quinta-feira, 29 de julho de 2010

Dan_o Fialdini escultor



Olha só que lindo!
Eu acho.
E não, não estou atrasada com as comemorações dos namorados, escrevo para falar de um escultor muito sensível e que emociona a mim e a muitos outros. 
A escultura com coração é em bronze e se chama, em inglês pelo menos, Love is somewhwere II, de 2001. Sim, fala de amor.
Tive a grande sorte de descobrir Dan Fialdini, para variar, numa revista de segunda mão, num ano em que não consigo me lembrar. Mas não foi só a ela que recorri para escrever sobre mais essa minha descoberta.
Precisava de imagens e comecei a pesquisar na internet. Fui procurar a revista, me deu vontade de rever. Estava meio confusa porque fui certeira atrás da revista onde estaria o texto sobre Dan e não era aquela. 
Tenho muitas revistas antigas na sala onde faço meus desenhos. Não encontrava a certa,  cheguei a pensar que a tivesse trazido para cá (meu quarto), mas insisti e valeu a pena: Casa Vogue nº 2 de 1990, em "Dan Fialdini, quando a pedra fala", artigo do reconhecido crítico de arte Jacob Klintowitz. 
"Filho de imigrantes é um curioso escultor de temas metafísicos. Trabalha o mármore com delicadeza, criando pequenas cenas e signos que interagem formando conjuntos em que o tempo parece imóvel", assim Klintowitz(1) descreve Dan numa página do site ECCO. 
Sim, Dan trabalha o mármore


Não são de grandes dimensões as esculturas que ele faz, há quem  as coloque sobre a mesa.
Eu fico impressionada com seus temas arquitetônicos e a beleza de cada peça criada por Dan e fico aborrecida porque não é bem divulgada, encontrei poucas imagens na internet, algumas são reproduções de dimensões muito pequenas e outras, as melhores não se pode salvar/copiar ficando restritas ao público talvez o da prória instituição, ou é preciso comprar o livro dele ou ainda ter sorte de pegar uma revista de decoração e ver uma de suas obras. 
Colocar mais imagens do que Dan faz aqui me daria prazer, as obras dele falam por si sós e não tenho nenhuma intenção de me promover e sim de que mais pessoas saibam que Dan Fialdini existe e que se trata de um grande artista, quero compartilhar o que considero um privilégio que não deve ficar entre poucos. Quando o artista falece aparece um monte de gente para dizer que ele não recebeu o reconhecimento que merecia, só que do jeito que a coisa é feita só pode dar nisso mesmo! Divulgar depõe contra?


Dan é mineiro, de família de marmoristas;  na revista, Klintowitz conta que ele foi o braço direito de Pietro Maria Bardi, o grande homem do Masp. Ao que parece esse trabalho deve ter feito com que ele demorasse a despontar como escultor (ler artigo no Estadão).
Eu falei em livro, o Arte na pedra


Até ver a capa do livro, e mais o fato de ver pouco obra do escultor, não tinha percebido como o pinheiro se repete na arte de Dan, há outra escultura linda 


Não sei se há outro Fialdini escultor mas, antes mesmo de saber de Dan, já via o nome de Rômulo Fialdini assinando fotos e mais fotos em revistas de decoração e já o admirava como fotógrafo de obras de arte. São dele, por exemplo, as fotos das obras de arte do site do Projeto Leonilson
Evidentemente que não vou falar muito em Rômulo, embora alguém já possa ir se perguntando se eu tenho um desejo secreto de ter meus desenhos observados pelos olhos e as lentes de deste outro Fialdini, artista da fotografia. Deliro, sim, levemente sobre isso. 
Quero mostrar registro de um encontro dos dois irmãos. Eles fizeram uma instalação, na verdade foi Rômulo quem convidou Dan para a instalação Coração de Índio


História bonita a deles, o avô italiano veio ao Brasil trabalhar na construção de uma estrada de ferro, a Sorocabana, e se casou com uma índia. O resultado foi, entre outros, esse 

                    Dan de olhos um pouco puxados.

Aqui ele em ação


                                                 na cozinha de sua casa(2).

E já que falei em cozinha e mesmo não tendo muito a ver, veja só isso




É um prato de Dan feito para o VII leilão da Associação dos Amigos do Museu Lasar Segall de São Paulo em 2004. E os pinheirinhos, eu não disse? Claro que ninguém vai usar esse prato para o almoço, é uma obra de arte!



