domingo, 19 de setembro de 2010

Arte minha


Já estava na hora de voltar a falar um pouco do que faço, não é?
Também com tanta agitação por conta da entrada da fotografia em minha vida e outros eventos, acabei parando de desenhar.
Fiz esboços, sim, algumas imagens mas não fiquei pensando na ampliação nem nas cores, menos ainda nos gestos necessários para realizá-las e quando isso seria possível.
Ainda fui perder um esboço que fiz num pequeno papel e que inexplicavelmente desapareceu da mesa do computador. Agora me resta usar a memória para recuperá-lo.
Não estou chateada, isso vai me permitir um exercício a que não estou habituada, o de me lembrar, refazer uma imagem com todos os riscos que isso implica. Um exercício que já começou assim que dei falta.
Sei sua forma básica,


mas não estou acertando um detalhe que não sei se seria mesmo importante lembrar.
O que quero dizer é que ele vai ser transformado. Está em plena transformação. Até a dimensão antes prevista para ser numa folha de papel grande (~50x70 cm) já vai sendo abandonada, porque outro dia, ao acordar, tive uma espécie de visualização da imagem num papel menor, e mais: não cheio de cores e sim um desenho com linhas bem definidas e apenas o uso de cinza e de amarelo brilhante claro. Essas ideias podem ser alteradas durante o processo, mas ao pensar nelas eu considero bastante boas.
Quando fico um certo tempo sem desenhar a volta não é exatamente fácil. Normalmente paro quando estou em algum processo novo que teria um desenvolvimento diferente se não fosse interrompido; ao voltar a desenhar, já não o retomo ou o olhar se altera nesse meio tempo.
As interrupções, é preciso que eu diga, não são por vontade minha ou alguma necessidade do desenho, às vezes faltam materiais nas lojas, outras vezes são fatores externos, como os afazeres do dia a dia. Não nego que haja épocas de seca criativa, mas nos últimos tempos não era isso.
Como parte da vontade de lidar com a tal forma, fiz pequenas monotipias sobre papel(1)

T1
  
T2

T3 

A primeira dá para notar que não deu muito certo, a segunda está boa e a terceira só ficou  assim porque retoquei com pincel, tinha ficado ruim.
Todas as monotipias de que estou falando aqui foram feitas com o mesmo molde vazado(2). As três monotipias acima fiz com o papel seco e a tinta úmida; para a quarta, de que pretendo falar ainda, o papel foi umedecido. 
Fiz intervenções nessas monotipias para "salvar", embora seja bem comum fazer isso com a função de construir uma imagem. Já vi muitos que desenham sobre a monotipia, que colorem com giz pastel seco ou oleoso, com tinta etc. Retrabalhar a imagem obtida com a técnica da monotipia ou qualquer outra é um procedimento da arte 


Mistery of Georgia Clay, Sharon Clabo(3)

e nada novo, basta ver a obra de Edgar Degas

 L'Étoile ou Danseuse sur scène, 1876
Pastel sobre monotipia

Para a quarta monotipia, resolvi umedecer o papel, 


T4

então começou a se soltar o finíssimo papel japonês. Corri para evitar a soltura completa dele do outro papel e me pus a retirar o excesso de umidade com mais cuidado do que o habitual. A monotipia não ficou como esperava porque a tinta estava úmida também(4). As bordas indefinidas eu não gostei, pode até ser um efeito interessante em outro momento. De qualquer modo, foi uma aprendizagem não acertar, agora sei como conseguir bordas desse tipo.
Pode parecer estranho eu falar do que não deu certo, mas acho importante contar que não cai do céu quando dá certo e a imagem fica boa, bonita. Em arte também a gente erra, acerta, analisa tanto o erro quanto o acerto, faz reflexão sobre o resultado de todo o procedimento, isso vale para a vida por que não valeria para a arte?
Outra coisa que acontece é o saber incorporar o acaso. Às vezes olho para um desenho e penso que o destruí, por alguma cor que ficou deslocada, uma linha nada solidária com as demais. O giz pastel oleoso, que eu saiba,  não admite de bom grado o uso de borracha para apagar o que não ficou bom e me desdobro para encontrar um modo de tornar o acaso parte do desenho sempre que possível.
Considero que falar dos não acertos seja uma oportunidade para dizer que fazer arte tem suas complexidades como tantas atividades realizadas pelas pessoas. Quero abalar a lenda do fazer artístico como lazer, terapia, como só alegria. Há uma luta, há um estudo, seja formal, em cursos superiores ou não, ou este do dia a dia do fazer mesmo, das leituras de livros, revistas, artigos, das idas aos museus, galerias, do olhar atento para as próprias obras; alguns escrevemos também, outros têm de falar o que fazem, sentem, seus projetos; pensar suas exposições, se abrir para novas imagens, técnicas, materiais, enfim, é uma série de elementos com que lidam esses artistas. 
Eu sempre lamento a banalização da vida, da atividade de artista plástico. Ninguém diz que todo mundo pode ser médico, ser ator, dentista, mas existe a afirmação de que todo mundo pode fazer arte e há artista que toma isso como verdade para não parecer arrogante, metido.
Não é assim. Creio que algumas pessoas são talhadas para fazer isso ou aquilo e nem por isso se sentem melhores do que os outros; não sei por que motivo artistas plásticos teriam obrigatoriamente de ter o comportamento do nariz empinado ou em que artistas ele é observado para que seja estendido a todos.
Cada atividade tem seus prazeres e dificuldades; fazer arte, fazer monotipia pode divertir e pode dar um bocado de trabalho.
Persisto.


