por obra de algum raio. Dou vivas ao papel e aos materiais de arte ao vivo e em cores!
A mesa digitalizadora, antes chamavam de tablet, mas agora prefiro não usar esse termo porque vai confundir as pessoas por causa dos ipads e outros parecidos, não tem mesmo nada a ver



A minha é desse tipo, com fio, nada de wi-fi na época, mas com mouse e caneta sem fios!
Com ela podemos desenhar direto num editor de imagem, seja ele qual for, desde o Paint que acompanha o Windows até os sofisticados Corel Draw ou Adobe Photoshop.
O GIMP é um editor que uso há anos, mantenho sempre a última versão dele… e olha só, fui ver um link para compartilhar aqui e descubro a nova versão! A minha é de julho, vamos nos atualizar já! Está no Baixaki a versão
2.8.2.

ML
_ Era só para agradecer, mas como o blog é de arte, falo dos materiais e dos processos de criação, não resisto. Hoje bem que consegui me segurar um pouco, não falei dos recursos dos editores, na caneta Stabilo, nem nas interpretações que eu mesma faço desses desenhos, que, depois de coloridos e quando decidi mostrá-los, ganharam leituras possíveis, tanto que comentei sobre terem adquirido um caráter de ilustração, não pretendido espontaneamente. Quem sabe, em futuras postagens eu resolva isso tudo.
Quero agradecer especialmente a presença das pessoas que me acompanham no blog!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

13 de maio de 1888 | May 13th 1888


No dia 13 de maio de 1888, princesa Isabel assinou a Lei Áurea promovendo a abolição dos escravos.
Hoje é 13 de maio de 2011, não vou tecer comentários* sobre esse ato histórico da princesa que pode ser comemorado, pode muitas vezes ser ignorado, pode ser motivo de alegria e de vergonha e para outros deve ser esquecido, pode parecer não ter acontecido, pode ser confundido com justiça, pode ter sido apenas para se livrar de uma situação embaraçosa perante o mundo ou para libertar os próprios esgravagistas dos encargos com escravos e da pressão de abolicionistas. O Brasil foi dos últimos a tomar uma decisão como essa.
Sou negra, 


e parte dos meus ancestrais vieram ao país trazidos em navios negreiros1

 

para servirem de escravos.
Desde que vi imagem semelhante a essa pela primeira vez, foi em 1983, não me esqueci mais, impressionada2




Como artista lido com imagem, volta e meia me pergunto como posso me "apropriar"3 dessa imagem do navio negreiro como artista, e sim como negra, pois o navio negreiro é a construção de uma memória de algo que não vivi mas herdei

N.N. | S.S., ~2006
Monotipia e pintura s/papel


_______
* Há pessoas talhadas para argumentar e contar o que foi mesmo a Lei Áurea, como os historiadores, pesquisadores. Li, faz muito tempo, em algum texto que a situação dos negros não ficou exatamente dourada e sabemos que ainda não é. 
Sabe-se mais: atualmente há quem escravize outras pessoas de inúmeras maneiras.
1. Essa imagem representa uma possível distribuição dos escravos num dos porões de um desses navios ou tumbeiros, outro nome dado a essas embarcações em que homens, mulheres e crianças negros eram transportados de África para vários lugares do mundo, sempre para se tornarem escravos.  
2. Aqui é um detalhe do esquema para uma ocupação total da área do porão. A mim isso impressiona muito cada vez que vejo e penso que se tratava de seres humanos e não de mercadorias.
3. É um projeto em que venho trabalhando e não sei ainda quando vai se completar, na verdade como vai tomar corpo de fato e poder ser mostrado não como um espetáculo.


ML_ Não foi uma decisão simples resolver escrever aqui sobre o assunto da lei, da escravidão. Para uma boa parte da população isso não é coisa que se comente. Vi um quase nada de comentários ou menção à data histórica. Nas emissoras de televisão a que assisti preferiram tratar da superstição de azares e sortes do dia 13, foram até mesmo passar por debaixo de escadas munidos de suas câmeras e o desfile de Gisele Bündchen pela primeira vez usando uma lingerie foi destaque também. 
Ouvi de um jornalista que a abolição da escravatura foi, sim, uma coisa importante para os negros mas que foi para os brancos porque se tornaram livres...
Não tive tempo de procurar textos, links para sugerir.
Assunto delicado, embaraçoso, acho que até essa postagem eu estava com esse mal-estar de alguns ao ponto de me calar também. Por um certo tempo meu silêncio se deu por eu não perceber que ser diferente, como ter a pele escura, levava alguns a ter ideias preconcebida sobre uma pessoa. Então depois de aprender isso eu me calei mais ainda. 
Não faz muito anos que a consciência de ser negra passou a ser parte de mim como afirmação essencial, como valorização mesmo dos meus ancestrais, das minhas raízes que se estendem até a África. Isso foi nas tantas conversas com Pedro, que com seu olhar foi descobrindo a África nos meus desenhos e me mostrou.