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1. Jacob Klintowitz faz uma bela e merecida exposição do papel de italianos e seus descendentes no texto "Os italianos e arte brasileira". No site ECCO muito do que os italinos fizeram, fazem e vão fazer de importante no Brasil é destacado.
2. A foto tem como fonte a página da revista Casa Claudia  
http://casa.abril.com.br/decorar/receber/eventos/decorar_191043.shtml

ML: Rômulo Fialdini fotografa bem mais do que para revistas de decoração e fotos de obras de arte. Ele tem um site muito especial, vale a pena folhear seus belos portfólios.


quinta-feira, 22 de julho de 2010

Monotipia | Monotype | Monotipo | Monotipie


Volutas, 2010 
Monotipia, tinta gráfica

Isto é uma monotipia. Eu a fiz agora em junho, mais exatamente num domingo, dia 20.
Fiz umas quantas, só que esta tem mexido comigo mais que as outras, e olha que essa não posso considerar a melhor, embora todas sejam pouco mais do que o experimentar uma técnica que há anos periodicamente invade minha cabeça como que a me dizer Experimenta novamente, vai ser bom pra você!
E é verdade, bom mesmo para mim levar adiante minha relação com essa técnica e as que têm a ver com gravura, principalmente a gravura em metal. Tenho uma ligação antiga com essas técnicas de reprodução de imagem, é algo profundo que ainda não analisei nem refleti o suficiente para poder falar a respeito.
Bem, umas palavras sobre monotipia... Sou muito voltada às técnicas artísticas, sem elas não faço arte, não me expresso em imagens. Então materiais e técnicas é necessário saber muito sobre eles e experimentar o que se pode fazer, como eles vão me ajudar a realizar uma ou muitas imagens.
Comumente se explica o que é gravura e se diz que monotipia não é gravura, não vou entrar nessa discussão, creio que são todas técnicas de impressão e vou me deter apenas no que ela é, contando como fiz a minha.
Volutas foi feita sobre um pedaço retangular de vidro, onde passei tinta à base de óleo (Cromos) com auxílio de um pequeno rolo de borracha(1)


e logo após me pus a retirar (= limpar a superfície onde eu não queria) a tinta. A gente pode fazer isso de diversas maneiras, na hora usei um pouco de estopa, bem enroladinha, segurando com as pontas dos dedos cuidadosamente para fazer o contorno externo da figura. 
Foi com um pincel de cerdas meio duras que fiz os detalhes do que devia ter ficado mais definido porque eu tinha em mente as volutas de uma coluna 

Coluna jônica

Com a imagem diante dos olhos, coloquei a folha de papel sobre ela, que na placa de vidro é feita invertida 

Imagem na placa de vidro

Isso mesmo, é mais do que aconselhável ter consciência de que, ao imprimir no papel, a imagem fica ao contrário para não ter surpresas desagradáveis, pois nem toda imagem fica boa de qualquer jeito. 
Volta e meia me ponho num ritual de olhar um desenho meu em frente ao espelho para ter certeza de que dispus tudo de modo que me agrade, de modo harmônico. Faço isso porque houve época em que não assinava os desenhos e as pessoas, ao pegar para ver, sempre seguravam numa posição "errada" e alguém disse que do jeito que estava olhando estava bom. Claro que não concordei e passei a assinar para determinar como devem ser vistos os desenhos.
Eu me disperso, mas, sim, estando com o papel sobre a imagem para imprimir Volutas usei uma prensa manual de gravura em metal parecida com esta


mas podia ter usado, por exemplo, um baren de barbante(2)


executando movimentos circulares (de alguma intensidade) no verso do papel para que a imagem, a tinta, passasse para o papel. Baren é um instrumento japonês usado para fazer esse trabalho de imprimir no papel a imagem, no meu caso de monotipia(3), desta forma


Não me proponho a ser didática aqui porque há outras pessoas mais talhadas para explicar como se faz monotipia e nada como estar com os materiais na mão para isso tudo ficar bastante claro e haver quem nos explique e responda as dúvidas que surgirem.
Não ouso deixar de dizer que não se pode repetir exatamente a mesma imagem uma segunda vez, a cópia é única. Há meios de fazer algo próximo, mas é diferente quando se tem uma matriz gravada (numa chapa de metal, num bloco de madeira ou numa pedra litográfica) e a partir dela se faz uma centena de impressões, cópias. 
Enquanto se faz monotipias, é comum a gente não se (pre)ocupar em repetir a imagem e sim fazer outra e mais outra, e muitas vezes permitindo que as ideias fluam sem ficar planejando muito, ou ainda, se a tinta for à base de óleo pois demora a secar, pode-se pensar o que fazer a seguir com mais calma.
Outro detalhe a comentar é que não assinamos a monotipia na tinta junto com a imagem, mas logo abaixo da imagem, é ali que vai a assinatura do artista, normalmente a lápis, com o título da obra e data como em

