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sábado, 6 de março de 2010

Leonilson


 

Leonilson foi um artista que tive o prazer de descobrir nos anos 1980. Via fotos, depoimentos e textos com críticas sobre sua obra em revistas de arte como o Guia das artes e a Galeria. Acho que não foi nessa época que comecei a ler/ouvir a opinião de Leonilson sobre arte, sobre expor; foi depois de seu falecimento em 1993.
Um dia assisti a um vídeo na TV Cultura, era Com o oceando inteiro para nadar, de Karen Harley. Até agora não consegui rever o vídeo, só há uns trechos à disposição no site do Projeto Leonilson. Gosto do vídeo, há outros vídeos no site mas é preciso ir até o Projeto para ver na íntegra, o que considero muito importante para quem quer conhecer um pouco o artista, embora o principal sejam suas obras.
Os responsáveis devem ter sua justificativa para não permitirem que os vídeos possam ser vistos na internet, mas fico triste, isso poderia divulgar mais a arte de Leonilson, mas as famílias de artistas falecidos fazem o que julgam melhor. 
Aliás, já li e ouvi coisas de espantar sobre esse assunto, se não me engano a família de Alfredo Volpi não permitiu a inclusão de fotos de quadros dele num catálogo de exposição ou foi num livro sobre o artista. Sem falar nos familiares que permitem a reprodução de obras em livros etc. mas cobram altíssimo para isso, tornando a coisa impossível.
Bem, de volta a Leonilson.
A arte dele é de uma poesia como poucas. Os desenhos em nanquim, os bordados, as palavras... sim, Leonilson escrevia. O que sentia, o que pensava da vida, do amor ou não que há na vida. Poesia mesmo. Reflexão. Sua vida.

   

  

  
 
Voilá mon coeur (Here is my heart), c. 1989, bordado e cristais s/feltro
[Frente e verso] 

Pintou e também fez múltiplos em bronze fundido:

 
Sem título, 1990/1991

Nasceu no Ceará, na cidade de Fortaleza em 1957, 
fez arte

 

fez arte 



fez arte 
e faleceu jovem, na cidade de São Paulo em 1993, em consequência de complicações da aids.
A arte permanece vivo Leonilson.

 
Leonilson fotografado por Pablo de Giulio



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Louise Bourgeois



Ela é bárbara! Esta foto foi tirada por Robert Mapplethorpe, fotógrafo polêmico de que um dia eu falo. Bem, ele fotografava homens nus. Belas fotos... mas logo de homem? Eu não vejo problema mas havia quem criticasse. Mulher nua pode, homem não. Porque pênis não pode aparecer assim, explícito.
Debaixo do braço de Louise pode. A artista conta em seu livro Destruição do pai, desconstrução do pai como foi a sessão para esta foto em que ela exibe um de seus pênis, ou melhor, esta escultura é Fillette, de 1968.
Há várias interpretações para ela. Naturalmente que não escapa a uma leitura freudiana sobre a inveja do pênis pela mulher. Não vou enveredar por essa discussão agora e, mais que isso, prefiro reler o que a artista tem a dizer sobre a escultura nas páginas 198 e especialmente a 202 do livro citado.
Gosto de sua arte e do que escreve e diz. Concordo com ela quando diz que ser artista é um privilégio e uma maldição. De novo digo que ser artista não é só alegria, não é lazer, é bem mais complexo; mas não tenham medo, não falo em nome de todos os artistas, cada um tem seu processo criativo e tem uma opinião sobre o que significa fazer arte e ser artista. Para ela é uma luta, "um campo de batalha".

 

Outra consideração feita por Louise que me agrada: "Arte é uma garantia de sanidade", parece que ela considera que esta é a frase mais importante que já disse. 
Louise faz obras com conteúdos autobiográficos, como deixa claro o título do livro citado em que a figura do pai está presente. Creio que deva dizer que ela faz uma catarse, isso certamente mantém a sanidade, embora o que ela diz ao afirmar essa garantia é mais profundo que isso.

Acabo de encontrar mais uma escultura

 
Topiary, 2005, mármore rosa

Vibro com seus desenhos e gravuras. Ela faz uns guaches avermelhados

 
Femme, 2007, guache sobre papel

Adoro essa cor, já fiz desenhos com uma semelhante e uso sempre que sinto que é melhor do que usar o preto ou o sépia para o desenho. As duas obras, Femme e Topiary, fazem parte de uma série chamada Nature Study. 

Uma gravura em metal 

 Spiral woman, 2003, água forte e ponta seca

Tem um fato que ela conisdera importante que é ter podido fazer arte em paz por muito tempo. Creio que ela disse isso porque por algum tempo não expunha nem tinha necessidade de colocar à venda  no início de sua vida artística e pôde se desenvolver sem as pressões do mercado.

Paro por aqui, a todo instante me vem mais uma imagem, uma foto de obra, uma frase dela...
Espero não ter dito nada equivocado sobre o que já li a respeito dela, pois foi a um certo tempo.