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sábado, 18 de novembro de 2017

Um sinal


No ano passado eu ameacei uma volta e sumi novamente. Não vou avisar quando retomo as escritas por aqui. Confesso que estou escrevendo e ainda vou manter na pasta de rascunhos por algum tempo.




Já substituí o cabeçalho do blog. Gosto de fazer isso para simbolizar o novo, um pouco comp anunciar mudanças, ao menos o desejo de mudar.

Mudar para melhorar, crescer, abrir-se ao que não é conhecido, assim como foi quando inventei de criar o blog em 2009. E estou curtindo muito reaprender a senha para entrar aqui, relembrar como faço para acessar certos recursos.

A sensação de resgatar o prazer de escrever, buscar imagens, pesquisar, me informar, ainda de me surpreender com o tanto de visitas o blog recebeu na minha ausência. Passa das 38 mil visitas.

Eu me encho de gratidão, agradeço a cada um que veio, mesmo que só de passagem, uma única vez. Alem de gratidão, vou me energizando linha por linha escrita de novo aqui. Estou há anos escrevendo sem publicar, sem compartilhar com vocês.

Então, o cabeçalho sempre teve um desenho meu, desta vez é meu, porém é um detalhe apenas de um desenho a que dei o nome de Não pergunte sobre a Casa. É de 2017.

Não me lembro se falei sobre aquarela em alguma postagem. Usei um pouco de aquarela, na verdade, lápis aquareláveis nos elementos que aparecem em verde, azul, cinza e amarelo. O avermelhado e o sépia são de minas com essas cores.

Estou mudando minha paleta, novas cores vieram e também muitos lápis.  Faz falta mesmo vir e contar dos materais que tenho usado. Sou hoje mais desenhista do que antes. Os novos materiais estão me permitindo caminhar por outras imagens.

O título é um trecho de música de Idan Raichel. Não estava planejando trocar o cabeçalho, depois trago as informações da música. É madrugada e não vou continuar escrevendo agora. Vou falar mais desse desenho e dos materiais. Estava com saudades 💗

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ML_ No cabeçalho a imagem está meio desfocada. Eu não estou no meu notebook e tive problemas técnicos para conseguir acertar as dimensões necessárias para caber no espaço destinado a esse elemento do blog. Ajeito assim que for possível.


sexta-feira, 20 de março de 2015

AFRONTA

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Hoje eu não vou falar do editor online onde alterei uma foto minha, dessas 3X4, nem qual foi o outro editor que me permitiu fazer os pontinhos cor de vinho na região dos olhos.
Há pouco de um mês conheci Larissa (Alves), jornalista recém-formada e, como eu, estava indo à Oficina Cultura Hilda Hilst para se inscrever em oficinas. Eu, na de curadoria e crítica de arte; ela, na de moda.
Conversamos no caminho, no ônibus ela tinha me perguntado onde era a Ferreira Penteado, indiquei, descemos, eu também ia para a mesma rua.
Ali já comecei a ver o que vai pela cabeça dela. Perguntou se eu sabia que sou parecida com a escritora Alice Walker, a de Cor púrpura, livro que foi filmado. Eu não tinha visto foto de Alice, fiquei curiosa para ver. O filme eu assisti, com a atriz Whoopi Goldberg, fantástico!
Mas não é para falar de filme que estou aqui.
Está tudo interligado nesta vida, pois conhecer Larissa me levou a ser entrevistada, por sua indicação, por Phran Noctuam para o site AFRONTA.
Ele foi criado por três moças, Ana Maria Sena, Phran Noctuam e Stephanie Ribeiro,

ana maria sena 20

phran noctuam 19
Stephanie Ribeiro 21






 




para dar voz às mulheres negras, para que a gente conte um pouco como tem sido a nossa trajetória de vida, porque muitos acreditam que não há racismo no Brasil, mas sabemos e infelizmente experimentamos, sofremos discriminação em vários graus, desde aquela discriminação que demoramos a entender que foi até as mais explícitas, como ouvir de alguém, por exemplo, que sua arte é “coisa de negro” e não reconhecer o valor do que você faz.  Não aconteceu comigo, mas com uma artista negra que hoje vai ser  a única brasileira a participar da Bienal de Veneza na exposição principal. O nome dela é Sônia Gomes, escultora mineira


artista-mineira-representara-o-pais-na-56a-bienal-de-veneza
Eu nunca havia sido entrevistada. Quem fez a entrevista foi Phran e fui respondendo as perguntas por escrito, procurei ser sincera, me expus um tanto, porque não tem como falar da história que venho trilhando sem tocar em tristezas, frustrações, ainda que já superadas.
A entrevista me fez pensar, repensar minha arte, sobre ser mulher negra, artista, blogueira, pessoa. Uma provocação das boas! Ainda não parei de responder e de pensar nas questões colocadas.
Vou me desculpar pelas respostas longas, só quando vi publicada é que tive noção de quanto são longas, embora quem visite o blog sabe que falo muito.
O blog tem essa função mesmo de registrar minhas ideias, escoar o que penso, sinto, faço, vejo, ouço e na vida eu sou assim, lido com muitos assuntos, é uma multiplicidade de temas que me interessam. A entrevista me deu chance de falar sobre outras coisas além da arte.
Bem, estou no AFRONTA, junto com outras artistas negras e não só artistas, há algumas que militam contra o machismo, o racismo com garra e sensibilidade, são feministas. No site vocês podem saber mais sobre as criadoras dele, as rãzões para terem criado o site.
São três mulheres jovens, estudantes, guerreiras com muita consciência do seu papel na sociedade. São inspiradoras para mim de várias maneiras! Agradeço a Larissa e a cada uma delas pela entrevista.
Agradeço ao amigo Pedro (Cagnazzo), que citei numa das respostas, mas acabei não contando que voltei a fazer arte e nossas conversas têm muito a ver com isso, pelo apoio que seus comentários, suas leituras das imagens e as perguntas representam neste meu caminho de artista desde 2005.
O link está aí, eu estou muito feliz de participar do AFRONTA com minha história de vida e como artista negra que sou!