 Miraculous land, Paul Klee, 1920

Há alguns artistas de que gosto muito e fizeram ou fazem monotipias maravilhosas, como Paul Klee, que ainda colocava cores de aquarela nelas; Mira Schendel, a primeira que sempre me vem à lembrança ao falar ou ouvir falar dessa técnica porque aprecio as que ela fez

Sem título, 
monotipia s/papel de arroz japonês

Carlos Vergara é um mago da monotipia, ele as imprime sobre tela/lona crua de uma maneira muito especial a que tive o prazer de assistir num programa chamado Metrópolis na TV Cultura. Vergara trabalha com pigmentos coloridos e cola e mais uma parafernália de objetos(4), pelo que sei, e, como em qualquer monotipia, acrescenta detalhes, por exemplo, com pincel

   
E, entre outros artistas, Cathy Cullis.
Cathy faz umas bem bonitas, com figuras humanas, suas pequenas mulheres 


São desenhos feitos também com o mesmo procedimento inicial de outros tipos de monotipias, entintando uma chapa de metal ou de vidro. Chamo atenção para a qualidade das linhas conseguidas com essa técnica e que podem ser únicas em sua delicadeza. Também é conhecida como monotipia de traço/linha (trace monotype) essas monotipias como fazem Klee, Cathy e Jennifer Schimitt

Jennifer Schimitt, 2008

 Detalhe


Monotipia é uma das técnicas mais fascinantes que conheço. Olha esta de Martin Stankewitz


que pode ter sido realizada em etapas por causa das cores variadas(5), um procedimento mais complexo.
Poderia ficar falando e mostrando reproduções de vários artistas por dias a fio. Nem era para eu me meter a falar tanto assim pois acabei não dizendo por que a monotipia Volutas mexe tanto comigo.
Acho que vou  falar nisso numa próxima postagem. Sim, é o que vou fazer. Só para adiantar um pouco, devo dizer que ela me abriu para coisas que estavam dentro de mim, como a cor vermelha.


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1. Usei um pedaço de vidro, mas o suporte pode ser de outros materiais como chapa acrílica, chapa de cobre (como na foto) ou de zinco, também folha de acetato e até algum papel. A tinta disposta sobre a placa de vidro antes é preparada (diluída se necessário) e estendida com um rolo, com pincel etc. sobre outra superfície (de vidro) para que se possa controlar a quantidade de tinta na placa onde vai ser feita a monotipia e que não deve ser muita. Com a prática se verifica que quantidade é ou quantidades são essas ao notar os resultados e poder entender o que fazer obter certos efeitos. 
2. Barens são feitos de modos diferentes, todos têm uma alça para que se possa segurar firmemente enquanto se imprime uma imagem. Não encontrei uma foto de baren de barbante onde fosse possível ver a alça de que falo, o jeito é ver um que me parece ser de bambu

 
3. Dá para usar outros instrumentos e mesmo uma colher de pau ou a palma da própria mão, claro que com resultados diferentes. O baren é usado para imprimir xilogravuras a partir de placas de madeira gravadas e intintadas.
4. Não sei bem a data, mas creio que foi há uns 2 anos que fiz uma aula dessa técnica de Vergara, ou muito semelhente, com a querida artista plástica e professora Narege, em seu ateliê em Campinas (SP). 
5. Coloquei esta monotipia aqui para completar a resposta que dei a Pedro, que viu minhas monotipias monocromáticas. Sim, dá para fazer com muitas cores, mas exige mais procedimentos.
 
ML: Volutas foi realizada durante a oficina de Introdução à Gravura: Monotipia, no SESC Campinas nos dias 19 e 20 de junho passado.  Não foi meu pimeiro contato com a técnica, que conheci e até havia experimentado nos anos 1990. 
É muito importante para mim retomar essa técnica tanto por abrir o leque de técnicas disponíveis como por ter uma ligação afetiva com ela pois era usada e muito bem pelo colega Marcelo) no curso de gravura em metal no IA-Unicamp, que teve sua carreira de artista interrompida ao falecer precocemente em 1995. Acho que é um jeito de saber o que o atraía nessa técnica e de manter viva sua presença. Foram muitas as ocasiões em que, enquanto eu lidava com chapas de cobre, ácidos e aguarrás, Marcelo fazia uma bela monotipia atrás da outra, sempre me fazendo vê-las... 
Da oficina no SESC quero dizer que, mais do que a técnica retomada, me deu a chance de conhecer pessoas amorosas. Andrea é pessoa, mãe, esposa... consciente das coisas que acontecem e tem um blog maravilhoso sobre a vida; e Fábio, que fez umas monotipias bastante bonitas e especialmente detalhadas, e também faz tochas, ele ilumina.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Processo de criação


