quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Recomendo_Exposição



Bandeira é pintor e desenhista enormíssimo! Soube de sua existência na livraria Pontes. Encontrei um livro sobre ele, Bandeira de Mello - A arte do desenho, me aproximei do livro porque na capa havia um desenho, não era comum um livro de arte sobre desenho, sobre desenhista.
Tive o prazer sem tamanho de visitar sua exposição Retrospecto, uma retrospectiva, em São Paulo na terça-feira passada* e foi algo de me surpreender e emocionar porque, ao entrar na Caixa Cultural eu não sabia que isso aconteceria,  a visita era para uma outra exposição, a Lágrimas de São Pedro, do artista Vinicius S.A., que foi recomendada no Blog do Josafá  Crisóstomo.
Foi mais ou menos assim: já no balcão de informações vi um catálogo com o nome de Bandeira de Mello, não me era estranho o nome mas me confundi porque há outro artista com sobrenome Bandeira... tenho uma proximidade grande com os desenhos do artista, esses até aquele dia eram inconfundíveis, reconheceria de imediato se folhasse o catálogo.
Fiquei em festa diante de suas pinturas, creio que a maioria é em têmpera e óleo sobre madeira. Há maravilhas, entre elas uma que me chamou atenção depois de quase passar desapercebida por ter sido exposta numa área com pouca luz e pendurada do lado de uma parede (ou expositor). Preparem-se


Chama-se Trapezistas e é de 1994, mede 210 X 27 cm.
Fiquei impressionada com essa pintura, o formato inusitado é um elemento significativo, a imagem concentrada nos trapezistas sem que se possa ver o entorno, nem mesmo o trapézio onde o homem se pendura. Bandeira de Mello traz o exato momento de altíssima confiança entre eles, ali é tudo ou nada, certamente não há rede.
Ele é um artista importante, está na ativa para minha alegria!
Não é todo dia que se é surpreendida com a possibilidade de ver as obras de um amado artista pessoalmente. Não sei o que o ano-novo me reserva, mas esse acontecimento, sem dúvida, vai ser um dos mais marcantes!
Podem ser vistas mais obras e informações sobre o artista em



Bandeira de Mello - "RETROSPECTIVA"
Até o dia 16 de janeiro de 2011
CAIXA Cultural São Paulo
Praça da Sé, 111 - tel. 11 3221 4400
das 9 às 21h

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* Na verdade foi na terça dia 04 passado, queria ter recomendado a exposição antes mas não tive tempo, tive contratempos.
Estou bem chateada de só hoje poder retomar a postagem. A exposição termina no próximo domingo, dia 16.
Mas seria pior deixar se encerrar para contar sobre ela. Sinto mesmo!

ML_Vou só falar que no início do texto descrevo Bandeira como "enormíssimo" e o fiz não sem ter vontade de acrescentar "cronópio" como fazia o escritor belga-argentino Julio Cortázar ao se referir a grandes personalidades.



sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Ano-Novo | Año Nuevo| New Year | Nouvel Anneé | Nuovo Anno | Neujahr



Ele nunca teve um título, é um desenho que fiz para cartões*, desses onde se escrevem mensagens, no caso ele eu usava em pequenos cartões para acompanhar presentes, com detalhe de fiozinho dourado. 
Mas ele está aqui hoje para acompanhar meus agradecimentos a todos os que visitaram o blog neste ano de 2010. 
Isso mesmo, não fazem ideia de quanto foi importante para mim abrir a página inicial e verificar que, além de mim e de alguém que conheço pessoalmente, havia a cada dia mais visitantes. Mais do que eu podia supor que um dia se interessariam pelo que publico aqui. 
Tem sido surpreendente mesmo, não há como mensurar a alegria que sinto a cada vez que descubro mais um que me acompanha publicamente ou não, mais um visitante. Cada comentário é lido com atenção, interesse. Visitas e comentários são diálogos, já disse que gosto muito de diálogo, dialogo até com desenhos.
Dei uma olhada nas estatísticas do blog e, não sei se não me confundi, mas há visitante da China, Finlândia, França, Canadá, Estados Unidos, Portugal, Argentina, Lituânia, Reino Unido, Bélgica, Rússia, enfim, não é só do Brasil. É emocionante e foram vocês que me proporcionaram essa emoção.
Voltem sempre que quiserem, serão muito bem-vindos. Os visitantes eu posso contabilizar em números com o contador, mas é só para eu ter uma noção, são pessoas e não números para mim.
Não posso nomear cada visitante do blog, posso, sim, agradecer a presença de cada um, desejando que o Ano-Novo lhes seja maravilhoso, de renovação para realizarem o que for essencial para cada um. Ontem falava com uma amiga ao telefone e chegamos à conclusão de que temos muitos sonhos e mais desejos do que se podem realizar num único ano, mas que ao menos os essenciais aconteçam!
Faço um agradecimento especial aos que me acompanham: Eugenia (eboisselier), a primeira a me acompanhar publicamente, ela é artista plástica das boas e estudante de arte na Argentina; Espinho, a banda Espinho de Limoeiro, é Gabriel que acompanha o blog; Andrea, uma querida que tem um blog fantástico; Pedro, este eu conheço há um bom tempo, me acompanha nas artes e sabe da arte de tratar das emoções do outro como poucos; Cendrini, artista francesa, que descobri no blog de Cathy Cullis e desenha com rara beleza e sensibilidade;  Olavo, que parece não ter um blog mas vi que também acompanha blogs interessantes de Cabo Verde e de Portugal; Henrique, que sabe muito bem como fazer arte com a, para mim difícil, técnica da aquarela; Patricia, Contadora de Histórias, o que admiro bastante; Vibhuti, que, entre outras atividades, é arte-educadora e massoterapeuta, duas artes importantes para a vida de qualidade; Lou, artista plástica múltipla, que faz fotos de que gostei muito (e falo sério!);  e  lestecomunitária, que deve ter sido a primeira pessoa de fato a acompanhar mas só recentemente apareceu na página, é ligada a educação, cultura, acompanha blogs de literatura, o que é maravilhoso.
Procuro sempre ir ver se quem me acompanha aqui tem um blog, se conta o que faz, pensa; tenho prazer em conhecer cada um de vocês, isso talvez me ajude a entender por que dialogam comigo. 
Então, que venha 2011!


