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domingo, 14 de abril de 2013

Geografias Internas_Recomendo urgência


Tenho de me desculpar muitas vezes por não ter feito o convite antes para a exposição

Expo ENI 
Sim, mais uma da amiga Eni Ilis, desenhista maravilhosa! Eu me desculpo logo no início porque faltam poucos dias para terminar, é agora no dia 18 de Abril e teve abertura no dia 18 do mês passado. Eu não pude fazer postagem com antecedência.

Bem, mas dessa vez visitei e fotografei as obras. Na imagem acima já dá para ver, na parte inferior, duas de minhas fotografias

Exposição1

nesta aparecem as obras como expostas na Livraria Pontes, devia ter pedido para apagar a luz do ambiente para evitar essa faixa branca sobre o desenho.  Na outra, um dos desenhos


Exposição2
Aqui foto de detalhe

Exposição7
Gosto de fotografar porções da imagem e não simplesmente fazer um recorte a partir da foto da obra inteira. Isso permite visualizar mais detalhes da imagem. E, no caso do desenho de Eni, vejo esse modo de fotografar como necessário, pois quem não puder ver pessoalmente pode ter uma noção da maneira de elaborar esses rostos, ver as expressões, ver mais de seus gestos de criadora.

São obras sem título, feitas com caneta esferográfica sobre papel

Exposição3
de perto, um detalhe

Exposição5
Fico sempre impressionada com a maneira que Eni usa esse instrumento, a caneta muito associada à escrita, para desenhar. É com ele que a artista produz texturas, imagens delicadas e fortes, tons num emaranhado de linhas.

Exposição Geografias Internas na

Livraria Pontes
R. Dr. Quirino, 1223
Centro
Campinas SP
Fones 19 3235-3187

Encerramento no dia 18 de Abril de 2013.

Não posso deixar de mencionar e celebrar a iniciativa de Reinaldo e Eva, os irmãos Pontes, de abrir espaço na livraria para exposições de obras de artistas visuais nesta Campinas carente de bons lugares para divulgação de arte. Ali as obras ficam expostas e também à venda. As de Eni não estão disponíveis para venda.

Vamos ficar atentos, pois já há outras exposições programadas!


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M.L._Tenho de pedir de novo que me desculpem. Este pedido é porque as fotografias mostradas aqui foram salvas num formato inadequado (.gif) e não estão boas nem fazendo jus à beleza dos desenhos de Eni.
Vou melhorar isso em outra postagem, prometo!
Creio que o mais importante no momento é divulgar a exposição e dizer que os desenhos de fato merecem ser vistos pessoalmente. Nenhuma reprodução capta… isso é outra história que pretendo falar em outra ocasião, até porque fidelidade ou graus de fidelidade da fotografia ao original é algo que me leva a inúmeras reflexões, perguntas e foi o que me fez começar a fotografar. Aliás, as fotografias aqui são todas minhas e foram feitas com uma câmera digital. Muito o que comentar sobre essa entrada na fotografia digital. Agora vou poder dizer alguma coisa sobre esse assunto.
Mais um detalhe de obra de Eni,

image

esse eu acabo de reduzir um pouco a foto original e trouxe par cá!
Também quero escrever sobre a experiência de fotografar dentro da livraria enquanto conversava com Eni e João (Bosco).
Para quem quer ver postagens minhas sobre Eni Ilis e João Bosco aqui estão os links
Dois artistas amigos
Exposição na Estação

domingo, 14 de novembro de 2010

Comentário de comentário_Retratação


Já disse que levo um tempo considerável, às vezes, até publicar uma postagem, porque procuro ser o mais informativa e o mais escalarecedora possível, buscando textos, fotos, tudo que possa me ajudar nessa minha intenção de encontrar uma verdade sobre aquilo a que me proponho partilhar com quem visita o blog.
Ontem estava alterando alguns marcadores (uns de fotografia), quando, de relance, vi uma postagem com um comentário a mais. Fiz as alterações necessárias e fui verificar o comentário casualmente percebido. 
Desse comentário vou falar em outra postagem, não por menor importância, pois, entre outras boas coisas, me serviu de alerta para uma mudança de comportamento e me pus  imediatamente a abrir a pasta de comentários para ver se havia outros cuja existência não tinha percebido por estarem em postagem mais antigas. [Todos os comentários, todas as visitas me interessam muito, gosto de me comunicar, de dialogar.]
Encontrei mais um.