Banco vermelho da revista Casa Claudia*

Olhe bem para este banco. Fiz um desenho a partir dele.
Folheava uma revista usada quando o vi. Quase imediatamente me interessei por suas formas e mesmo pela cor vermelha dele. O recorte do encosto, em curvas, mexe comigo, e não tenho nenhuma explicação para isso. A pintura vermelha desgastada em certos pontos, onde se pode ver um cinza, acho bonito. Comprei a revista para poder observar o banco e uns dias se passaram até os primeiros esboços.
A forma do encosto eu ressalto neles, é o mais importante, a curva me atrai. no entanto não queria reproduzir o banco com exatidão, só alguns detalhes dele. 
Insatisfeita, continuei pensando no desenho, ainda com os olhos na foto do banco. Mas pouco a pouco fui me concentrando no esboço e, mesmo sem pegar no lápis e só mentalmente, trasnformações foram acontecendo na imagem numa espécie de esboço invisível, traçado atrás dos olhos talvez.
Já com o papel onde o desenho seria feito à mão, lapiseira em punho (gosto mais de lapiseira 0,5 mm para iniciar o esboço e com uma pressão leve para não marcar o papel), vou eu desenhar o tal banco. 
Medidas alteradas, ali ele começou a se modificar, não o banco mas o desenho que surgia no papel. Foi realizado, como eu digo inúmeras vezes, dividindo as decisões com a própria imagem, fui notando aos poucos que a imagem seria outra coisa que não a de um banco. 
No tal papel o esboço feito e alterado passo a passo me pareceu tão bom que fiquei receosa de colocar cor. Previa um vermelho mas os detalhes eu não tinha cor para eles e também havia o fato de pretender usar o giz da Sennelier com o qual não estava familiarizada o suficiente, seja lá o que siginifique esse suficiente aqui.
Algo com que me ocupo é não ficar acomodada a um modo de fazer os desenhos, a uma técnica; tinha vontade de experimentar um pouco naquele desenho. E para acalmar minha insegurança sobre o que veria ao final do processo, resolvi copiar o esboço num papel manteiga, preservando a imagem e me lançando ao que sentisse que devia fazer no desenho. Criei um espaço para minhas ousadias gráficas.
Eis o desenho


 
Abraço, 2010

Usei um lápis de carvão em vez do habitual grafite em algumas linhas. Na verdade pensei em fazer um vermelho com transparência mas não ouve jeito. Embora ali eu veja um veludo, então a transparência nem faria sentido. Os detalhes são de madeira clara. Não sou designer de móveis, não sei se no mundo real não seria melhor uma madeira escura.
Coloquei um nome provisório, Veludo e Madeira, dias depois de terminado, ou supostamente terminado uma vez que estava inclinada a colocar ao menos uma terceira perna e um acabamento em madeira bem na curva do encosto. Um desejo repentino de representar algo real, uma poltrona de verdade, ela certamente precisaria de mais uma perna para se manter em pé, só se fosse uma escultura isso seria dispensável.
Esse desejo, aliás, me valeu uma conversa bem engraçada com Pedro, que há anos vê meus desenhos e conversamos a respeito. Não foi diferente com a poltrona vermelha. Ele não viu nada faltando no desenho e ainda me perguntou que significados ou o que eu via na poltrona e, na verdade, achei que ela não ficou confortável, aconchegante, mas gostaria que tivesse ficado para eu me atirar nela, buscando uma certa proteção.
Acho que foi essa minha observação e o fato de ele não ver isso no desenho que o levou a dizer que tinha um título para o desenho, não antes de perguntar se eu já tinha um, ao que respondi que não, apenas um provisório. Parece até que previ que aquele não seria mesmo o titulo.
Daí Pedro mencionou  Abraço. E passei a chamá-lo assim, Abraço porque me agrada e faz sentido, porque capta primeiramente a visão de Pedro e, depois, por falar algo que, na minha opinião, não ficou bem explicitado no desenho, mas  revela um desejo meu.
Normalmente eu não fico buscando significado para minhas imagens, Pedro é que várias vezes me coloca essa questão e fico bem de procurar responder, de me revirar por dentro e me portar como expectadora da minha própria arte. 
Arte é autoconhecimento também, eu é que resisto em admitir porque me observar e conhecer e prestar atenção ao que faço, penso, vivo é um exercício constante e não  encaro a arte que faço como terapia.
Não posso deixar de mencionar o privilégio que é ganhar um título tão significativo e bonito, que acabou me fazendo parar de encontrar problemas no desenho. 