This text is about the 13th May 1888, the year of the princess Isabel signed the famous 'Golden Law' ("Lei Aurea") in Brazil. It was one of the last nations in the western world to abolish slavery. I am  a black woman and here I try to say sometihng about this and remember my black ancestors who were slaves. And show two images of a slave ship, the last is a monotype that I made inspired in a old scheme of one of these slave ships. 
I write about my necessity of remember this fact and all despite the dificulties and think.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Monotipia | Monotype | Monotipo | Monotipie


Volutas, 2010 
Monotipia, tinta gráfica

Isto é uma monotipia. Eu a fiz agora em junho, mais exatamente num domingo, dia 20.
Fiz umas quantas, só que esta tem mexido comigo mais que as outras, e olha que essa não posso considerar a melhor, embora todas sejam pouco mais do que o experimentar uma técnica que há anos periodicamente invade minha cabeça como que a me dizer Experimenta novamente, vai ser bom pra você!
E é verdade, bom mesmo para mim levar adiante minha relação com essa técnica e as que têm a ver com gravura, principalmente a gravura em metal. Tenho uma ligação antiga com essas técnicas de reprodução de imagem, é algo profundo que ainda não analisei nem refleti o suficiente para poder falar a respeito.
Bem, umas palavras sobre monotipia... Sou muito voltada às técnicas artísticas, sem elas não faço arte, não me expresso em imagens. Então materiais e técnicas é necessário saber muito sobre eles e experimentar o que se pode fazer, como eles vão me ajudar a realizar uma ou muitas imagens.
Comumente se explica o que é gravura e se diz que monotipia não é gravura, não vou entrar nessa discussão, creio que são todas técnicas de impressão e vou me deter apenas no que ela é, contando como fiz a minha.
Volutas foi feita sobre um pedaço retangular de vidro, onde passei tinta à base de óleo (Cromos) com auxílio de um pequeno rolo de borracha(1)


e logo após me pus a retirar (= limpar a superfície onde eu não queria) a tinta. A gente pode fazer isso de diversas maneiras, na hora usei um pouco de estopa, bem enroladinha, segurando com as pontas dos dedos cuidadosamente para fazer o contorno externo da figura. 
Foi com um pincel de cerdas meio duras que fiz os detalhes do que devia ter ficado mais definido porque eu tinha em mente as volutas de uma coluna 

Coluna jônica

Com a imagem diante dos olhos, coloquei a folha de papel sobre ela, que na placa de vidro é feita invertida 

Imagem na placa de vidro

Isso mesmo, é mais do que aconselhável ter consciência de que, ao imprimir no papel, a imagem fica ao contrário para não ter surpresas desagradáveis, pois nem toda imagem fica boa de qualquer jeito. 
Volta e meia me ponho num ritual de olhar um desenho meu em frente ao espelho para ter certeza de que dispus tudo de modo que me agrade, de modo harmônico. Faço isso porque houve época em que não assinava os desenhos e as pessoas, ao pegar para ver, sempre seguravam numa posição "errada" e alguém disse que do jeito que estava olhando estava bom. Claro que não concordei e passei a assinar para determinar como devem ser vistos os desenhos.
Eu me disperso, mas, sim, estando com o papel sobre a imagem para imprimir Volutas usei uma prensa manual de gravura em metal parecida com esta


mas podia ter usado, por exemplo, um baren de barbante(2)


executando movimentos circulares (de alguma intensidade) no verso do papel para que a imagem, a tinta, passasse para o papel. Baren é um instrumento japonês usado para fazer esse trabalho de imprimir no papel a imagem, no meu caso de monotipia(3), desta forma


Não me proponho a ser didática aqui porque há outras pessoas mais talhadas para explicar como se faz monotipia e nada como estar com os materiais na mão para isso tudo ficar bastante claro e haver quem nos explique e responda as dúvidas que surgirem.
Não ouso deixar de dizer que não se pode repetir exatamente a mesma imagem uma segunda vez, a cópia é única. Há meios de fazer algo próximo, mas é diferente quando se tem uma matriz gravada (numa chapa de metal, num bloco de madeira ou numa pedra litográfica) e a partir dela se faz uma centena de impressões, cópias. 
Enquanto se faz monotipias, é comum a gente não se (pre)ocupar em repetir a imagem e sim fazer outra e mais outra, e muitas vezes permitindo que as ideias fluam sem ficar planejando muito, ou ainda, se a tinta for à base de óleo pois demora a secar, pode-se pensar o que fazer a seguir com mais calma.
Outro detalhe a comentar é que não assinamos a monotipia na tinta junto com a imagem, mas logo abaixo da imagem, é ali que vai a assinatura do artista, normalmente a lápis, com o título da obra e data como em

 Miraculous land, Paul Klee, 1920

Há alguns artistas de que gosto muito e fizeram ou fazem monotipias maravilhosas, como Paul Klee, que ainda colocava cores de aquarela nelas; Mira Schendel, a primeira que sempre me vem à lembrança ao falar ou ouvir falar dessa técnica porque aprecio as que ela fez