MARGA LEDORA NO AFRONTA




segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Um Ano-Novo de Luz


Estou um pouquinho atrasada, mas ainda vale agradecer a todos os que visitaram o blog em 2011, em especial agradecer aos que continuam acompanhando o blog, aos que chegaram aqui mais recentemente para me acompanhar, aos que comentaram postagens ou fizeram perguntas, bem a todos vocês eu desejo um Ano-Novo de Luz 


Iluminar caminhos, 2011

A fotografia é minha, dei uma alterada nela para experimentar uns recursos do editor de imagem GIMP* e gostei.
Ela foi tirada com a câmera de filme Canon AE-1 PROGRAM, o filme usado foi um ISO 100 da Kodak
 
e um filtro close-up


 
que faz as vezes de uma lente para macrofotografia** e têm um preço mais acessível.
E, no meu caso, que uso câmera antiga fica mais difícil conseguir as lentes e a Canon desse tipo apresenta uma dificuldade a mais pois o encaixe das lentes no corpo da câmera é diferente do da maioria das câmeras fotográficas, é um fator complicador, não pode ser qualquer lente.
A foto tem esse título porque velas são usadas para iluminar e tantas vezes em nossos caminhos de vida aparecem problemas com que não sabemos bem como lidar e temos de ir iluminando os caminhos para poder buscar respostas, soluções, temos de refletir, trabalhar nossas ideias, nos empenhar para alcaçar o conhecimento, dar voz a nossa intuição, ela mesma uma espécie de luz dentro da gente.
E não há nada como colocar luz sobre o emaranhado de dúvidas, de receios, de opções que a vida coloca no caminho para que tomemos decisões.  Então para mim iluminar é preciso, a vela é apenas um símbolo dessa busca que dia a dia, ano após ano vai nos movendo e nos levando à realização de quem somos! Sem falar na companhia das pessoas que conhecemos ou com que cruzamos nos caminhos da vida, seja pessoalmente ou não!
Eu agradeço mais uma vez a todos pela companhia!
2012 está só começando, isso é muito bom porque teremos tempo para trilhar muitos caminhos...

 
 
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*  Trata-se de um editor de imagens gratuito bastante interessante e que uso já há algum tempo mas sem ter me detido mais atentamente aos recursos de que dispõe, mas ultimamente tenho passado a levá-lo mais a sério e vou até mesmo estudar para fazer um uso melhor dele.
Ele seria um similar do Photoshop e já vi cursos livres em que são ensinados esses recursos, o que me levou a pensar nele como um bom instrumento para editar minhas fotografias e também os desenhos que faço e digitalizo. Claro que sempre aviso quando a imagem foi editada, acho honesto dizer.
A foto que apresento aqui pode precisar de algum retoque, as alterações são uma novidade para mim.
Quis realçar a chama...
A foto foi feita sem equipamentos adequados, como os de iluminação especial. Costumo dizer que foi um gesto amoroso com câmera em punho.
** Normalmente quando se fala em macrofotografia lá vêm as fotos de insetos


nas quais se podem ver detalhes que não veríamos a olho nu ou então  detalhes bem pequenos de flores


Eu não fazia ideia que os filtros close-up me serviriam para fotos como a que mostro aqui, foi uma grata surpresa quando comecei a ler textos e sobretudo quando pude adquirir um de nº 3 usado e, sabem, não em muito bom estado mas que achei que me serviria nem que fosse apenas para ter essa experiência com macrofotografia.
Para variar, arrisco e tenho tido boas experiências com fotografia e esta me foi particularmente importante para o tipo de fotografia que me atrai mais, a de objetos, composições de objetos. Algo de que vou falar muito ainda.

ML_Não pretendia escrever muito além dos agradecimentos, mas não resisti falar um pouco sobre a foto e daí comentar sobre o GIMP e as outras coisas foi inevitável.
 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

13 de maio de 1888 | May 13th 1888


No dia 13 de maio de 1888, princesa Isabel assinou a Lei Áurea promovendo a abolição dos escravos.
Hoje é 13 de maio de 2011, não vou tecer comentários* sobre esse ato histórico da princesa que pode ser comemorado, pode muitas vezes ser ignorado, pode ser motivo de alegria e de vergonha e para outros deve ser esquecido, pode parecer não ter acontecido, pode ser confundido com justiça, pode ter sido apenas para se livrar de uma situação embaraçosa perante o mundo ou para libertar os próprios esgravagistas dos encargos com escravos e da pressão de abolicionistas. O Brasil foi dos últimos a tomar uma decisão como essa.
Sou negra, 


e parte dos meus ancestrais vieram ao país trazidos em navios negreiros1

 

para servirem de escravos.
Desde que vi imagem semelhante a essa pela primeira vez, foi em 1983, não me esqueci mais, impressionada2




