Mostrando postagens com marcador ART. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ART. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

MINha BIEnal 31_Audiovisual


Bienal 31_fim

Acabou a Bienal de São Paulo, mas a minha segue! Tenho muito o que contar e pensar sobre o que vi e ouvi lá, podem ter certeza disso!
Na
postagem anterior sobre a Bienal, eu falava de desenhos. Não, ainda não falei de todos,  não terminei as pesquisas que gosto de fazer para complementar com informações a postagem e estou com muita vontade de entrar de uma vez no mundo audiovisual, depois retomo os desenhos.
A presença de obras audiovisuais me chamou muito a atenção e a lamentar só mesmo não ter podido ficar calmamente assistindo alguns curtas e videoinstalações que me atraíram de cara, de ouvido. Digo isso porque aconteceu de ouvir primeiro e depois ver, assistir.
Sabendo que não voltaria uma segunda vez ao evento, comecei a tentar não me demorar muito diante das obras, embora isso seja algo que me agrada por demais e é essencial para a leitura delas.
Para poder falar do curta de Gülsün Karamustafa, que não foi o primeiro de que assisti a um trecho, tive de garimpar até descobrir o nome da obra, porque a que aparece o tempo todo, na internet e mesmo no Guia Como procurar coisas que não existem [pp. 138-139], é uma que ela fez com tecidos, que não vi ou vi somente de passagem

 GKaramustafa_Illustrated_History_006

Trata-se de Resimli Tarih [
História ilustrada] de 1995, uma colagem têxtil. Mas o que me interessa é Migrante.
O título original é Muhacir, Gülsün é uma artista da Turquia.
Esses são dados que eu desconhecia até poucos minutos atrás. Estava circulando pelo andar C,  já tinha visto o double-screen film dela:
duas telas colocadas bem na união entre as duas paredes, no canto.
Não havia parado para assistir, acho que fui ver umas tantas obras nas imediações e não dei olhar para aquilo. As telas estavam num espaço escuro,



migrante-leo

a sensação é outra, não notei sequer os fones para ouvir.1 F
Em parte, foi a distância em que eu estava… e agora me vem à memória a cena que, quando decidi assistir, havia dois rapazes mais próximos das telas e eu não tinha boa visão. Esperei que saíssem da frente (ou foi antes, não importa), porque o que vi foi muito especial, aliás, eu nem sabia quanto até hoje, lendo sobre o que é o filme.
Vi a moça da tela à direita caminhar e passar para a outra tela.
E eu não estava filmando. Entrei num estado de perda e peguei logo o celular e, no meio da atrapalhação, registrei isso


 

Depois, me fui dali, não dava para aguardar que o filme recomeçasse e registrar a passagem nessa obra que achei descrita como uma videoinstalação com dupla projeção no canto e que fala de migração forçada, no caso a de suas avós, mas se refere, sim, a migrações forçadas ate hoje.Neste momento em que escrevo, continuo buscando mais informações, fotografias, o próprio filme para mostrar a vocês e meu vídeo ainda não está inserido em seu lugar mais acima, eu confesso que não o vi direito e não estou certa de incluí-lo na postagem. E qual não é minha surpresa ao ver uma foto que é exatamente uma das imagens iniciais do meu vídeo


