domingo, 27 de março de 2011

As câmeras que uso*

 
Antes de enveredar pela experimentação com filme preto e branco, por receio de não me acertar com câmera SLR 35 mm, usei filme colorido. No caso, comprei um bem mais barato que o P&B para me sentir mais à vontade, mas não me permitindo escolher um filme que não tivesse uma certa qualidade porque, afinal, podia fazer uma bela foto.
SLR quer dizer single lens reflex, é o que se chama comumente de câmera monorreflex, pois ela tem um sistema interno¹ com espelhos que nos permite ver a cena pelo visor exatamente como a câmera a e decidirmos o que e como queremos captar a cena ou parte dela, fazendo o enquadramento.
Eu nunca tinha chegado perto de uma dessas, tanto que para saber se a Olympus TRIP 35² que foi de meu pai era ou não reflex fui parar numa livraria e, lendo um livro, cujo título não me recordo no momento, descobri que não. A TRIP tem o visor para o lado e é preciso ter algum cuidado para enquadrar a cena, um objeto ou pessoa. Nele há umas marquinhas para nos basearmos, pois a imagem como vemos pelo visor não coincide com a que é vista pela lente, que fica em outra posição

DSCN6406post

Numa câmera reflex o visor fica na parte superior dela, na mesma direção da lente, aliás um pouco acima, voltado para os espelhos de que falei e refletem a imagem que passa pela lente, é essa diferença que torna o fotografar muito mais facilitado. Por exemplo, ao fotografar pessoas com uma TRIP existe o risco de, se mal enquadradas, elas saírem na foto sem as cabeças; numa reflex isso pode acontecer mas só se o fotógrafo quiser, afinal o que se vê através do visor é o que vai ser captado no filme de uma câmera SRL analógica ou no sensor de uma digital DSRL3

Lente
Visor Canon AE-1 PROGRAM_visto de cima_
Visor
Visor Canon AE-1 PROGRAM
Visor com protetor4

Acho que já tinha notado antes, mas o que mais me impressionou, em primeiro lugar, foram os anéis nas lentes das câmeras fotográficas. Na TRIP são três, 

Lente D. Zuiko_40mm

o anel na borda da lente corresponde à ASA do filme, dado sobre o filme que há um tempo considerável passou a ser chamado de ISO5; o anterior, com as figurinhas, tem a ver com as distâncias necessárias para focalizarmos a cena ou um objeto nela, definindo uma área de nitidez  (1 m ao infinito [])6; o bem próximo ao corpo da câmera é o anel das aberturas de diafragma (de f/2.8 a f/22)7.
Numa reflex... bem, deixa eu apresentar a reflex com que fotografo. Trata-se de uma Canon AE-1 PROGRAM, câmera japonesa que começou a ser fabricada em 1981 e com produção interrompida em 1986 e considero mais uma maravilhosa companheira fotográfica com que conto, uma vez que antes já estava com a Olympus TRIP 35, uma bela máquina dos anos 1960, com lente de 40 mm8.
Aqui está 

vintage-canon-ae-1-program-slr-camera1

abaixo os detalhes em sua lente, que é de 50 mm e possui mais anéis:

Lente Canon FD 50 mm

o do meio é fixo e corresponde à profundidade de campo9, medida em metros; o bem próximo ao corpo da câmera é o anel das aberturas de diafragma (de f/2.8 a f/22); o outro das distâncias focais ( 0.60 m ao ).
Em seguida notei a diferença das partes superiores das câmeras. Mal me acostumei com a TRIP10

Olympus TRIP 35_de cima

e, ao ver a Canon,

Canon AE-1 PROGRAM2

fiquei sem entender nada, ou quase isso, e corri procurar um manual na internet, não me sentia com coragem de mexer em todos aqueles botões, alavanca... e felizmente hoje posso dizer que me entendo bem com ela. Foi o manual, mais algumas conversas com Vera [Albuquerque], a orientadora da oficina que fiz no Lasar Segall, e também com Agnes, colega que se tornou amiga, tem uma Canon e me ajudou a saber onde ficava o fotômetro, um elemento essencial para fotografar e de que falo numa outra ocasião.
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* É difícil não ceder à tentação de explicar certas noções técnicas sobre as câmeras e o modo como se faz uma fotografia, portanto se não for do interesse nesse tipo de informação o melhor é ignorar as notas, em boa parte delas creio que extrapolei nas expliçações. Na verdade, falar da minha experiência, do contato inicial com o uso das câmeras acaba passando mesmo por assuntos técnicos, eu não sabia praticamente nada sobre o assunto, achava que era só pressionar o disparador, posicionar a câmera e pronto. Não é assim quando se tira a câmera do automático e ela fica nas nossas mãos.

