segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Recomendo_Música






Vi mensagem, agora há pouco, com essa ótima notícia sobre a apresentação do Espinho de Limoeiro, recomendada pela OC Hilda Hilst*, e resolvi avisar. 
Eles fazem uma música das melhores, música instrumental brasileira. 
Tive o privilégio de conhecer Gabriel Sebrian num workshop de Gestão Cultural, na mesma OC Hilda, e participar do seu grupo de discussão e elaboração de um projeto. Aliás, quando o ouvi falando sobre sua motivação para participar do workshop e soube que fazia música instrumental, não tive dúvidas em entrar para seu grupo.
Adoro música desse tipo, é companhia frequente em várias situações na minha vida e especialmente quando desenho.
Gabriel é o guitarrista da banda e uma das pessoas mais sensíveis e generosas que conheço, pois mesmo (pre)ocupado com o projeto da banda, arranjava tempo para dar esclarecimentos sobre gravação de música etc., tornando possível minha participação, eu, uma pessoa que apenas ama música mas sem conhecimento na área. 
Dá para encontrar mais informações sobre a banda no blog Espinho de Limoeiro
Que fique claro que recomendo a apresentação do Espinho por gostar muito do som que eles fazem. A banda  tem seus compositores, formada por músicos que apreciam outros músicos como o grande Hermeto Pascoal,  para citar um, são muitos.
Outro detalhe importante que vejo neles é o fato de serem jovens músicos, que estudaram música e continuam estudando, que se voltaram para a música instrumental brasileira, jazzística, sim, e sim com elementos da música popular do País, como o baião.
Só para lembrar, no próximo dia 28 de outubro, uma quinta-feira, às 20h, o Espinho de Limoeiro vai estar tocando no endereço

Rua dos Alecrins, 301
Cambuí, Campinas (SP)

Vale a pena ouvi-los, acreditem!


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* Sobre a OC Hilda Hilst, quero dizer que já havia falado um pouco numa postagem e que é necessário alterar o e-mail dado nessa ocasião e dar o novo endereço na internet, ou melhor, acessem a página
E para quem mora em outras cidades do estado de São Paulo, onde há várias dessas oficinas culturais (OCs), visitem o site das Oficinas Culturais do Estado de São Paulo, pois pode haver uma na sua cidade

sábado, 16 de outubro de 2010

Eu, pintura azul


Cada vez que alguém se refere a mim como pintora reajo com uma fala tradicional de sou melhor desenhista que pintora, ou ainda um não, não sou pintora.
Já fiz e faço sempre uma pintura lá que outra, ou paro no meio. Também termino umas e vejo defeitos a ponto de raramente mostrar. 
Gosto muito dos bastões, seja giz pastel oleoso, antes o pastel seco, os de óleo, eles são meus aliados principais há anos. Acredito que seja uma questão de personalidade, não simpatizo muito com pincel, ai aquelas cerdas... mas busco alternativas como os pincéis de silicone, 



Colour Shapers da Forsline&Starr (1) 

por serem mais firmes, eles me deixam à vontade para pintar sem o estranhamento do pincel comum.
Tenho só dois desses ingleses e mais alguns da Keramik e, em alguns momentos, procuro usar os de cerdas também, tudo pela arte!
Não foi para falar de pincel que comecei a escrever mas de uma pintura minha, que não me sai do pensamento por mais tempo que fique sem vê-la

Puerta blue, 1991
(ass. M.N. no verso)

É uma boa pintura? Sabe que não faço ideia, simplesmente gosto. Não nego, vejo algumas coisas que não faria hoje, como usar um rosa tão forte. E olha que não me refiro diretamente à imagem reproduzida aqui, que passou pela digitalização no escâner e depois ainda mexi um pouco no editor de imagem por ter ficado muito escura onde há o azul e o verde e "acesa" no rosa e amarelo; a original tem uma intensidade diferente, mais suave. Poderia ficar alterando sem parar, ou parar somente quando ficasse mais fiel à pintura original, no entanto, para ser sincera, a reprodução da pintura ou de outras obras minhas me interessa por suas características próprias e ainda quero observar mais os efeitos possíveis da edição no computador.
Puerta blue foi feita em 1991. Pintei com guache, usando, eu acho, espátula e pincel. Nunca usei tanto azul assim na vida, é uma cor que aprecio mas tenho tido dificuldade de encontrar um tom que me agrade. Nos últimos tempos ando atrás de azul. 
Cada material tem suas características e me permite realizar imagens específicas. O guache é à base de água, manuseio bem essa tinta, e, não só por isso, mas bateu uma nostalgia de pintura ao rever Puerta. É, voltar a pensar em pintura.
Dá para notar que escrevi algo entre parênteses logo abaixo do título. Trata-se de uma informação sobre como assinava o que criava na época. Eu usava o sobrenome de meu pai (Nunes). Mais uma curiosidade é que já mudei de nome artístico algumas vezes. Agora vou parar com isso, desse jeito dificulto minha identificação como artista. Assinei Marga Bihar(2), quando fiz uns desenhos em 2000.