Como artista lido com imagem, volta e meia me pergunto como posso me "apropriar"3 dessa imagem do navio negreiro como artista, e sim como negra, pois o navio negreiro é a construção de uma memória de algo que não vivi mas herdei

N.N. | S.S., ~2006
Monotipia e pintura s/papel


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* Há pessoas talhadas para argumentar e contar o que foi mesmo a Lei Áurea, como os historiadores, pesquisadores. Li, faz muito tempo, em algum texto que a situação dos negros não ficou exatamente dourada e sabemos que ainda não é. 
Sabe-se mais: atualmente há quem escravize outras pessoas de inúmeras maneiras.
1. Essa imagem representa uma possível distribuição dos escravos num dos porões de um desses navios ou tumbeiros, outro nome dado a essas embarcações em que homens, mulheres e crianças negros eram transportados de África para vários lugares do mundo, sempre para se tornarem escravos.  
2. Aqui é um detalhe do esquema para uma ocupação total da área do porão. A mim isso impressiona muito cada vez que vejo e penso que se tratava de seres humanos e não de mercadorias.
3. É um projeto em que venho trabalhando e não sei ainda quando vai se completar, na verdade como vai tomar corpo de fato e poder ser mostrado não como um espetáculo.


ML_ Não foi uma decisão simples resolver escrever aqui sobre o assunto da lei, da escravidão. Para uma boa parte da população isso não é coisa que se comente. Vi um quase nada de comentários ou menção à data histórica. Nas emissoras de televisão a que assisti preferiram tratar da superstição de azares e sortes do dia 13, foram até mesmo passar por debaixo de escadas munidos de suas câmeras e o desfile de Gisele Bündchen pela primeira vez usando uma lingerie foi destaque também. 
Ouvi de um jornalista que a abolição da escravatura foi, sim, uma coisa importante para os negros mas que foi para os brancos porque se tornaram livres...
Não tive tempo de procurar textos, links para sugerir.
Assunto delicado, embaraçoso, acho que até essa postagem eu estava com esse mal-estar de alguns ao ponto de me calar também. Por um certo tempo meu silêncio se deu por eu não perceber que ser diferente, como ter a pele escura, levava alguns a ter ideias preconcebida sobre uma pessoa. Então depois de aprender isso eu me calei mais ainda. 
Não faz muito anos que a consciência de ser negra passou a ser parte de mim como afirmação essencial, como valorização mesmo dos meus ancestrais, das minhas raízes que se estendem até a África. Isso foi nas tantas conversas com Pedro, que com seu olhar foi descobrindo a África nos meus desenhos e me mostrou.


This text is about the 13th May 1888, the year of the princess Isabel signed the famous 'Golden Law' ("Lei Aurea") in Brazil. It was one of the last nations in the western world to abolish slavery. I am  a black woman and here I try to say sometihng about this and remember my black ancestors who were slaves. And show two images of a slave ship, the last is a monotype that I made inspired in a old scheme of one of these slave ships. 
I write about my necessity of remember this fact and all despite the dificulties and think.

domingo, 27 de março de 2011

Primeiras fotos | First photos


Algumas das primeiras fotos que fiz com informações básicas sobre o funcionamento de câmeras e sobre fotografar, estas feitas com a Canon AE-1 PROGRAM

Hora do Lanche_Marga Ledora_Dez 2010_reduz  Hora do lanche | Afternoon tea, 2010

Flores de Bananeira_Marga Ledora_Dez2010_reduz  
Flores de Heli | Heli's flowers, 2010

A Hora do lanche tem como modelos as pombas que vêm todas as tardes comer um pouco do milho generosamente a elas ofertado por minha mãe. Não tinha o tripé adequado por isso foi meio complicado fotografá-las, tive de ficar o mais quieta possível para não ser vista e evitar que se assustassem com minha presença e mais a câmera.
Nunca havia pensado em fotografá-las antes, o lanche acontece há muitos anos; foi só mesmo depois de ter decido fazer o curso que voltei  meu olhar para uma porção de coisas, eventos e muito mais, incluindo as pombas, pardais e outros pássaros que aparecem.
"Flores de Heli" (Heliconia rostrata) é um título provisório ainda. Esta foto é um recorte de uma foto maior. Quis mostrar assim, só um cantinho da foto, porque ali dá para ver o que falei na postagem anterior sobre  o foco: a folha e as flores em primeiro plano estão mais nítidas do que os demais elementos na cena porque ajustei a câmera para isso.

ML_Here I show some of my first photographies made with a Canon AE-1 PROGRAM  and a 50 mm lens. I was experimenting notions of photography and  recognize I need to learn more and more about this art. Photography is a passion!
Heli's flowers is the provisoriy name of the photography, the plant is  tropical, its scientific name is Heliconia rostrata. In this photo only a part of the flower appears. I will post more of these flowers yet, they are one of my favorite models like the pigeons that came here to eat all the afternoons. Heli's... is edited photo, because in this part I wanted to show areas in and out of focus. I follow experimenting.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Experimentações fotográficas


E não é que não andava achando...