1. Para variar eu vou procurar não ficar falando grego, ou melhor, usando termos muito técnicos porque ficaria chato, cansativo para quem tem alguma curiosidade sobre fotografia mas também não vai acabar perdendo o interesse ou se confundindo. Esse sistema de espelhos se chama pentaprisma, mas basta saber que é formado por espelhos, a gente sabe que servem para refletir e isso é suficiente para entender um pouco. A imagem refletida passa de um espelho ao outro até a vermos pelo visor.
2. O 35 quer dizer que na câmera se usa o filme 35mm. Isso tem explicação mas...
3. Nas câmeras reflex digitais, as DRLS, também há o pentaprisma. Em alguns aspectos elas se parecem com uma reflex analógica, só que as diferenças são várias, a mais visível é a existência da tela de LCD na parte traseira das câmeras digitais, onde se vê a fotografia pronta. Tela que em câmera digital compacta, as mais comuns, servem para enquadrar a cena, como as Cybershot da Sony e outras que não têm visor nenhum e a lente fica deslocada para o lado esquerdo do corpo da câmera

Câmera digital_sem visor
4. Este acessório que chamei aqui de protetor, mas não estou certa do nome, creio, serve para a gente olhar através do visor de modo a facilitar a visão dos pequenos números do fotômetro interno, que fornece indicação da abertura do diafragma da lente depois que determinamos a velocidade de disparo da câmera, ou seja, o tempo durante o qual o diafragma vai ficar aberto para expor o filme, que fica no fundo do corpo da câmera, à luz, à cena que enquadramos. É muito útil quando se está numa posição em que o sol interfere atrapalhando de ver a indicação do fotômetro. Fonte da foto: http://www.mir.com.my/rb/photography/companies/canon/fdresources/SLRs/ae1/index1.htm
5. ISO é aquele número que vem na caixa do filme, ou em câmeras digitais que têm o recurso para escolher o ISO, como os mais comuns: 100, 125, 200, 400. Cada vez que colocamos um filme numa câmera devemos ajustar este anel para o ISO desse filme, pois a câmera fica preparada para ser usada com esse filme específico. Cada filme tem características não só no que diz respeito a ser P&B, colorido, mas também há outras especificações em jogo.
6. Essas distâncias são medidas em metros ou pés (ft). Não comentei sobre foco, pode-se acertar o foco da lente manualmente, que é quando se controla o processo,  até ver se a imagem não está desfocada, quero dizer, pouco ou nada nítida. Já posso adiantar que isso não é um procedimento rígido, na medida em que se pode decidir na cena o que queremos que fique nítido ou não na foto. Veja, na foto,

profundidadedecampo03

o galo aparece desfocado por vontade do fotógrafo, porque lhe interessava nitidez apenas na escultura.
7. Só para dar uma ideia do que estou falando ao me referir a abertura de diafragma, ver a figura