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1. Informações sobre o material usado: papel japonês colado em papel Aquarela da Canson (300g/m²) e  tinta à base de água para xilogravura e linoleogravura da Speedball. O papel pode ser comprado em várias lojas, em Campinas (SP), comprei o bloco na Casa da Arte. A tinta, creio, só em lojas de São Paulo, comprei na Casa do Artista da Alameda Itu. Há a possibildade de comprar pela internet também. 
2. Tenho desenhos feitos com base em molde como os da postagem Vermelhos. Moldes são um recurso que  me permite fazer variações de uma forma que me atrai, gosto bastante disso.
3. Esta é uma monotipia alterada, tem colagem, uso de tinta acrílica e giz pastel (não diz se pastel seco ou oleoso) e está à venda no site Etsy.
4. Pode-se fazer monotipia com o papel umedecido e a imagem feita com tinta à base de água seca sobre o suporte, placa de vidro, acetato etc.
O papel é deixado em um recipiente com água por algum tempo (minutos) e o excesso de umidade dele depois é retirado colocando-se o papel entre folhas de jornal ou no meio de uma toalha ou pano seco. A gente deve passar a mão de leve sobre as folhas de jornal ou a toalha para ajudar nessa enxugada. Tem de evitar secar demais. O procedimento para imprimir é o mesmo que descrevi em Monotipia | Monotype |.... Com a prática tudo isso vai ficando mais fácil ou então nos acostumamos à lida e suas complexidades. 

ML_ Enquanto escrevia a postagem, encontrei o esboço sumido. Agora ele vai ter de esperar, quem mandou sumir?
Quando faço uma postagem demoro muitas vezes escrevendo, procurando ou ajeitando as imagens que vou inserir, até pesquisando informações, endereços para os links, dá tempo de acontecer um monte de coisas. Esta postagem começou a ser escrita no dia 04 deste mês às 17h44 e na quarta passada sofreu um acidente e teve uns 80% do seu corpo deletado. Esta é uma postagem reconstituída.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Recomendo_ Cerâmica


Gosto de alternar uma postagem sobre minha arte com uma sobre a arte de outra pessoa, mas acabo de verificar que vai haver eventos ligados à cerâmica na cidade e não resisto avisar quem visita o blog.*
O convite é este



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* Exposição é bom avisar quando ainda vai abrir e não quando já passou ou muito em cima da hora sem que se possa programar a ida. Por exemplo, a exposição de que falo na postagem anterior a esta lamentavelmente já foi encerrada. Falha minha!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Mostra


Em julho estive em São Paulo e aproveitei que era uma terça-feira, dia de entrada gratuita, para ir ao MASP, esse prédio que não me canso de visitar e admirar seus pilares vermelhos e o imenso vão livre



MASP, Avenida Paulista

Visitei a mostra  noite, no quarto de cima, o cruzeiro do sul, lat. sul 23º32'36", long.w.gr. 46º37'59", 1973 - 2010: revisão de Evandro Carlos Jardim. 
Ele é um mestre da gravura, não por ter feito mestrado em alguma instituição, título que não sei se ele tem em seu currículo. Evandro é mestre no sentido de pessoa que conhece uma arte com profundidade e a realiza com talento e sabedoria; é mestre também no sentido de pessoa que transmite seu conhecimento ao outro com qualidade.
Fui atrás de suas gravuras, há uma delas por que tenho paixão. Esta