 ... é, sim, uma caixa de lenços de papel, só que se trata da minha favorita há um bom tempo! Esta é uma aba lateral dela. Coloquei aqui para verem que realmente estou em ritmo de fotografia em preto e branco. Há caixas com várias estampas e de várias marcas, mas, quando vi essa com foto, simpatizei, acho que compro sempre que tem na loja onde estou e comecei nisso mesmo antes de ter aulas de fotografia P&B.

Descobri muitas coisas sobre fotografia de um modo geral, não só a P&B, mas me apaixonei por esse tipo de fotografia! Não dá para contar muito numa postagem só o que andei aprendendo sobre fotografia, por isso de vez em quando vou escrever alguma coisa, o que estiver mais claro para mim e quando elaborar uma maneira adequada de contar, explicar direito para não confundir.
É durante a revelação e o fazer cópias que se tem uma noção mais verdadeira do que seja fotografia. A relação entre o objeto fotografado e esses procedimentos é mediada por vários fatores, sem falar na qualidade e na limitação de cada câmera, no tipo de filme usado, no manuseio da própria câmera também são importantíssimos. E o ponto de vista do fotógrafo e sua intenção, as condições de luz...
Então a gente vai revelar o filme. Tem todo um procedimento que, se mal feito, pode acabar com suas imagens. Comentei em postagem anterior que a revelação se dá em quatro momentos, colocando-se o papel fotográfico ou o filme por um determinado tempo mergulhado em cada uma das soluções: revelador, interruptor, fixador e banho de lavagem. No caso de filme P&B isso tudo é feito num tanque de metal ou plástico vedado à luz(1).

Não sei se falei em agitação dessas soluções com o papel ou o filme mergulhados nelas. Pois é, não é só largar lá e contar os minutos ou segundos e passar para a solução seguinte, tem de agitar e deixar descansar por alguns períodos alternadamente.
Lavado o filme, o que leva uma meia hora, vem a secagem num varal. Só o observei bem depois de seco porque não se pode ficar manuseando sem danificar o filme.
Falei em copiar, é outro procedimento importante, quando fui copiar um dos meus fotogramas(2) com auxílio de um ampliador(3), foi necessário fazer um ajuste nele porque havia fotografado de modo não adequado e, em fotografia, faz-se correções no momento da copiagem. Não fossem o ajuste e o teste não chegaria a uma foto minimamente boa

Tira de teste

Este é o resultado do teste de exposição à luz que fiz para decidir qual o tempo a que devia expor a imagem registrada no filme na tira de papel fotográfico. Há umas faixas de tons diferentes, não é? A parte mais escura foi a que recebeu luz por mais tempo, medido em segundos, e a última porção a que foi iluminada pelo ampliador por menos tempo(4). Essas faixas vão sendo formadas porque a tira de papel foi sendo exposta à luz aos poucos e durante a mesma quantidade de tempo. Se não me confundo, foi de 4 em 4 segundos.  

O que se faz diante dessa tira é olhar bem e escolher a melhor porção da tira


Em A a definição das nuvens quase faz a gente optar por ela, mas o perfil do prédio fica muito escuro, então a escolha recaiu em B. E a foto inteira foi exposta à luz por 8 segundos

Barracão, 2010



Nessa hora o que vale é as várias áreas da foto ficarem bem, por isso esse teste é realizado para cada fotografia, para o desânimo de muitos. Acho bobagem porque com foto digital os ajustes e alterações feitos nos editores de imagem, como o famoso Photoshop,  são muito semelhantes ao que fazemos num laboratório. Se ficar na base do clica ali e clica aqui no automático, sem observar o que é de fato necessário fazer, pode não chegar a uma bela foto também.
Nesta foto me interessava muito o perfil do barracão de que se vê a fileira de vidros, sou apaixonada por ele, foi um caso de amor à primeira vista. Mesmo assim de perfil ele me fala de sua imponência e beleza. 
Ao passar por ele eu me emociono de tal modo que não sei explicar. Vou voltar a fotografá-lo quantas vezes me for possível. Digo "possível" porque na semana passada comecei a descobrir lugares onde é proibido fotografar sem que se seja explicitamente informado de modo não constrangedor, não há cartazes com avisos, por exemplo. A informação sobre a necessidade de autorização se deu via segurança do local. Fiquei transtornada e ainda estou me preparando para pedir uma. Espero conseguir fazê-los entender que não tenho intenções estranhas ao fotografar no local. É fotografia e ponto final!
Barracão é uma foto que desejei muito, sabia menos do que sei agora para fazer uma boa foto. Ela está clara, ou como se diz na área, foi superexposta [à luz durante o fotografar], ficaria pior sem o ajuste no ampliador. Talvez precise de uma exposição à luz por uns 9 segundos ou 10. Ainda vou insistir em novos testes(5) até ficar muito boa, o barracão merece uma foto melhor!
Fotografia é algo muito presente na vida de cada um de nós e isso com uma intensidade cada vez maior dado que temos câmeras até nos celulares. Quero aprender muito e mais sobre câmeras, filmes, revelação, ampliação, cuidados com os equipamentos, todo o material usado. Não quero fotografar por fotografar. Fotografar vai tomando conta de mim, do meu universo criativo; a fotografia está adquirindo uma importância que me surpreende ainda. Ela veio a se somar às possibilidades de expressão que o desenho já me dá há muitos anos. Tem sido muito bem-vinda!