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* Originalmente no desenho havia a ano de 2001, foi um ano de muita criatividade e, digamos, sorte por isso trago o trevo de quatro folhas de volta, quem sabe dá sorte mesmo!

ML_Here in Brazil too the four leaf clover signs luck, good luck. It is my desire for all the people that visited and followed my blog in 2010.  I'm very happy with each one of you, and thankful for your presences. It was very important and a beautiful surprise to me. 
You'll always be welcomed!
I want you have a nice 2011!


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

(Não) RECOMENDO_ Livro



Vou lhes apresentar um dos meus livros favoritos. É um livro infantil, sim, e também vão saber que não abandonei minha criança interior!
E ele não é um livro que ganhei na infância, foi comprado por mim em 1984, eu, já bem longe dessa época de encantamento mais fácil, ou que pelo menos deveria ser para todos e infelizmente não é bem assim.
Não pude largá-lo desde que o vi numa livraria e não num sebo, embora se pudessem vê-lo notariam que as folhas estão todas soltas(1) e há um leve amarelado nelas de tão manuseado. Lido, relido. Há uns anos ainda encontrei um exemplar e dei a um menino com a esperança de que ele também gostasse do livro e sobretudo de ler. 
Ia recomendar o livro aqui mas parece que está esgotado, então preferi apenas dividir com vocês alguma coisa dele, começando por uma ilustração, a da página 19 e lendo, quer dizer, copiando o texto da página anterior com que a ilustração se relaciona

SOU GENTE
  ESTOU DE PÉ
            DESENHO COM O PÉ
 UM CÍRCULO
FICO PRESO
           NO LAÇO QUE CRIEI

Está escrito desse jeito mesmo, com letras "grandes", no livro Conversa de corpo de Priscila Freire(2) e ilustrado por Benjamim. 
Só este trechinho já me fez pensar num mundo de coisas sobre a vida, há círculos que nos impedem de andar muito, que nos restringem, não é? Há outros, e desses a gente gosta muito, que nos abrigam, protegem. Este é o caso das amizades, dizemos, círculo de amigos! Fazemos parte do círculo de amizade de fulano com alegria e isso é bom.
Ai, deixem eu mostrar a capa, quem sabe, fica mais fácil de achar(3)

Editado pela Miguilim

O ilustrador, (Marcos Coelho) Benjamim, é já há muito tempo um artista plástico com obras marcantes no cenário das artes. Não sei se quando comprei o livro me dei conta de que esse Benjamim do livro era o artista. Vai saber por que assinou o livro assim!
Gosto muito do que Marcos faz e pensa sobre arte, logo que me seja possível vou fazer uma postagem sobre ele. Por ora fica a ilustração e o trecho do texto de Priscila e a vontade de ler mais uma vez e outra, mais uma e depois de novo. Leio meio criança, meio eu agora mesmo, leio de corpo inteiro e com olhos novos de ver cada uma das ilustrações.
... mas eu ia falar em laços, não era isso?
 