Demorei um bocado escrevendo a série de postagens A arte de compartilhar a arte(1) sobre o artista plástico Árpád Szénes e, confesso, somente dei os devidos créditos a pouco material que usei para tanto, mas me referi a uma foto de quadro de Szénes retirado de um blog, coloquei um link no nome do autor e fiz observações sobre essa foto provavelmente não corresponder ao original, isso com relação às cores, e fiz lá uma afirmação, uma elocubração a respeito de outra foto ser possivelmente mais próxima do quadro em questão. 
Pois não é.

Fiquei pasma ao ler o comentário feito pelo próprio Rui Morais de Sousa, o autor do blog, e, para minha surpresa, soube que foi ele quem fotografou o quadro.
Ah, sim, meu coração se pôs a bater misturando alegria e dor. Explico. 
Ele menciona o fato de eu ter tirado a foto de seu blog. Isso tem uma gravidade, mesmo eu tendo citado a fonte, não é menos grave quando, em seu blog, se vê a explícita necessidade de pedir autorização a Rui para isso. Afinal, ele é o autor da foto, é um direito seu exigir a autorização. É uma luta grande pelos direitos autorais por que passam artistas de toda arte. 
A referência ao nome do autor na reprodução de uma obra sua é, no mínimo, uma questão de respeito e de reconhecimento a ele. E Rui se propõe a analisar o pedido e dar autorização por escrito. Ele cuida, preza o que faz, é justo que faça isso. 


O quadro cuja fotografia tirou do meu blogue, foi fotografado (por mim) na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva em Lisboa.  

Ao ler a frase no primeiro trecho de seu comentário, parei a leitura, já me julgando processada por ele. Não, acho que não. 
Rui me conta como fez a fotografia.
Que maravilha, esteve diante não só daquela obra mas das obras da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva em Lisboa, Portugal. Visitar esse espaço de arte é um privilégio em si, mas poder fotografar as obras deve ser incrível. Ainda mais com uma das câmeras de filme a que Rui se refere na postagem onde está a fotografia que tirei, e mais outras.

Não preciso dizer da alegria que causou ao me escrever, Rui. Fez com que decidisse com certa tranquilidade fazer essa retratação pública, que eu faria de qualquer forma só que haveria uma tensão maior. 
Você me trouxe o esclarecimento, a informação que faltava naquela minha postagem, e me permite partilhar isso com mais pessoas. É muito bom saber que sua fotografia retrata o quadro. Põe fim a uma inquietação minha. Um incômodo.
A questão de fidelidade às cores, quando se fala em fotografia e se pensa nos meios atuais de captação e reprodução e edição de imagens, para mim é delicada. Não tenho tido contato com fotógrafos que, como você, tenham paixão por arte (desenho, pintura etc.). Levei desenhos meus a fotógrafos que ignoraram, se recusaram a levar em conta as especifidades da fotografia de obras de arte, ocupados em fazer fotografias para documentos (RG, passaporte e outros), sem certos cuidados com iluminação, por exemplo.
Há mesmo livros de arte com fotografias, digamos, equivocadas em relação às cores e até aos materiais e técnicas usadas pelo artista para fazer a obra.


Considerando que os meios de que dispomos para ver as reproduções de imagens de obras de arte, como monitores de computador, devemos reconhecer que apresentam capacidades e limitações tão diversas quanto a de nossos olhos e foi uma sorte minha ter a palavra do fotógrafo sobre a qualidade da imagem. Rui fotografa obras de arte, é profissional(2).
Devia ter me detido na leitura do texto que acompanha as fotos nessa postagem de Rui, pois teria sido talvez motivo para não incluir a foto no meu blog o fato de ter de pedir permissão para reproduzi-la, mas teria encontrado um fotógrafo, um apaixonado por arte e ainda alguém com uma história parecida com a minha em relação à escolha de carreira e do papel do pai nesse momento tão especial da vida. Com a diferença de que ele, felizmente há um bom tempo, vem realizando seu desejo e se diz "a kind of breadless photographer"(3). Não me arrependo de ter feito a postagem, claro que ter me apropriado indevidamente da fotografia de Rui ou as de outras pessoas foi uma falha grande minha, mas meu desejo de falar de Árpád era incontrolável.