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1. Como o filme P&B TRI-X da Kodak, que usamos, não pode ser exposto a nenhum tipo de luz antes da revelação, temos de colocá-lo num tanque especial e no escuro. Antes o filme deve ser enrolado numa espiral... Aqui a história é longa e, na oficina de fotografia básica, a orientadora, Vera, colocou os filmes de todos em tanques no laboratório e depois fomos chamados para o momento da revelação com as soluções já preparadas. Meu filme estava num tanque com mais três e Telma, querida amiga e colega, ficou responsável pela revelação, que acompanhei ansiosa.
2. Cada imagem impressa no filme se chama fotograma também. Ver outro significado na postagem Fotografando.
3. Trata-se de um aparelho no qual se coloca o filme onde está a imagem a ser copiada, e que, no momento certo e com a luz acesa, essa imagem vai ser projetada sobre o papel fotográfico posicionado logo abaixo do ampliador. É como disse, há uma porção de detalhes que vou omitir aqui, esse é mais um, porque é meio complicado descrever em poucas palavras. Para quem se interessar 
http://daniela.lage.sites.uol.com.br/dicas/laboratorio_ampliacoes_pbII.htm 
[ver especialmente os itens de 2 a 6, os demais são dicas de revelação de filme P&B].
Nesse site o que se vê é um pouco diferente do que fiz, o negativo coloquei num suporte do ampliador e não diretamente sobre o papel fotográfico. No site é feita cópia por contato.
4. Usa-se um pedaço de cartão de papel grosso através do qual não passa luz, e a cada exposição à luz uma porção do papel fotográfico vai sendo descoberto.
5. Farei novas cópias a partir do mesmo filme, que por isso deve ser muito bem guardado num arquivo apropriado. Novas fotos também serão feitas, não tenham dúvidas!


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Rubra | Bloody Red



Rubra | Bloody red

Desenho meu, feito no início deste mês, à noite, algo que não costumo fazer por causa da luz artificial, essa luz altera minha percepção das cores. Evito.
Mas a vontade e a urgência mesmo eram grandes, posso dizer, incontroláveis que nem pensei nisso. Era naquele momento ou never! Ainda demorei um tanto decidindo as medidas, com que giz, e o papel? Toca procurar uma folha em branco, não muito grande. Quase fiz no verso de uns esboços mas o papel, num papel sem qualidade... nem pensar, fui logo vetando a ideia infeliz! 
Ai que bom, encontrei um pedaço perfeito de papel Murillo, da Fabriano. É de celulose, mas aprecio a textura fina dele, sempre arranjo um cantinho no coração para um papel de boa marca. Digo isso porque tenho uma predileção explícita pelo Fabriano 5.
Rubra é de pequenas dimensões (9x9,5 cm), tinha de ser pequeno por causa de minha ansiedade. Mairor, demoraria mais para fazer. Claro que ansiedade não deve ser critério para fazer arte, mas achei mais aconselhável dar um espacinho para ela no processo criativo. 
Há dias tinha feito um molde vazado, portanto a forma, o processo estava in progress. Fiz o molde* um pouco mais sofisticado, normalmente tem só com uma abertura simples e esse caprichei

 

Escolhi os giz novos, na verdade cores novas, porque costumo usar giz da Caran D'Aché há algum tempo, mas encontrei uns avulsos na Casa do Artista e decidi trazer mais cores para minha paleta. Estava sentindo falta dessa renovação e muito afim de vermelhos. Estes verdes foram bem-vindos também. Deu um certo receio de não simpatizar com eles mas ficaram bons ali.

Pois, assim que dei por terminado o desenho, estranhei, daquele jeito que já contei que acontece, não conseguia ver, me entender com  o tal desenho. Pensei em deixá-lo de lado por um tempo, olhar melhor depois, em outro dia, mas que nada, fui mexendo, acrescentando cor, raspando a superfície do desenho aqui e ali.
Não sosseguei enquanto ele não me apareceu.
Incluí no processo um andar com o desenho pela casa, observando sob luzes de tipos diferentes até ver e saber que ele não suportaria mais interferências minhas. No dia seguinte, corri vê-lo novamente e, ufa!, ficou tudo em paz entre nós.

Gosto dele, da aparência, das texturas, do jogo de claro e escuro dos tons, da forma bojuda e especialmente do que Rubra significa no sentido da retomada do desenho. Fiquei grata por começar a fazê-lo como um exercício e, no fim, poder mostrar como meu desenho, de querer que vissem comigo.
Ele provavelmente vai ser meu último desenho de 2010, isso se amanhã ou ainda hoje não me der um sei lá o que de desenhar mais.
Ano que vem certamente virão outros...

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* As partes A e B do molde são móveis, permitindo umas poucas variações, mas achei interessante e pode ser que torne a coisa mais complexa se precisar fazer novos moldes. A necessidade e criatividade vão me guiar nisso.