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1. Trato livro com cuidado, as folhas se soltaram por terem sido coladas e não encadernadas com grampos como nas edições menos antigas. Já estou programando um restauro porque tenho conhecimentos de encadernação. Vou fazer com carinho, prometo.
2. Priscila (Euler) Freire (de Carvalho) é mineira de Belo Horizonte, Minas Gerais, foi aluna do grande pintor Alberto da Veiga Guignard, é formada em biblioteconomia. Além do Conversa de Corpo, escreveu A viagem do João de Barro, Histórias de Guignard, também foi diretora do Museu de Arte da Pampulha e idealizadora da Casa Guignard.  
3. É brincadeira o título da postagem, eu RECOMENDO verificar na Miguilim se está mesmo esgotado porque entrei lá e não tem nada dito, parece aberta a pedidos, tem até link para isso.

ML_The first figure is not mine, this ilustration was made by (Marcos Coelho) Benjamim, an important brasilian artist, graphic designer, ilustrator and, I knew today, he makes theatre sceneries too. 
Conversa de corpo [Body conversation] is a book for children but I was adult when bought it to myself. I love the ilustration and the text of Priscila Freire

I'M HUMAN BEING / I STAND /  I DRAW WITH MY FOOT / A CIRCLE / I REMAIN IMPRISONED/ WITHIN THE BOND I CREATED

I think there are bonds that really aren't good, but one kind of bond  we like is that of friendship, isn't it?
This is only a free thought because is better to read the complete history. Even in Portuguese it seems to be dificult to find this book now, I have an old edition of 1984. Because of this reason I almost don't recommend the book to nobody but I decided to tell somethings about one of my favorites books to you.

Rubra | Bloody Red



Rubra | Bloody red

Desenho meu, feito no início deste mês, à noite, algo que não costumo fazer por causa da luz artificial, essa luz altera minha percepção das cores. Evito.
Mas a vontade e a urgência mesmo eram grandes, posso dizer, incontroláveis que nem pensei nisso. Era naquele momento ou never! Ainda demorei um tanto decidindo as medidas, com que giz, e o papel? Toca procurar uma folha em branco, não muito grande. Quase fiz no verso de uns esboços mas o papel, num papel sem qualidade... nem pensar, fui logo vetando a ideia infeliz! 
Ai que bom, encontrei um pedaço perfeito de papel Murillo, da Fabriano. É de celulose, mas aprecio a textura fina dele, sempre arranjo um cantinho no coração para um papel de boa marca. Digo isso porque tenho uma predileção explícita pelo Fabriano 5.
Rubra é de pequenas dimensões (9x9,5 cm), tinha de ser pequeno por causa de minha ansiedade. Mairor, demoraria mais para fazer. Claro que ansiedade não deve ser critério para fazer arte, mas achei mais aconselhável dar um espacinho para ela no processo criativo. 
Há dias tinha feito um molde vazado, portanto a forma, o processo estava in progress. Fiz o molde* um pouco mais sofisticado, normalmente tem só com uma abertura simples e esse caprichei

 

Escolhi os giz novos, na verdade cores novas, porque costumo usar giz da Caran D'Aché há algum tempo, mas encontrei uns avulsos na Casa do Artista e decidi trazer mais cores para minha paleta. Estava sentindo falta dessa renovação e muito afim de vermelhos. Estes verdes foram bem-vindos também. Deu um certo receio de não simpatizar com eles mas ficaram bons ali.

Pois, assim que dei por terminado o desenho, estranhei, daquele jeito que já contei que acontece, não conseguia ver, me entender com  o tal desenho. Pensei em deixá-lo de lado por um tempo, olhar melhor depois, em outro dia, mas que nada, fui mexendo, acrescentando cor, raspando a superfície do desenho aqui e ali.
Não sosseguei enquanto ele não me apareceu.
Incluí no processo um andar com o desenho pela casa, observando sob luzes de tipos diferentes até ver e saber que ele não suportaria mais interferências minhas. No dia seguinte, corri vê-lo novamente e, ufa!, ficou tudo em paz entre nós.

Gosto dele, da aparência, das texturas, do jogo de claro e escuro dos tons, da forma bojuda e especialmente do que Rubra significa no sentido da retomada do desenho. Fiquei grata por começar a fazê-lo como um exercício e, no fim, poder mostrar como meu desenho, de querer que vissem comigo.
Ele provavelmente vai ser meu último desenho de 2010, isso se amanhã ou ainda hoje não me der um sei lá o que de desenhar mais.
Ano que vem certamente virão outros...

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* As partes A e B do molde são móveis, permitindo umas poucas variações, mas achei interessante e pode ser que torne a coisa mais complexa se precisar fazer novos moldes. A necessidade e criatividade vão me guiar nisso.

ML_ I don't write very well in English, but I want to say Bloody red is my return to drawings. 
Now I'm learning how to photograph and couldn't reorganize my creative life ;) yet.
This year I made lesser drawings than I would like to... 
Next year one desire of mines is to draw more!