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*O banco foi feito a partir de uma antiga cama por Normélio Brill, e está na revista Casa Claudia nº 7 de Julho de 2005, p. 118.  A foto, que aqui não aparece inteira, foi preciso recortar, é de Letícia Remião.

domingo, 6 de junho de 2010

Anna_Platibanda_Mariani

Foi numa revista Veja, nos anos 1980, que vi esta foto

Barra do Faria, PE

Foi a primeira vez que ouvi, na verdade, li a palavra 'platibanda', porque ver uma eu certamente já havia visto,


Região de Desterro, Paraíba, 1990


e soube da grandiosidade de Anna Mariani,*


Foto das páginas de A revista**

fotógrafa cujo nome não mais me saiu da memória, tanto quanto a palavra e as fotos. 
Acho que seu nome ficou colado à palavra 'platibanda', embora eu saiba que ela fez muito mais que do que fotografar casas com platibandas, isso que é de uma importância para a valorização e visibilidade de uma manifestação inusitada de populações nordestinas. Inusitada para nós, os do Sudeste ou talvez de outras regiões do país, com nosso pouco conhecimento do que se faz longe dos nossos olhos ou das telas de tevês. 
Anna fotografou essas belas casas com platibandas. E o que é mesmo platibanda? 
Mureta que contorna telhados embutidos


Esquema de platibanda

Note que mal se vê o telhado em algumas casas, com a platibanda ganha-se um espaço para a imaginação, de quem? Acredite, não estava pensando no autor das artes nessas fachadas. Serão obra de dono, de pedreiro, quem arquiteta aquelas belezas de formas e cores? 
Dá para saber isso no site do Almanaque Brasil, onde se pode ler um trecho da revista Veja de setembro de 1987, essa mesma de que falei no início, que tem o depoimento de quem criou esta fachada amarela


Bezerros, Pernambuco, 1982

Destas não sei muito além da localidade  

 Caratacá, Bahia, 1986

Bola, Paraíba, 1985


Anna Mariani estudou fotografia com Claude Kubrusly, Cristiano Mascaro e Maureen Bisilliat. Fez um livro com essas fotos, que são de casas dos estados de Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, o Pinturas e platibandas, publicado em 1987. 
Tive a alegria de poder ver algumas de suas fotos expostas na Unicamp (Campinas, SP, Brasil) num ano de que não consigo me lembrar agora. Recentemente descobri que elas estiveram em exposição no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro e que vão estar em São Paulo neste mês de junho, onde haverá também o lançamento de uma nova edição revista e ampliada pela fotógrafa do livro que mencionei há pouco. Uma informação que surpreende é que tanto em livro, quanto nas exposições, o que se vê é uma parcela muito pequena de fotos que ela fez dessas fachadas, que são em torno de 2 mil. 

A exposição Anna Mariani: pinturas e platibandas vai ser realizada de 17 de junho a 1 de agosto no IMS  e  espero poder ver pessoalmente. E recomendo, porque a mim encanta.
Mas para não dizer que só falei em platibanda, ainda uma fachada

 
 Duas Serras, Bahia, 1985

a seguir, uma foto de interior de casa


e outra de uma pessoa***



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* Fonte foto: http://www.arcoweb.com.br/design/6-bienal-de-design-grafico-direcao-de-02-05-2002.html
Tive dificuldade de encontrar foto de Anna, não as que ela tirou mas do seu rosto. Uma observação que se      faz quanto às fotos das casas com platibandas é a ausência de pessoas; ela mesma parece ter sido pouco fotografada. Na outra foto que encontrei, Anna aparece junto com o escritor Ariano Suassuana


** A Revista é uma publicação institucional de experimentação gráfica e tecnológica e divulgação técnica da gráfica Takano Editora Gráfica, restrita aos seus clientes. Fonte: http://www.usp.br/fau/docentes/depprojeto/i_minami/mestrado/nanda.htm

*** No site do Museu da Casa Brasileira podem ser vistas estas duas últimas fotos e outras feitas pela fotógrafa
http://www.mcb.sp.gov.br/mcbItem.asp?sMenu=P002&sTipo=5&sItem=676&sOrdem=0

Nota de ML: Ontem, por um ato falho, a postagem foi publicada sem alguns detalhes como o link sobre o fotógrafo Claude Kubrusly, na verdade Cláudio e também Clode, com quem Anna teve aulas, entre outros.