Eu peço desculpas a você, Rui.


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1. A série começa na postagem de 14 de março de 2010, na qual faço um certo mistério sobre quem seria o texto. Coloquei um subtítulo de _Preparação justamente por estar sendo elaborada ainda a postagem.
2. Mais informações sobre Rui Morais de Sousa, fotógrafo e editor, estão em seu blog. Na postagem a que recorri pode-se ler um pouco de sua história de vida e seu modo de ver a fotografia, a arte, a vida mesmo.
3. Uma tradução possível: um tipo de fotógrafo sem uma migalha de pão, sem dinheiro. 
Fazer arte, quando eu estava às vésperas de tomar uma decisão sobre a faculdade, era vista como um meio de se tornar um sem-dinheiro, pobre, por isso os pais, o meu, o de Rui, eles nos desaconselhavam a seguir a carreira de artista e muitas vezes conseguiam (temo que ainda o façam) fazer os filhos desistirem ao nos colocar esse medo de ficar na miséria. Eu não lutei contra esse medo naquele momento. 
Já disse, espero ter dito, que admiro muito os que seguem seus sonhos, ainda que eles tomem formas um pouco diferentes no percurso da vida. Rui queria ser artista plástico, hoje é fotógrafo, com câmeras maravilhosas de filme, com essa possibilidade de fotografar obras de arte, enfim, colocou e vem colocando seu sonho no mundo. 

ML_Para que entendam melhor do que falei aqui, é bom ir à minha postagem comentada e ao blog de Rui Morais de Sousa.
Vale a pena visitar seu blog, achei melhor não pegar mais nenhuma foto dele sem sua autorização, lá podemos ver uma de Rui e uma de suas câmeras. 
Estou estudando fotografia e começando a fotografar seriamente e isso faz com que meu respeito  por quem já o faz seja maior.
Foi difícil ler o comentário de Rui, como mencionei na postagem, mas o contato foi rico. 
Ainda vou fazer comentário do primeiro comentário descoberto em outra postagem, o que me levou ao de Rui. Aguardem. 
Continuo sem ter certeza da grafia do nome de Szénes, mas um dia vou saber. Importa, sim, que seu nome e sua obra sejm lembrados. 
Vale guardar na memória que a foto do quadro Vieira da Silva pinta Árpád pintando é do fotógrafo Rui Morais de Sousa. Não vou fazer a correção na postagem onde ainda está a foto com minha observação equivocada, volto à postagem
para colocar o link desta assim que for publicada, quero que as pessoas leiam meu comentário aqui.
Mantive a data de quando comecei a escrever, mas a publicação é de 21 de novembro.

segunda-feira, 22 de março de 2010

A arte de compartilhar a arte


Árpád Szenes e Maria Helena Vieira da Silva

Há cinqüenta anos vivo com essa senhora, não me cansei um só minuto e, ao contrário, não se passa um dia sem que me surpreenda e me comova com sua inteligência.

Esta frase não foi dita na época da foto acima, levou um bom tempo para ela ser dita por Árpád sobre Helena durante uma entrevista da jornalista Gardenia Garcia, publicada em 1978 numa antiga revista, Arte hoje (nº 11, pp. 32-35).
Gardenia escreveu que, ao ser apresentado a ela, Szenes lhe disse imaginar que ela passou um dia maravilhoso, por ter estado o tempo todo com sua mulher.
Não sei o que  mais me toca se a frase reproduzida na íntegra ou a sobre o dia da jornalista, tanto que, lendo a frase citada, fiquei a imaginar que tinha lhe atribuído uma beleza que só o tempo nos permite, quando as palavras do outro se transformam para pior ou melhor graças a nosso esquecimento de quais foram exatamente. Elas podem vir à memória misturadas às nossas próprias palavras.
Dois artistas, como disse na postagem anterior. 
A grande pintora portuguesa, naturalizada francesa, Vieira da Silva. Árpád Szenes, pintor húngaro, de menor sucesso e/ou reconhecimento. Pintaram em harmonia, viveram assim. Não posso afirmar que sem alguma discussão, mas, se houve, eles tornaram a se harmonizar, a muito provavelmente se incentivar e a se encantarem um com o outro, um com a arte do outro. Ambos a se admirar um com o outro. Crescendo juntos na vida e na arte.