ML_ I don't write very well in English, but I want to say Bloody red is my return to drawings. 
Now I'm learning how to photograph and couldn't reorganize my creative life ;) yet.
This year I made lesser drawings than I would like to... 
Next year one desire of mines is to draw more!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Fotografando



Fotograma

Não é o nome da obra, é a técnica e o que ela é. Este é um fotograma Sob a luz. Eu o fiz. 
Isso foi durante uma das aulas de fotografia no Museu Lasar Segall em São Paulo.
É um pouco complicado falar sobre como foi feito, mas vou procurar ser clara.
Um dos primeiros materiais da lista do que seria necessário para as aulas foi o papel fotográfico. 
Trata-se de um papel preparado com uma emulsão composta de substâncias sensíveis à luz, quer dizer que, quando o expomos à luz, ela reage, registra a luz emitida pelos objetos tocados pela luz do sol ou de fontes artificiais, as lâmpadas, gravando a  imagem desses objetos. No meu caso, o papel usado foi o Kentmere mas poderia ser da marca Ilford(1), porque a intenção, mais tarde, era fazer fotografias em preto e branco (P&B) e aprender como se revela filme P&B(2).
Fotograma é um tipo de fotografia que se faz sem câmera fotográfica e é preciso, imprescindível mesmo que a realização do processo seja onde se possa controlar a entrada de luz, porque o papel fotográfico se exposto a ela na hora errada, ou seja, quando não estamos com tudo ajeitado, vamos conseguir apenas que o papel, depois de revelado, se mostre inteiramente preto. Falo sério!
Fiz no laboratório do Lasar, mas pode ser feito num banheiro bem vedado à luz. No laboratório dispomos de um aparelho chamado ampliador, ele concentra a luz num ponto sobre a mesa em que se dá o processo. O que já ia me esquecendo de contar é que, como a emulsão no papel reage imediatamente à luz comum, branca, e temos de ver o que fazemos, a única luz que fica acesa é a vermelha. 
Não vou dar detalhes aqui até para não virar uma aula, vou dizer só o essencial. A gente coloca o papel sob o ampliador, que deve estar com a luz branca apagada ou protegida com um filtro vermelho, pois todo cuidado com o tal papel é pouco. Sobre o papel arranjamos objetos de nossa escolha, que devem ser de preferência opacos ou com pouca transparência, melhor objetos translúcidos,  para oferecerem, digamos, uma certa resistência à luz e serem registrados sobre o papel. 
Com tudo no seu devido lugar, vamos apagar a luz vermelha e acender a do ampliador por alguns segundos e apagá-la(3). Os objetos fazem sombra sobre o papel, a emulsão vai ser sensibilizada pela luz onde os objetos não estão, ou onde a luz atravessa a superfície translúcida desses objetos, fazendo um registro deles.
O que se vê no Sob a luz é isso. Usei uma pena de pomba, bolinhas de gude e uma peneirinha de metal. Não tinha noção de qual seria o resultado, tem de experimentar. Surpresa boa! Gostei dos efeitos. 

Mas para chegar nessa imagem foi preciso fazer a revelação com produtos químicos, porque o papel fotográfico continua branco, como antes da exposição rápida à luz pela qual passou, e mais: continua valendo a história de não poder acender a luz branca, apenas a vermelha para não perdermos a imagem latente dos objetos registrada no papel.
A seguir são feitos os banhos, cada produto fica em um recipiente com água. Primeiro o papel passa um tempo mergulhado no revelador e aos poucos a imagem começa a se revelar e para mim é sempre emocionante esse momento, é bonito, mágico, ali se vê se deu certo ou não o procedimento que realizei.(4) 
Sempre se retira o papel de um recipiente com uma pinça especial e o deixa mergulhado por um determinado tempo no líquido. Depois, vai para o recipiente com o interruptor, ele interrompe a ação do revelador. Em seguida o colocamos no recipiente do fixador, para imagem não se apagar do papel, quando voltarmos a acender luz branca. Aliás, o próximo passo já pode ser feito às claras.
É a lavagem, neste banho em água corrente vão ser eliminadas as substâncias responsáveis pela formação da imagem, os cristais de prata que não regiaram para formar a imagem e ficam soltos(5), e ainda resíduos dos produtos da revelação.  
Nas imagens abaixo (detalhes), podem ser notadas as áreas escuras, as cinzas 



e as brancas do fotograma


Onde está preto é a área de maior exposição do papel à luz; as áreas em tons de cinza e a que está em branco receberam menos e nenhuma luz, respectivamente.

Um dia desses espero contar um pouco da história dessa técnica que a mim encanta e que ajuda quem vai começar a fotografar a entender como funciona a luz e os materiais  fotográficos e mesmo o modo como vemos objetos no mundo. Vemos as coisas porque refletem a luz que incide sobre sua superfície(6).
Podemos nos ver, um ao outro, exatamente pelo mesmo motivo.