tumblr_nbectd3gwa1ryyn3ro4_500_muhacir
e posso ver nitidamente o que não vi lá: chocante, os efeitos da guerra mostrados por essa multiartista2 que se define como  “una artista de Istanbul”.
Há uma infinidade de coisas a falar sobre ela, mas deixei espalhados pelo texto e as fotos são links para textos, a fonte das imagens, neles vão encontrar mais informações. Devo seguir para o próximo artista.
Claro que meu encantamento com a passagem da moça de uma tela para outra não é meramente com isso, que é um recurso tecnológico, mas com o uso dele tão bem pensado, essa questão da migração fica representada ali, creio eu. E inegavelmente a beleza disso ser possível pela tecnologia atual. Sei, por experiência minha, de quanto os recursos pesam na realização de uma obra de arte, na verdade, se penso nos equipamentos de que disponho hoje, fica óbvio que não poderia ter filmado um trecho de Migrante e compartilhar aqui sem o smartphone com câmera. Esses simples equipamentos, celulares ou smartphones, me permitiriam concretizar algo que era impensado anos atrás, aliás, foi em 2005 que descobri que gosto de filmar.
Mais uma nota sobre este e outros filmes e a tecnologia. Acabo de perceber que alguns deles não se prestam às salas de cinema, ou ao DVD, menos ainda à TV, só mesmo diante da instalação é que a história se dá.
Bem, acho que não aconselho ninguém a visitar exposições como eu faço, muito menos uma bienal. Fui verificar o nome da obra que filmei, fotografei e foi a primeira que me impressionou pelo uso que faz das telas digitais.
Vi que se tratava de um grupo de pessoas, uma delas aparecia calada, de frente para o espectador, de costas para uma fileira de outras pessoas na tela grande e falando numa tela à direita da gente. Quando terminava de falar, era vista, na tela maior, se juntando aos demais ao fundo.
Eram quatro telas digitais, de tamanhos diferentes

Arte1_band_programa

aqui se vê acima que havia o que ouvir/ler (legendas) em, pelo menos três dessas telas. O espectador exposto a um desafio de captar tudo e certamente sem poder dar conta disso numa única sessão. Ver de novo e again.  Eu, sem tempo.
O curta é The Excluded. In a moment of danger (Os excluídos. Em um momento de perigo) do coletivo russo Chto Delat (= Que Fazer), o que soube no site Fala Cultura, onde também está explicado qual a questão tratada nele.
Há pouco assisti aos comentários do curador Paulo Miyada sobre o curta no vídeo do programa Arte 1 Em movimento,3 de onde capturei o frame com as telas da instalação acima.
Aqui trecho filmado por mim,

 
 

Repito, o evento é muito grande, esse tipo de instalação se perde porque exige um tempo considerável para assistir, se envolver com aquilo e poder compreender a trama, os significados. Se vocês forem ler o que está dito no Fala Cultura e depois ouvirem o curador Miyada, vão notar que cada um abordou o curta de um ponto de vista; sim, ambos incluindo a política, mas o curador tocou no uso da tecnologia, na postura do espectador. Eu fiquei num nível bem superficial,
ilpois não assisti direito, quis registrar da melhor maneira. Foi uma primeira experiência com câmera de celular e com a câmera digital que tenho.
O que me chamou atenção também foi essa imagem





por se tratar de um desenho, mas, como eu não assisti aos vídeos, não sabia qual sua ligação com os vídeos.


terça-feira, 7 de outubro de 2014

18º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil


Estive no SESC aqui de Campinas na sexta-feira passada.
Meu único interesse era me inscrever num curso de Criação de Blogs.
Estava muito frio, um vento forte, mas, ao sair, já inscrita, decidi ir ao Galpão Multiuso que fica pertinho, mas com outra preocupação minha, queria uma bolsinha para carregar meus cabos de smartphone, lá às vezes tem algum artesanato ou coisa assim.
Não achei.
Olhei bloquinhos, livros, CDs. Meus olhos, de vez em quando, iam mais além da loja

kora prince
e voltavam.
Sabia dos vídeos, sabia do Festival de Arte Contemporânea SESC Videobrasil há um bom tempo, desde o mês anterior e, naquele momento, já estava com o livreto do festival nas mãos e, vendo uma fileira de televisores de plasma, mas não ia até lá, onde via pessoas falando.
Demorei, mas não resisti.
Era um ambiente com luz baixa, paredes em cinza escuro, claro mesmo somente sobre a mesa ampla, com livros e outros informativos sobre o Festival, como se pode ver na fotografia acima.
Vídeos legendados em português. Ainda assim usei os fones de ouvido disponíveis em ganchos logo abaixo das tevês. Desenrolei o cabo, fones devidamente colocados e fiquei ali ouvindo Basir Mahmood.
Achei que ele era indiano. Equívoco: é um artista do Paquistão. O nome dele era uma pista, no entanto não me dei conta.
Ele foi meu primeiro escolhido graças ao equívoco, mas também por eu ver que se tratava de um vídeo – bem, pensava que haveria outros suportes além do vídeo, não me informei antes, apenas dei uns passos e ali estava eu em plena exposição.
Na obra de Mahamood My Father (2010), vi uma pessoa idosa tentando enfiar linha numa agulha. Era um homem de barbas brancas