diafragma

Estranhei muito o fato de que quanto maior o número é menor a abertura do diafragma. Há uns cálculos que explicam o que são esses números f, mas o essencial é não esquecer disso, essa informação é importantíssima, porque é pela abertura do diafragma que a luz entra, a gente tem de controlar para obter uma fotografia. Se, por exemplo, há muita luz no ambiente/cena, podemos usar aberturas menores, do contrário vai entrar muita luz e a foto vai ficar muito clara, às vezes praticamente em branco. Este assunto eu simplifico porque existem outras fatores envolvidos na questão das aberturas, da luz, do tempo de exposição etc., está tudo interligado.
8. Acho melhor não explicar muito o que é uma lente de 40 mm ou  50 mm. Essas medidas têm a ver com o ângulo de cobertura da cena pela lente, por exemplo a de 50mm num ângulo de 45º, o que é muito próximo da visão humana, isso em relação ao nosso ângulo de visão, motivo pelo qual ela é chamada de normal. Pode parecer estranho mas a lente de 40 mm num ângulo maior ainda e quanto mais milímetros tem uma lente menor é o ângulo, menor a área vista pela câmera porém maior a aproximação da cena ou objeto a ser fotografado. Coisas que com o tempo fazem todo o sentido.
9. Conforme a escolha que fazemos da abertura de diafragma da lente, podemos ter à nossa frente (e da máquina fotográfica, claro) zonas de maior ou menor nitidez. Uma mesma cena pode ser fotografada a partir de uma mesma distância, focando o mesmo objeto na cena,  mas ora com uma abertura maior, ora com uma menor, por exemplo  f/2.8 e  f/16 (ver nota 7) e vamos obter duas fotos com os mesmos elementos mas com diferentes áreas de nitidez.
Nesta foto 

profundidadedecampo03 

o fotógrafo podia ter privilegiado o galo, deixando a escultura fora de foco como na foto a seguir

profundidadedecampo04  
10. Recorte de fotografia do artigo em busca da câmera obscura de Mario Arruda.

ML_ Eu me arrisquei ao falar sobre câmeras digitais pois não uso e o funcionamento tem lá suas diferenças de que sei muito pouco. É resultante de evolução que se dá o tempo todo. Li que já existem câmeras sem o sistema de espelhos e a variedade de tipos é grande, desde as mais comuns para amadores, as semiprofissionais e as profissionais. Para ser sincera e não dizer que não uso digital, uso a do celular.
Na verdade, fazia um tempo que queria falar um pouco das câmeras que uso e, ao começar a escrever, é que vi como há muito mais a dizer sobre elas e sobre fotografar. Espero ter dado alguma noção do que sejam essas câmeras, seus recursos básicos, sem cometer imprecisões graves. Estou em progresso, estudando, fotografando, aprendendo.

Primeiras fotos | First photos


Algumas das primeiras fotos que fiz com informações básicas sobre o funcionamento de câmeras e sobre fotografar, estas feitas com a Canon AE-1 PROGRAM

Hora do Lanche_Marga Ledora_Dez 2010_reduz  Hora do lanche | Afternoon tea, 2010

Flores de Bananeira_Marga Ledora_Dez2010_reduz  
Flores de Heli | Heli's flowers, 2010

A Hora do lanche tem como modelos as pombas que vêm todas as tardes comer um pouco do milho generosamente a elas ofertado por minha mãe. Não tinha o tripé adequado por isso foi meio complicado fotografá-las, tive de ficar o mais quieta possível para não ser vista e evitar que se assustassem com minha presença e mais a câmera.
Nunca havia pensado em fotografá-las antes, o lanche acontece há muitos anos; foi só mesmo depois de ter decido fazer o curso que voltei  meu olhar para uma porção de coisas, eventos e muito mais, incluindo as pombas, pardais e outros pássaros que aparecem.
"Flores de Heli" (Heliconia rostrata) é um título provisório ainda. Esta foto é um recorte de uma foto maior. Quis mostrar assim, só um cantinho da foto, porque ali dá para ver o que falei na postagem anterior sobre  o foco: a folha e as flores em primeiro plano estão mais nítidas do que os demais elementos na cena porque ajustei a câmera para isso.