No atelier



 Vieira da Silva pinta Árpád pintando

Não estou certa ainda de que este seja o título do quadro, não consegui informação exata em blogs como o de Rui Morais de Souza, onde encontrei reproduções do quadro, mas é de Szenes. 
Na verdade recolher informação na internet é correr riscos, acabo de encontrar um foto do quadro acima que provavelmente seja mais fiel ao original, Arpad Szenes, 1942, digo isso sem conhecimento da obra dele, usando minha intuição e outras fotos de obras do pintor.


Seria  bom poder contar com boas imagens no site da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, no entanto não me foi possível sequer visitá-lo, por algum problema que desconheço. Parece que preferem que se vá pessoalmente vê-las em logo ali em Portugal, é o modo como "protegem" a obra do artista, nos privam dela.
Como muitas vezes, começo apenas com o desejo de partilhar o que sei sobre artistas de que gosto e acabo fazendo críticas e apresentar questões que me preocupam em relação especialmente ao acesso à obra do artista. 
Desta vez mesmo a questão da fidelidade da foto à obra original se coloca. Sei um pouco disso pois andei tendo problemas ao mandar fotografar meus desenhos. Até entendo as limitações e características das câmeras, dos monitores e programas de computador, dos próprios profissionais, do olho humano, mas isso não tem sido suficiente. Apoiados nisso tudo, me parece haver deles um certo descaso, uma falta de curiosidade, de vontade de procurar fotografar obra de arte, que requer um tratamento diferente.
É um assunto espinhoso para mim, uns fotografam com a luz do sol, outros com lâmpadas especiais, todos fazem um trabalho de edição das imagens com o original presente. Não importa, é difícil a comunicação entre nós quase o tempo todo. Um deles me perguntou com base em que eu estava reclamando da foto em relação às cores. A resposta foi em meu desenho, a foto deve reproduzir o desenho obviamente, ou não? 
Já me estendi demais no assunto agora.


Em Paris, 1960

Ainda há muito o que falar de Árpád e Maria Helena. Nesta foto eles já há muito haviam voltado à Europa mas passaram um tempo no Rio de Janeiro na época do nazismo. A história de por que vieram em 1940 é um capítulo à parte da vida deles, no qual não vou me aprofundar. Digo apenas que Szenes era judeu húngaro e que Helena, ao tentar obter cidadania portuguesa de volta, pois há muito vivia na França, teve o pedido negado pelo governo, o que envergonha até hoje os portugueses que tomam conhecimento do fato, pode-se ver algo sobre isso em Vidas Lusófonas.


No Brasil*


Ficaram aqui até 1947. Durante esse tempo, ao que parece, Helena fez várias exposições, influenciaram alguns artistas com sua arte Certamente trouxeram novidades da arte europeia. Szenes deu aulas aqui.
Aqui como lá, eles acolhiam jovens artistas. Carlos Scliar, pintor brasileiro, foi um deles, basta ver no site Pitoresco.
Eu mergulhei tanto em sua história que vou ter de continuar numa próxima postagem. Afinal, felizmente eles tiveram vida longa, como se pode notar na foto de Maria do Carmo Galvão Teles, de 1984.




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* Correção: Não, eles não estão no Brasil nesta foto. Ao consultar o livro Vieira da Silva, de Gisela Rosenthal, verifiquei que se trata do atelier no boulevard Saint-Jacques em Paris, no ano de 1938, ou seja, antes da vinda deles ao País.
Como já disse, é preciso muito cuidado com informações de sites na internet. O velho e bom livro é fonte mais segura.