E pude ver outras tantas, na verdade nunca tinha visto uma quantidade tão grande de gravuras de Evandro e isso foi importante demais para mim. Eu me aproximava um bocado  das molduras, ávida por perceber cada detalhe, que em gravura com matriz de metal são muitos. Tentava saber se ainda reconhecia as técnicas, os efeitos criados com instrumentos ou ácidos. 
No piso de museus normalmente há uma linha amarela delimitando a máxima distância a que devemos nos aproximar de uma obra, no MASP não tem, o que me permitiu esse chegar perto com que me deliciei. 
Evandro faz pequenos objetos em madeira e outros materiais, desenhos e fotos também, mas o que tomou conta de mim, além das gravuras, foram suas pinturas em têmpera(1) sobre tela ou madeira,





Descobri o Evandro pintor. Fiquei um tempão diante delas, gostando. Não sabia se gostaria, conhecia como gravador e não havia certeza de o pintor ser tão bom quanto. Ele é, que alegria saber!

Sinto uma alegria sem descrição possível quando vou a uma exposição e posso gostar do que vejo. Acho difícil falar de obras de que não gostei, bem pior é se o artista for conhecido meu... ai, me vem aquele sem jeito de dizer a verdade, aliás, de que verdade estou falando? Da minha. Não sei até que ponto valem a pena certas sinceridades, na arte, então, entra muito a questão do gosto e outras questões até discutíveis, como quando se levam mais a sério conceitos do que mesmo a própria qualidade do que se denomina obra de arte, assunto para outra postagem.

Acho que minha gravura favorita dele eu já havia visto pessoalmente ou então foi Jaraguá

 
Ele retoma o tema do Pico do Jaraguá na pintura, isso eu considero uma bela atitude porque... o melhor é ver



São dois olhares para o mesmo pico, será o mesmo de fato?

Saí do MASP com os olhos e coração lotados de imagens de um artista maior, de um artista que admiro muito

Evandro em seu ateliê

Já estava no vão, iria embora dali, quando vi uma garota conversando com umas pessoas e olhei para o que ela carregava. Eram Ocas, exemplares de uma revista de que ouvira falar havia muitos anos mas, como é vendida apenas em São Paulo e em alguns pontos específicos da cidade (e cadê que eu ia lá!), nunca tinha comprado. Fui me aproximando e logo contando essa história de querer a revista...  
Ana, a garota, acabou me ajudando a lembrar de alguns fatos enquanto eu tentava dizer como soube da revista e ela contava a própria situação e os benefícios de trabalhar vendendo a Ocas. 
A revista é feita pela Organização Civil de Ação Social - OCAS(2), instituição sem fins lucrativos, com a participação de pessoas como Fernando Bonassi, escritor, roteirista, cineasta etc., que escreve na revista nº 58 que comprei. A venda da Ocas tem como objetivo melhorar a vida de pessoas em situação de rua. Elas vendem a revista e o dinheiro reverte(3) para eles e assim podem deixar a rua e pagar ao menos uma pensão, um canto, vão ganhando dignidade e alguns começam até a realizar sonhos, ou antes disso, (re)começam a sonhar diante da realização dessas vendas, provavelmente também com a melhora no contato com o outro, coisa difícil quando se está na rua, sem as condições mínimas de higiene e.
Ana, se me lembro direito, está fazendo cinema na USP. É uma jovem falante, inteligente, 
racíonio rápido, atenta ao que se fala com ela. Bonito ouvi-la e gostoso conversar com ela. Aprendi umas coisas sobre gente dentro e fora do MASP. 
Se for ao MASP ou nas imediações e quiser a Ocas, não só por se tratar de uma causa solidária, porque a revista tem textos muito bons mesmo, Ana disse que está sempre por ali ou tem outra pessoa vendendo a revista. Custa R$ 3,00 cada exemplar, a Ocas mais recente é esta, com o mais que cartunista Paulo Caruso





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1. Têmpera é uma técnica de pintura em que o pigmento (as cores) se torna tinta pela adição de aglutinantes. As têmperas mais comuns são a têmpera a óleo e a têmpera a ovo. Não havia informações sobre com qual têmpera Evandro pintou seus quadros, uma falha dos organizadores da mostra. O pintor Alfredo Volpi usava muito a têmpera a ovo em suas belas