Como já disse em uma postagem anterior, levo um tempo escrevendo, o que me faz alterar o texto, inserir novas imagens ou deletá-las. Este comecei no dia 25 de setembro às 16h24. Imagina só o tempo que faz.
Nesta semana estava lidando num desenho, onde utilizei o guache como base, então de repente me deu vontade de falar do guache como material em que vejo importância, e não só eu.

Para não esquecer meu pensamento, anotei o seguinte texto numa folha de papel:


                 O guache é uma tinta maravilhosa por ser à base de água, 
                 em tempos ecológicos isso é bem vindo, com cores e efeitos belos. 
                 Aqui [no Brasil] parece relegada ao uso infantil. Enquanto isso as 
                 tintas guache da Talens secam em seus vidros nos expositores de 
                 lojas como a Casa do Artista e outras tantas.(3)

E lá venho eu com Henri Matisse.
Matisse é natural que eu pense imediatamente nele quando preciso falar nessa tinta. Não conheço melhor exemplo ou, pelo menos, para mim é dos melhores exemplos de uso de guache por artista. 
Alguém já viu esta obra?


Nu bleu II,1952
Papel guachado, recortado e colado sobre tela
116,2 X 88,9 cm

Papel guachado. Outra coisa que anotei foi sobre essas obras dele serem em papéis guachados e lembrar que este termo li há muitos anos nos Escritos e reflexões sobre arte(4), na edição portuguesa do livro que contém escritos do próprio Matisse, entrevistas e conversas. Gosto da palavra guachado, em lugar de dizer pintado com guache. 
Assistentes do pintor "guachavam" os papéis(5) e ele os recortava com tesoura



Eu sinceramente não pensava em trazer Matisse para essa conversa, no entanto fico satisfeita de demorar tanto a escrever que deu tempo de ter a ideia. Claro que não vou me estender falando nele e nesses seus recortes, mas chamo atenção para o tamanho deles, basta ver as medidas, acho que não todos mas há os de grandes dimensões. Os recortes ainda serviram de "esboço" para vitrais, foram serigrafados, reproduzidos em posters etc. 
É com ele que vou encerrar a postagem, não sem antes dizer que faço menos pinturas do que desenhos mas é bom acrescentar que faço pintura também e gosto.

La tristesse du roi(6)
292 X 386 cm



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1. Esses pincéis apresentam-se em vários tamanhos,  pontas com formatos diferentes e de silicone com diferentes durezas, sendo mais comum encontrar os de silicone cinza, de dureza média. Seus usos também são variados. Podem ser encontrados em lojas de materiais de arte; cito, para variar, a Casa do Artista, a loja virtual da Companhia do Papel, cuja loja no mundo real fica em Londrina (PR). Há outras marcas desse tipo de pincel e outras lojas onde podem ser adquiridos; estou para visitar a Fruto de Arte, só que para procurar outros materiais, mas sei que lá tem uns pincéis de silicone com preços bastante mais acessíveis. Veja as trinchas da Fruto,



2. Bihar é a segunda maior cidade da Índia, bem, era em 2000, não sei se continua sendo. Gosto muito de roupas e acessórios indianos e de outras tantas maravilhas daquele país.
3. Isto foi escrito no dia 14 de outubro. Eu me refiro ao guache da Talens por crer que é dos melhores e por, de fato, ver a tinta abandonada nos vidros, o que faz com que os lojistas os coloquem em promoções com a intenção de se livrarem do produto encalhado. Isso significa  muitas vezes que não voltarão a ser trazidos. De modo algum se trata de material barato, mas penso que se mais pessoas comprassem o valor diminuiria. Posso estar enganada.
4. Recentemente a editora CosacNaify lançou a primeira tradução brasileira do livro, Matisse - Escritos e relexões sobre arte. A observação mais corrente sobre esse lançamento refere-se à inclusão de imagens das obras dele, o que não foi feito na edição portuguesa, que está esgostada. Gostei muito de ler o livro, não li todo mas há nele textos que sei  da necessidade de reler.
5. Ver mais informações no site http://www.henri-matisse.net/cut_outs.html, de onde eu tirei a foto de Matisse em ação.  
Ele teve câncer no intestino, provalvelmente ficou impossibilitado de pintar, pois ao pintar se faz esforço físico e os médicos acabam proibindo pintores, e obviamente escultores, de fazerem aquilo que lhes é mais importante. Matisse deve ter feito arte desse jeito para dar continuidade a sua criação. Felizmente desenvolveu essa técnica e realizou obras das mais bonitas e significativas. Aliás, elas são muito especiais dentro do conjunto de tudo o que fez antes e depois. Um criativo incansável.
6. Esta  obra está no Centre Pompidou e no site podem-se ler informações sobre ela e outras obras do pintor, basta clicar no título.
ML_ Normalmente eu publicaria agora uma postagem sobre artista favorito meu, mas esse assunto de não ser pintora veio à baila quando revi Puerta azul. Na verdade surgiu antes em conversa com Agnes, fazemos a oficina de fotografia no Lasar Segall. Eu me questionei na volta a Campinas sobre a postura que tenho diante da minha pintura, senti necessidade de rever isso. 
É o que faço aqui neste texto, mesmo com a invasão gostosa da arte de Matisse. Ou por isso mesmo. A presença de um pintor neste texto é até sintomática de minha reflexão.
Ainda sobre Matisse. Estou contente por ter encontrado a foto colorida dele recortando seus papéis. Uma beleza, o chão coberto coberto de cores faz jus ao mestre colorista. Tinha visto a foto apenas em preto e branco.