ML_Here I show some of my first photographies made with a Canon AE-1 PROGRAM  and a 50 mm lens. I was experimenting notions of photography and  recognize I need to learn more and more about this art. Photography is a passion!
Heli's flowers is the provisoriy name of the photography, the plant is  tropical, its scientific name is Heliconia rostrata. In this photo only a part of the flower appears. I will post more of these flowers yet, they are one of my favorite models like the pigeons that came here to eat all the afternoons. Heli's... is edited photo, because in this part I wanted to show areas in and out of focus. I follow experimenting.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Um modo muito especial de ver fotografia




Deficiente visual fotografa? E como! Evgen Bavcar que o diga, ele é o autor dessa fotografia. Ele é deficiente visual e fotografa, sim, como podemos ver aqui e nas inúmeras exposições de suas fotografias pelo mundo afora. E felizmente ele não é o único.
No SENAC, em São Paulo, há o projeto Alfabetização Visual(1) dentro do qual, entre outras propostas, está a atividade com deficientes visuais. São dadas a eles orientações de como fotografar e, não sei se a reportagem que assisti há umas semanas no SBT Repórter era desse pessoal, mas pude me emocionar muito com um rapaz que ensinou o repórter a fotografar com os olhos fechados. Tem um procedimento muito eficaz. Na foto de Evgen dá para ver algo que faz parte da técnica, isso de colocar a mão sobre o que se vai fotografar e depois deve-se afastar alguns passos para trás e só então posicionar a câmera junto ao rosto e acionar o disparador.
Só que  vão ter de me desculpar, devo retomar o ver fotografia porque, em meu entusiasmo em mostrar um vídeo com uma notícia que acho bárbara e que foi o que me moveu a escrever meio rápido, pero no mucho, estou me afastando do tema há algumas linhas do texto, vou retomá-lo.
Fico tão feliz quando a tecnologia permite a inclusão de mais pessoas nas coisas boas da vida! Ver fotografia é uma delas






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1. Gostaria de poder informar mais sobre esse projeto, como se pode ter acesso a ele e outras mais, vou ficar devendo, mas vou encontrar e coloco no blog assim que possível. Soube do projeto agora há pouco. Bem, há um link para uma página onde se fala de como são orientados e sobre uma exposição de que os novos fotógrafos apresentaram suas fotos: Morumbi recebe exposição do projeto Alfabetização Visual do SENAC


ML_  A fotografia de Evgen Bavcar tem como título A Close Up View. A fonte é THE ARTS BLOG 
Foi perfeito tê-la encontrado e não resisti em descrever o procedimento que vi no programa. Evgen deve ter a ver com essas atitudes de valorizar o deficiente visual. Foi o primeiro fotógrafo como ele de que soube e fiquei maravilhada! Agora que comecei a fotografar o que ele e outros fotógrafos fazem  adquiriu uma importância maior e saber mais a respeito do fazer de todos eles, videntes ou não, se tornou mais do que necessário e é uma aprendizagem de muito mais do que fotografia mas de vida mesmo, incluindo doses maciças de respeito pelo outro, pelo sonho e a realização do outro e do que é meu também.
Em tempo, aqui vai o link da reportagem do SBT Repórter, não vi inteiro na tv  e também vou aproveitar SBT Repórter mostra como é a realidade dos cegos no Brasil

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Recomendo_Papel de bala

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De verdade, o assunto é papel de bala. A gente come a bala e nem olha direito para o papel, não é? Mas tem arte em cada balinha rápida ou lentamente apreciada, pode crer!

E no Museu Paulista da USP, certamente mais conhecido como Museu do Ipiranga, vamos poder olhar mais atentamente para esses papéis que foram cuidadosamente decorados para atrair nossos olhos. E que, como dá para ver acima, nem sempre tinham explicitamente o sabor sequer insinuado, os motivos não eram óbvios. Não dava para saber se era de morango ou abacaxi, como o das balas dentro do pote que fica sobre o balcão de minha sala de jantar

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e pensando bem, esse papel é engraçadinho!

Os papéis de bala na exposição são antigos. Ainda não fui visitar, mas me parece bastante convidativa para quem é curioso sobre o que se fazia antigamente, se interessa por arte visual ou em saber de mais algumas das  milhões de maneiras que o ser humano inventou de oferecer beleza, graça, enfim, uma imagem para nossos olhos.

Exposição PAPEL DE BALA

Museu do Ipiranga | Museu Paulista

Parque da Independência, s/nº

São Paulo, SP

Tel. 11 2065 8001

Visitação: até o dia 20 de março, de terça a domingo, das 9 às 17h
Ingressos: R$ 6,00 - estudantes R$ 3,00