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1. Estes papéis para fotografia P&B e outros materiais, como filmes P&B, podem ser encontrados em São Paulo, na rua Conselheiro Crispiniano, 105, rua próxima à estação de metrô Anhangabaú, subindo a rua 7 de Abril, segunda rua à direita. Neste mesmo endereço estão duas lojas, a Chromur e a Consigo, respectivamente no térreo e no primeiro andar. Vale ir numa e depois na outra sempre, porque os preços são diferentes para os mesmos produtos, às vezes uma tem o que se quer e a outra não. 
Dá para comprar pelos sites, e é bom visitá-los para verificar que esses papéis não são baratos, porque de grande qualidade. Aliás, é nisso que temos de pensar quando compramos algo especialmente na área da fotografia. Para começar comprei o mais em conta, na época, o Kentmere.
Com a debandada de muitos fotógrafos para o mundo digital, filmes e  papéis fotográficos desse tipo tiveram sua produção reduzida, há, por exemplo, filmes fantásticos que não são mais produzidos. É gostoso e importante saber que sou mais uma a precisar que a fotografia de filme permaneça, que não seja banida do planeta, como muitos ou nem tantos querem. 
Tem sido gratificante ler em blogs, em sites, fóruns, gente falando com orgulho de suas velhas câmeras de filme, herdadas de pais, avôs, compradas usadas ou seminovas. Li um depoimento de um moço com desejo de deixar a dele para o filho, apesar de expor sua dúvida sobre se ele vai querer. São jovens essa pessoas, a maioria é de homens, mas há mulheres também. Esse tipo de câmera ainda é fabricada, juro que li isso em algum lugar, só fiz a besteria de não guardar o endereço do site. O filme com que fiz as fotos mostradas em postagem anterior, dizem, não é mais produzido, era o Kodacolor 110. Eu, fica uma esperança de estarem enganados.
2. Não vou entrar em detalhes, mas devo dizer que a revelação de filme P&B é menos complicada que a de filme colorido. Fato que é ótimo pois aumenta a vontade de aprender os procedimentos de revelação e de montar o próprio laboratório para ter um certo controle da qualidade da revelação e também das cópias, aquelas que chamamos de fotografia e podemos pegar com as mãos e podemos colocar, entre outros suportes, em portarretratos sobre a mesa de trabalho ou na carteira e mostrá-las aos amigos.
3. No laboratório do Lasar, o tempo e mesmo o acender e o desligar a luz do ampliador pode ser regulado por um timer. O tempo que determei para a exposição à luz do material sobre o papel para este fotograma foi de 2s.
4. A revelação como descrevo é muito semelhante à de filmes, sobretudo os P&B,  só que estes são colocados em recipientes diferentes de que não falo agora porque este não é um manual e teria de me alongar muito. 
5. Os cristais de prata, presentes na emulsão de que falei, escurecem em maior (onde a cor é preta) ou menor grau (tons de cinza) onde não chega a luz ou nas áreas tranlúcidas onde a luz atravessa atingindo mais ou menos a superfície do papel.
6. embora não o assunto aqui não sejam as fotografias coloridas, vale lembrar que a luz quando é refletida pelo o objeto resulta na cor. O preto absorve todas as cores, há quem não considere preto uma cor, preto seria ausência de cor. No caso da fotografia P&B, as cores são "traduzidas" em preto, branco e tons de cinza por uma questão dos componentes do filme e do papel fotográfico específico para esse tipo de fotografia. Não me refiro a fotografia digital, que apresenta lá suas características próprias.


sábado, 16 de outubro de 2010

Eu, pintura azul


Cada vez que alguém se refere a mim como pintora reajo com uma fala tradicional de sou melhor desenhista que pintora, ou ainda um não, não sou pintora.
Já fiz e faço sempre uma pintura lá que outra, ou paro no meio. Também termino umas e vejo defeitos a ponto de raramente mostrar. 
Gosto muito dos bastões, seja giz pastel oleoso, antes o pastel seco, os de óleo, eles são meus aliados principais há anos. Acredito que seja uma questão de personalidade, não simpatizo muito com pincel, ai aquelas cerdas... mas busco alternativas como os pincéis de silicone, 



Colour Shapers da Forsline&Starr (1) 

por serem mais firmes, eles me deixam à vontade para pintar sem o estranhamento do pincel comum.
Tenho só dois desses ingleses e mais alguns da Keramik e, em alguns momentos, procuro usar os de cerdas também, tudo pela arte!
Não foi para falar de pincel que comecei a escrever mas de uma pintura minha, que não me sai do pensamento por mais tempo que fique sem vê-la

Puerta blue, 1991
(ass. M.N. no verso)

É uma boa pintura? Sabe que não faço ideia, simplesmente gosto. Não nego, vejo algumas coisas que não faria hoje, como usar um rosa tão forte. E olha que não me refiro diretamente à imagem reproduzida aqui, que passou pela digitalização no escâner e depois ainda mexi um pouco no editor de imagem por ter ficado muito escura onde há o azul e o verde e "acesa" no rosa e amarelo; a original tem uma intensidade diferente, mais suave. Poderia ficar alterando sem parar, ou parar somente quando ficasse mais fiel à pintura original, no entanto, para ser sincera, a reprodução da pintura ou de outras obras minhas me interessa por suas características próprias e ainda quero observar mais os efeitos possíveis da edição no computador.
Puerta blue foi feita em 1991. Pintei com guache, usando, eu acho, espátula e pincel. Nunca usei tanto azul assim na vida, é uma cor que aprecio mas tenho tido dificuldade de encontrar um tom que me agrade. Nos últimos tempos ando atrás de azul. 
Cada material tem suas características e me permite realizar imagens específicas. O guache é à base de água, manuseio bem essa tinta, e, não só por isso, mas bateu uma nostalgia de pintura ao rever Puerta. É, voltar a pensar em pintura.
Dá para notar que escrevi algo entre parênteses logo abaixo do título. Trata-se de uma informação sobre como assinava o que criava na época. Eu usava o sobrenome de meu pai (Nunes). Mais uma curiosidade é que já mudei de nome artístico algumas vezes. Agora vou parar com isso, desse jeito dificulto minha identificação como artista. Assinei Marga Bihar(2), quando fiz uns desenhos em 2000.

Como já disse em uma postagem anterior, levo um tempo escrevendo, o que me faz alterar o texto, inserir novas imagens ou deletá-las. Este comecei no dia 25 de setembro às 16h24. Imagina só o tempo que faz.
Nesta semana estava lidando num desenho, onde utilizei o guache como base, então de repente me deu vontade de falar do guache como material em que vejo importância, e não só eu.