domingo, 19 de setembro de 2010

Arte minha


Já estava na hora de voltar a falar um pouco do que faço, não é?
Também com tanta agitação por conta da entrada da fotografia em minha vida e outros eventos, acabei parando de desenhar.
Fiz esboços, sim, algumas imagens mas não fiquei pensando na ampliação nem nas cores, menos ainda nos gestos necessários para realizá-las e quando isso seria possível.
Ainda fui perder um esboço que fiz num pequeno papel e que inexplicavelmente desapareceu da mesa do computador. Agora me resta usar a memória para recuperá-lo.
Não estou chateada, isso vai me permitir um exercício a que não estou habituada, o de me lembrar, refazer uma imagem com todos os riscos que isso implica. Um exercício que já começou assim que dei falta.
Sei sua forma básica,


mas não estou acertando um detalhe que não sei se seria mesmo importante lembrar.
O que quero dizer é que ele vai ser transformado. Está em plena transformação. Até a dimensão antes prevista para ser numa folha de papel grande (~50x70 cm) já vai sendo abandonada, porque outro dia, ao acordar, tive uma espécie de visualização da imagem num papel menor, e mais: não cheio de cores e sim um desenho com linhas bem definidas e apenas o uso de cinza e de amarelo brilhante claro. Essas ideias podem ser alteradas durante o processo, mas ao pensar nelas eu considero bastante boas.
Quando fico um certo tempo sem desenhar a volta não é exatamente fácil. Normalmente paro quando estou em algum processo novo que teria um desenvolvimento diferente se não fosse interrompido; ao voltar a desenhar, já não o retomo ou o olhar se altera nesse meio tempo.
As interrupções, é preciso que eu diga, não são por vontade minha ou alguma necessidade do desenho, às vezes faltam materiais nas lojas, outras vezes são fatores externos, como os afazeres do dia a dia. Não nego que haja épocas de seca criativa, mas nos últimos tempos não era isso.
Como parte da vontade de lidar com a tal forma, fiz pequenas monotipias sobre papel(1)

T1
  
T2

T3 

A primeira dá para notar que não deu muito certo, a segunda está boa e a terceira só ficou  assim porque retoquei com pincel, tinha ficado ruim.
Todas as monotipias de que estou falando aqui foram feitas com o mesmo molde vazado(2). As três monotipias acima fiz com o papel seco e a tinta úmida; para a quarta, de que pretendo falar ainda, o papel foi umedecido. 
Fiz intervenções nessas monotipias para "salvar", embora seja bem comum fazer isso com a função de construir uma imagem. Já vi muitos que desenham sobre a monotipia, que colorem com giz pastel seco ou oleoso, com tinta etc. Retrabalhar a imagem obtida com a técnica da monotipia ou qualquer outra é um procedimento da arte 