Sem título, 
monotipia s/papel de arroz japonês

Carlos Vergara é um mago da monotipia, ele as imprime sobre tela/lona crua de uma maneira muito especial a que tive o prazer de assistir num programa chamado Metrópolis na TV Cultura. Vergara trabalha com pigmentos coloridos e cola e mais uma parafernália de objetos(4), pelo que sei, e, como em qualquer monotipia, acrescenta detalhes, por exemplo, com pincel

   
E, entre outros artistas, Cathy Cullis.
Cathy faz umas bem bonitas, com figuras humanas, suas pequenas mulheres 


São desenhos feitos também com o mesmo procedimento inicial de outros tipos de monotipias, entintando uma chapa de metal ou de vidro. Chamo atenção para a qualidade das linhas conseguidas com essa técnica e que podem ser únicas em sua delicadeza. Também é conhecida como monotipia de traço/linha (trace monotype) essas monotipias como fazem Klee, Cathy e Jennifer Schimitt

Jennifer Schimitt, 2008

 Detalhe


Monotipia é uma das técnicas mais fascinantes que conheço. Olha esta de Martin Stankewitz


que pode ter sido realizada em etapas por causa das cores variadas(5), um procedimento mais complexo.
Poderia ficar falando e mostrando reproduções de vários artistas por dias a fio. Nem era para eu me meter a falar tanto assim pois acabei não dizendo por que a monotipia Volutas mexe tanto comigo.
Acho que vou  falar nisso numa próxima postagem. Sim, é o que vou fazer. Só para adiantar um pouco, devo dizer que ela me abriu para coisas que estavam dentro de mim, como a cor vermelha.


_______
1. Usei um pedaço de vidro, mas o suporte pode ser de outros materiais como chapa acrílica, chapa de cobre (como na foto) ou de zinco, também folha de acetato e até algum papel. A tinta disposta sobre a placa de vidro antes é preparada (diluída se necessário) e estendida com um rolo, com pincel etc. sobre outra superfície (de vidro) para que se possa controlar a quantidade de tinta na placa onde vai ser feita a monotipia e que não deve ser muita. Com a prática se verifica que quantidade é ou quantidades são essas ao notar os resultados e poder entender o que fazer obter certos efeitos. 
2. Barens são feitos de modos diferentes, todos têm uma alça para que se possa segurar firmemente enquanto se imprime uma imagem. Não encontrei uma foto de baren de barbante onde fosse possível ver a alça de que falo, o jeito é ver um que me parece ser de bambu

 
3. Dá para usar outros instrumentos e mesmo uma colher de pau ou a palma da própria mão, claro que com resultados diferentes. O baren é usado para imprimir xilogravuras a partir de placas de madeira gravadas e intintadas.
4. Não sei bem a data, mas creio que foi há uns 2 anos que fiz uma aula dessa técnica de Vergara, ou muito semelhente, com a querida artista plástica e professora Narege, em seu ateliê em Campinas (SP). 
5. Coloquei esta monotipia aqui para completar a resposta que dei a Pedro, que viu minhas monotipias monocromáticas. Sim, dá para fazer com muitas cores, mas exige mais procedimentos.
 
ML: Volutas foi realizada durante a oficina de Introdução à Gravura: Monotipia, no SESC Campinas nos dias 19 e 20 de junho passado.  Não foi meu pimeiro contato com a técnica, que conheci e até havia experimentado nos anos 1990. 
É muito importante para mim retomar essa técnica tanto por abrir o leque de técnicas disponíveis como por ter uma ligação afetiva com ela pois era usada e muito bem pelo colega Marcelo) no curso de gravura em metal no IA-Unicamp, que teve sua carreira de artista interrompida ao falecer precocemente em 1995. Acho que é um jeito de saber o que o atraía nessa técnica e de manter viva sua presença. Foram muitas as ocasiões em que, enquanto eu lidava com chapas de cobre, ácidos e aguarrás, Marcelo fazia uma bela monotipia atrás da outra, sempre me fazendo vê-las... 
Da oficina no SESC quero dizer que, mais do que a técnica retomada, me deu a chance de conhecer pessoas amorosas. Andrea é pessoa, mãe, esposa... consciente das coisas que acontecem e tem um blog maravilhoso sobre a vida; e Fábio, que fez umas monotipias bastante bonitas e especialmente detalhadas, e também faz tochas, ele ilumina.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Mais um desenho meu


 

É de 2007 e o título é Movimento. Aliás, tive de movimentar bastante para colocar a foto aqui. Redução não é mesmo o meu forte. 
Gosto de imagens geométricas, daquelas feitas com régua, compasso, curvas francesas, enfim, toda a parafernália que garanta um certo nível de precisão às linhas traçadas. 
Com ele foi diferente, desenhei à mão livre. 
Claro que não é por isso que saiu assim com um jeito de "em deslocamento". Acho que foi até para fugir um pouco da exatidão, que ela às vezes me atrapalha. Leia-se também "exigência desmedida" de minha parte para comigo mesmo.
Nele gosto principalmente das cores e da linha divisória. 
A inclinação, essa eu acho perturbadora.
O movimento eu devo segui-lo e fazer novos desenhos.