Para não esquecer meu pensamento, anotei o seguinte texto numa folha de papel:


                 O guache é uma tinta maravilhosa por ser à base de água, 
                 em tempos ecológicos isso é bem vindo, com cores e efeitos belos. 
                 Aqui [no Brasil] parece relegada ao uso infantil. Enquanto isso as 
                 tintas guache da Talens secam em seus vidros nos expositores de 
                 lojas como a Casa do Artista e outras tantas.(3)

E lá venho eu com Henri Matisse.
Matisse é natural que eu pense imediatamente nele quando preciso falar nessa tinta. Não conheço melhor exemplo ou, pelo menos, para mim é dos melhores exemplos de uso de guache por artista. 
Alguém já viu esta obra?


Nu bleu II,1952
Papel guachado, recortado e colado sobre tela
116,2 X 88,9 cm

Papel guachado. Outra coisa que anotei foi sobre essas obras dele serem em papéis guachados e lembrar que este termo li há muitos anos nos Escritos e reflexões sobre arte(4), na edição portuguesa do livro que contém escritos do próprio Matisse, entrevistas e conversas. Gosto da palavra guachado, em lugar de dizer pintado com guache. 
Assistentes do pintor "guachavam" os papéis(5) e ele os recortava com tesoura



Eu sinceramente não pensava em trazer Matisse para essa conversa, no entanto fico satisfeita de demorar tanto a escrever que deu tempo de ter a ideia. Claro que não vou me estender falando nele e nesses seus recortes, mas chamo atenção para o tamanho deles, basta ver as medidas, acho que não todos mas há os de grandes dimensões. Os recortes ainda serviram de "esboço" para vitrais, foram serigrafados, reproduzidos em posters etc. 
É com ele que vou encerrar a postagem, não sem antes dizer que faço menos pinturas do que desenhos mas é bom acrescentar que faço pintura também e gosto.

La tristesse du roi(6)
292 X 386 cm



_______
1. Esses pincéis apresentam-se em vários tamanhos,  pontas com formatos diferentes e de silicone com diferentes durezas, sendo mais comum encontrar os de silicone cinza, de dureza média. Seus usos também são variados. Podem ser encontrados em lojas de materiais de arte; cito, para variar, a Casa do Artista, a loja virtual da Companhia do Papel, cuja loja no mundo real fica em Londrina (PR). Há outras marcas desse tipo de pincel e outras lojas onde podem ser adquiridos; estou para visitar a Fruto de Arte, só que para procurar outros materiais, mas sei que lá tem uns pincéis de silicone com preços bastante mais acessíveis. Veja as trinchas da Fruto,



2. Bihar é a segunda maior cidade da Índia, bem, era em 2000, não sei se continua sendo. Gosto muito de roupas e acessórios indianos e de outras tantas maravilhas daquele país.
3. Isto foi escrito no dia 14 de outubro. Eu me refiro ao guache da Talens por crer que é dos melhores e por, de fato, ver a tinta abandonada nos vidros, o que faz com que os lojistas os coloquem em promoções com a intenção de se livrarem do produto encalhado. Isso significa  muitas vezes que não voltarão a ser trazidos. De modo algum se trata de material barato, mas penso que se mais pessoas comprassem o valor diminuiria. Posso estar enganada.
4. Recentemente a editora CosacNaify lançou a primeira tradução brasileira do livro, Matisse - Escritos e relexões sobre arte. A observação mais corrente sobre esse lançamento refere-se à inclusão de imagens das obras dele, o que não foi feito na edição portuguesa, que está esgostada. Gostei muito de ler o livro, não li todo mas há nele textos que sei  da necessidade de reler.
5. Ver mais informações no site http://www.henri-matisse.net/cut_outs.html, de onde eu tirei a foto de Matisse em ação.  
Ele teve câncer no intestino, provalvelmente ficou impossibilitado de pintar, pois ao pintar se faz esforço físico e os médicos acabam proibindo pintores, e obviamente escultores, de fazerem aquilo que lhes é mais importante. Matisse deve ter feito arte desse jeito para dar continuidade a sua criação. Felizmente desenvolveu essa técnica e realizou obras das mais bonitas e significativas. Aliás, elas são muito especiais dentro do conjunto de tudo o que fez antes e depois. Um criativo incansável.
6. Esta  obra está no Centre Pompidou e no site podem-se ler informações sobre ela e outras obras do pintor, basta clicar no título.
ML_ Normalmente eu publicaria agora uma postagem sobre artista favorito meu, mas esse assunto de não ser pintora veio à baila quando revi Puerta azul. Na verdade surgiu antes em conversa com Agnes, fazemos a oficina de fotografia no Lasar Segall. Eu me questionei na volta a Campinas sobre a postura que tenho diante da minha pintura, senti necessidade de rever isso. 
É o que faço aqui neste texto, mesmo com a invasão gostosa da arte de Matisse. Ou por isso mesmo. A presença de um pintor neste texto é até sintomática de minha reflexão.
Ainda sobre Matisse. Estou contente por ter encontrado a foto colorida dele recortando seus papéis. Uma beleza, o chão coberto coberto de cores faz jus ao mestre colorista. Tinha visto a foto apenas em preto e branco.