Basir Mahmood_My Father_from Videobrasil site
Naquela seção de vídeos, os artistas dão seu depoimento sobre a vida, sobre a obra, percebi isso depois, eu estava preocupada em não me demorar, lá fora estava bem frio e não fui devidamente agasalhada para enfrentar ventania.
Me dirigindo para essa área a que me refiro, fiquei um pouco em frente ao vídeo de uma moça oriental e li na legenda que se… ela não teria feito uma escolha.  Parecia triste, nervosa, as mãos denunciavam o nervosismo. Achei podia ser desinteressante saber sobre seu problema, como muitas pessoas que fogem de gente com problemas, embora eu evite fazer isso. Não li o texto com informações preso à parede relativo ao vídeo e segui para o vídeo do artista que não é indiano.
Depois, o segundo artista a quem ouvi foi Lucforsther Diop, nome que estou lendo agora no livreto do festival, porque lá não cheguei a ler e talvez não me lembrasse de qualquer forma agora, menos ainda da grafia de seu nome. Ele é de Camarões, neste momento só me lembrava que era um país da África e que ele vive na Europa. Recorro ao livreto, leio Holanda.
Seu vídeo nele vi sua própria mão. Apenas os dedos se movendo, com a palma dela voltada para o espectador

Lucfosther Diop_from Videobrasil and Lucfosther's blog
A descrição que está no livreto me faz pensar na necessidade de tempo para entender, se relacionar com uma obra que parece banal, mas não é, We Are One fala das relações humanas. Lembro me ouvi-lo mencionar a resistência que tem para viver na Europa e a que teria ou teve, tem quando está no seu país. Maior agora que é um estrangeiro.
Não é incomum ouvir falar nas dificuldades de uma pessoa em se adaptar num lugar que não é o de seu nascimento, ou não, mas um homem negro de África na Europa é bem difícil mesmo.
Confesso que a falta de tempo não me permitiu interagir com a obra dele e ver nos movimentos de seus dedos aquilo que ele quer nos fazer pensar.
Dando mais uns passos entrei na área onde estavam sendo exibidos os vídeos de cada um dos artistas, que é preciso que se diga que tiveram suas obras premiadas ou que receberam menção honrosa neste festival. Aliás, o que veio do festival para Campinas é uma parte itinerante, houve  muito mais artistas participando, aqui veio uma amostra.
Por incrível que pareça a obra que me pegou, me fez esquecer a passagem do tempo, o vento lá fora foi a de Sherman Ong, cujo nome me esqueci, porque o tinha lido ao sair da sala onde assisti a uma parte de Motherland, sua obra, e foi no sábado pela manhã que li no livreto, enquanto estava no mercado aguardando a chegada de minha mãe. Atualmente com o smartphone podemos pesquisar nos lugares mais inusitados, como eu, em pé, diante do carrinho de mercado, fiz com ansiedade, logo vão saber por que razão.
Estou chateada por não ter ido antes ao Festival, não somente por, de certa forma perder de ver com calma os vídeos, os depoimentos, mas por não ter avisado no blog em tempo de mais pessoas irem até o SESC para isso. Terminou no domingo!
Eu teria recomendado com muito gosto que visitassem, ainda recomendo que sigam os liks que vou compartilhar no final do texto para quem ainda tiver interesse de assistir tanto aos depoimentos dos artistas quanto os vídeos citados e outros. É uma recomendação envergonhada, mas recomendo.
Claro que podemos recuperar informações, mesmo os vídeos na internet, mas ficam faltando o ambiente, o tipo de luz, a maneira como as obras foram apresentadas no espaço do SESC. Tudo isso trouxe elementos especiais, condições que não podemos ter em casa diante da tela do monitor ou do notebook, do tablet, muito menos de um smartphone.
Isso vai ficar claro daqui a pouco.