As reproduções das têmperas de Evandro têm como fonte a Enciclopédia Itaú Cultural Artes Visuais, onde mais obras dele podem ser vistas e uma porção de informações e até um vídeo com ele falando de sua arte.
2. Há o  endereço do site da OCAS que é www.ocas.org.br, mas este link é para o blog da revista. Não consegui acessar o site, que vale a pena ser visitado porque nele há mais informações sobre o que fazem, aliás, lá acontecem mais atividades além da revista. 3. No blog soube que a revista pode ser comprada de outros modos e até mesmo assinada, veja .
Em algum  lugar no site ou no blog deve haver uma informação mais correta sobre a venda da revista por essas pessoas em situação de rua, não me recordo se recebem todo o valor que se paga pela revista ou uma parte.


ML: Acabo de escrever isso sobre a revista e sinto que, embora tendo começado o blog voltada unicamente à ideia de falar sobre arte, não pude deixar de contar o que vivi naquele dia de visita à exposição. Fui além dos quadros.
E creio que falei por inspiração vinda de duas pessoas. Uma delas é Andrea com seu blog, em que fala de dor, aponta injustiças sociais, de solidariedade, de respeito ao próximo, respeito que ela pratica, e muito mais. A outra pessoa é Pedro, com quem converso sobre a arte e a vida e que tem um blog sobre sexualidade, mas que aqui me inspirou por já ter feito belos trabalhos de valorização de pessoas, em especial numa comunidade de Campinas (SP). 

Não falar da Ocas teria sido... Ah, me lembrei de Laura, devo isso a ela também.
Teria sido péssima ideia não falar da Ocas, tinha de partilhar sua existência com mais pessoas e agradecer a Ana e a meus inspiradores em assuntos de humanidade.

sábado, 21 de agosto de 2010

Laura Martin_conversa aberta


Eu não sabia de sua existência até a manhã do dia 13, mas, graças a um e-mail da Oficina Cultural Hilda Hilst(1), soube que Laura Martin estaria na cidade no ateliê aberto, um espaço dedicado às artes, para uma conversa aberta. 
Li o convite e nem me passou pela cabeça não ir, marquei o compromisso comigo mesma de ir pelo que estava escrito nele e por meu interesse, agora mais do que explícito, em fotografia. Laura é fotógrafa e gosto de saber o que o próprio artista tem a dizer sobre o que pensa, faz, sente


Laura é francesa, acho que a pronúncia de seu nome deve ser algo como 'lohá martan', é artista plástica também. Foi emocionante ouvi-la. Não que entendesse tudo o que dizia pois meu francês está em desuso há décadas e só consigo ler com dicionário à mão, mas tinha uma tradutora. Poucas vezes na vida eu me senti tão desejante de saber uma língua para ouvir a pessoa sem a angústia pelo não entendimento adequado.
Eu olhava para seus olhos e o rosto expressivo e via as fotos projetadas na parede, tudo isso me fazia perceber a beleza e a importância do que ela faz em comunidades pelo mundo afora e dentro da França mesmo. Pessoas em situações social e economicamente desiguais infelizmente não é algo exclusivo de países como o Brasil. 
Laura tem um site onde podemos acompanhar seus projetos e não me sinto talhada para falar muito sobre o que ela faz. Ela faz, por exemplo, algo muito bonito e carregado de significado, que é dourar partes do corpo de algumas pessoas

Laura dourando os pés de um homem 
que transporta pessoas num rickshaw (riquexó) na Índia