Mistery of Georgia Clay, Sharon Clabo(3)

e nada novo, basta ver a obra de Edgar Degas

 L'Étoile ou Danseuse sur scène, 1876
Pastel sobre monotipia

Para a quarta monotipia, resolvi umedecer o papel, 


T4

então começou a se soltar o finíssimo papel japonês. Corri para evitar a soltura completa dele do outro papel e me pus a retirar o excesso de umidade com mais cuidado do que o habitual. A monotipia não ficou como esperava porque a tinta estava úmida também(4). As bordas indefinidas eu não gostei, pode até ser um efeito interessante em outro momento. De qualquer modo, foi uma aprendizagem não acertar, agora sei como conseguir bordas desse tipo.
Pode parecer estranho eu falar do que não deu certo, mas acho importante contar que não cai do céu quando dá certo e a imagem fica boa, bonita. Em arte também a gente erra, acerta, analisa tanto o erro quanto o acerto, faz reflexão sobre o resultado de todo o procedimento, isso vale para a vida por que não valeria para a arte?
Outra coisa que acontece é o saber incorporar o acaso. Às vezes olho para um desenho e penso que o destruí, por alguma cor que ficou deslocada, uma linha nada solidária com as demais. O giz pastel oleoso, que eu saiba,  não admite de bom grado o uso de borracha para apagar o que não ficou bom e me desdobro para encontrar um modo de tornar o acaso parte do desenho sempre que possível.
Considero que falar dos não acertos seja uma oportunidade para dizer que fazer arte tem suas complexidades como tantas atividades realizadas pelas pessoas. Quero abalar a lenda do fazer artístico como lazer, terapia, como só alegria. Há uma luta, há um estudo, seja formal, em cursos superiores ou não, ou este do dia a dia do fazer mesmo, das leituras de livros, revistas, artigos, das idas aos museus, galerias, do olhar atento para as próprias obras; alguns escrevemos também, outros têm de falar o que fazem, sentem, seus projetos; pensar suas exposições, se abrir para novas imagens, técnicas, materiais, enfim, é uma série de elementos com que lidam esses artistas. 
Eu sempre lamento a banalização da vida, da atividade de artista plástico. Ninguém diz que todo mundo pode ser médico, ser ator, dentista, mas existe a afirmação de que todo mundo pode fazer arte e há artista que toma isso como verdade para não parecer arrogante, metido.
Não é assim. Creio que algumas pessoas são talhadas para fazer isso ou aquilo e nem por isso se sentem melhores do que os outros; não sei por que motivo artistas plásticos teriam obrigatoriamente de ter o comportamento do nariz empinado ou em que artistas ele é observado para que seja estendido a todos.
Cada atividade tem seus prazeres e dificuldades; fazer arte, fazer monotipia pode divertir e pode dar um bocado de trabalho.
Persisto.


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1. Informações sobre o material usado: papel japonês colado em papel Aquarela da Canson (300g/m²) e  tinta à base de água para xilogravura e linoleogravura da Speedball. O papel pode ser comprado em várias lojas, em Campinas (SP), comprei o bloco na Casa da Arte. A tinta, creio, só em lojas de São Paulo, comprei na Casa do Artista da Alameda Itu. Há a possibildade de comprar pela internet também. 
2. Tenho desenhos feitos com base em molde como os da postagem Vermelhos. Moldes são um recurso que  me permite fazer variações de uma forma que me atrai, gosto bastante disso.
3. Esta é uma monotipia alterada, tem colagem, uso de tinta acrílica e giz pastel (não diz se pastel seco ou oleoso) e está à venda no site Etsy.
4. Pode-se fazer monotipia com o papel umedecido e a imagem feita com tinta à base de água seca sobre o suporte, placa de vidro, acetato etc.
O papel é deixado em um recipiente com água por algum tempo (minutos) e o excesso de umidade dele depois é retirado colocando-se o papel entre folhas de jornal ou no meio de uma toalha ou pano seco. A gente deve passar a mão de leve sobre as folhas de jornal ou a toalha para ajudar nessa enxugada. Tem de evitar secar demais. O procedimento para imprimir é o mesmo que descrevi em Monotipia | Monotype |.... Com a prática tudo isso vai ficando mais fácil ou então nos acostumamos à lida e suas complexidades. 

ML_ Enquanto escrevia a postagem, encontrei o esboço sumido. Agora ele vai ter de esperar, quem mandou sumir?
Quando faço uma postagem demoro muitas vezes escrevendo, procurando ou ajeitando as imagens que vou inserir, até pesquisando informações, endereços para os links, dá tempo de acontecer um monte de coisas. Esta postagem começou a ser escrita no dia 04 deste mês às 17h44 e na quarta passada sofreu um acidente e teve uns 80% do seu corpo deletado. Esta é uma postagem reconstituída.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Recomendo_ Cerâmica


Gosto de alternar uma postagem sobre minha arte com uma sobre a arte de outra pessoa, mas acabo de verificar que vai haver eventos ligados à cerâmica na cidade e não resisto avisar quem visita o blog.*
O convite é este



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* Exposição é bom avisar quando ainda vai abrir e não quando já passou ou muito em cima da hora sem que se possa programar a ida. Por exemplo, a exposição de que falo na postagem anterior a esta lamentavelmente já foi encerrada. Falha minha!