Laura dourando a mão de uma pessoa em São Paulo, 2010

Talvez seja um risco a correr tentando contar um pouco sobre isso, mas o que entendi é que a atitude tem a ver com valorizar o ser humano, em especial aquele que normalmente não tem seu valor reconhecido, e tudo começa com Laura conversando com a pessoa e respeitando sua vontade ou não de participar do que ela está propondo, no caso a douração, que é feita com uma mistura de óleo e pó dourado e é aplicada nos pés, mãos ou orelhas.
Laura tem esse modo até mesmo humilde de se aproximar das pessoas e não creio que seja  para conseguir algo delas e fotografar ou ser fotografada junto dessas pessoas, ficar famosa; ela tem esse caráter, esse desejo de tocar o outro. 
Senti isso quando ela se aproximou de mim após apresentar o que fez em alguns lugares, como em São Paulo (ver artigo sobre seu encontro com moradores de rua em Osasco, SP) e responder duas ou três perguntas feitas a ela. 
Laura me ouviu falar num inglês em que eu me confundia com as palavras, com as concordâncias verbais e usando "draws" em vez de drawings quando fui responder que faço desenhos, entre outros equívocos linguísticos de minha parte. Eu fiquei tão surpresa com sua atitude, isso me deixou certamente tensa; fui lá para ouvi-la e de repente fui ouvida.
Normalmente vou a esse tipo de evento e restrinjo à participação como ouvinte e, dessa vez, tive vontade de perguntar e o fiz. Quis saber como Laura começou a trabalhar com fotografia, com performance (a douração é vista como performance, embora eu veja muito de ritual nela), com essas idas aos lugares e confessei meu encanto com a maneira como ela busca meios de aproximação, já que Laura nem sempre tem as portas abertas aos seus projetos, que também acabam sendo alterados durante a abordagem às pessoas, como ela havia descrito o caso da cidade de Goxwiller, na França, onde foi preciso ter muita criatividade para abrir um espaço de contato e conhecer as pessoas do lugar(2)
Meu interesse era mesmo saber o que a moveu nessa direção. Laura disse que era ligada à música, foi aos 20 anos, grávida de sua filha, que passou a visitar instituições para idosos(3)... ela não descreveu como se deu isso, embora dê para fazer uma ligação com o que faz hoje. 
Soube que sua mãe tem um papel fundamental em sua vida de artista por ser uma pessoa muito esclarecida quanto ao que acontece às pessoas, creio que sobre as injustiças, as diferenças sociais. Ela também mencionou o fato de ser descente de imigrantes suíços e que, portanto, não é à toa que se volta para a questão dos imigrantes, de pessoas discriminadas etc.
Laura fez um trabalho com os funcionários de um museu de arte em São Paulo, acho que foi no Museu de Arte Contemporânea da USP, o MAC USP. É o que ela chama de "alfabeto de palavras", que é um dar corpo às palavras que são essenciais para cada pessoa, como "amor", "respeito", "amizade" e outras tantas. As palavras foram escritas sobre papel, tiras de papel e fixadas nos rodapés no interior do museu. 
Não tenho fotos disso, mas na Alemanha ficou assim, uma floresta de palavras

Forêt de paroles, 2000
 
Paro por aqui, o que Laura faz é muito maior do que eu posso dizer até por não ter lido sobre seus projetos passados e o que sei sobre o que ela fez em São Paulo foi basicamente o que ouvi na conversa aberta naquele sábado e não está sequer em seu site ainda. 
Além disso, ela está na estrada pelo mundo há uns 10 anos, não daria para resumir numa simples postagem.
Para mim, foi uma experiência marcante, tinha uma expectativa que foi superada e muito.
Merci, Laura!



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1. Na OC Hilda Hilst eu participei de um workshop de gestão cultural no semestre passado. Nesse espaço cultural tem, semestralmente, uma porção de oficinas em várias áreas (artes visuais, cinema, literatura, teatro, cultura geral etc.) e fica à rua Ferreira Penteado, 1203, Cambuí, Campinas/SP, com o telefones (19) 3294-2212 / 3236-0046 e o e-mail campinas@assaoc.org.br
O funcionamento é de segunda a sexta-feira das 9h às 17h. Tudo lá é gratuito.

Há OCs em várias cidades do estado de São Paulo, vale ficar de olho no site da Associação dos Amigos das Oficinas Culturais do Estado de São Paulo para conferir a programação de cada OC. Além das oficinas, há outros eventos nesses espaços e se cadastrando a gente recebe informações de eventos que acontecem fora das OCs também. 
2. Estava pensando, enquanto a ouvia, que eu não teria esse jogo de cintura dela, ou sua coragem de enfrentar tantas mudanças, por isso também foi crescendo uma admiração por Laura. 
3. Isso pode ser um pouco diferente do que estou contando porque escrevo de memória, e a resposta dela foi mediada por tradutora...


ML: Meu desejo é não ter dado informações equivocadas sobre Laura Martin, mas recomendo que se visite o site dela, há a versão em francês e a outra em inglês. As fotos, estas podem ser lidas em qualquer língua. 
Sobre o ateliê aberto, adorei a iniciativa de trazerem Laura à cidade!  Devo prestar mais atenção ao que acontece por lá!