domingo, 7 de fevereiro de 2010

Vermelhos





 Estes meus desenhos são de 2006. Foram feitos a partir de um molde vazado. Variações, a série a que pertencem.
Olha o grafite como faz toda a diferença! Não sei como pude evitar sua presença nos desenhos por tantos anos. 
O primeiro, A parte incontroversa, quando o julguei terminado, foi rejeitado. Por mim, não tenha dúvida. 
Fui convencida a emoldurá-lo, a inclui-lo entre os quadros para uma exposição que acabou não se realizando. Mas nossa conversa ainda não tinha terminado. Levei um tempo considerável para entendê-lo. 
Houve um choque de cores bem naquela parte escura. Pretendia uma cor e não ficou boa. O giz pastel oleoso não é muito permissivo com relação ao que se pode fazer com uma borracha; precisei raspar a tinta. Sobraram vestígios e a nova cor não me agradou.
Digamos, uma concessão foi necessária nesse caso. 
O outro desenho eu costumo me referir a ele como Deixando o modelo, embora ambos sejam exemplos do momento em que me vi com a necessidade de parar de seguir o molde vazado à risca. É possível ver ainda a linha do molde neles, ela faz parte dos desenhos. 
Houve necessidade de rompimento tanto por uma questão gráfica, afinal aquela obrigatoriedade foi perdendo o sentido, como eu mesma passei a não querer segui-la. 
Coisas da arte.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Rosana Paulino


 
  
Para mim, uma artista e ponto final. 
Brasileira, negra. Rosana Paulino às vezes é apresentada dessa maneira. Acabo de ver num site sobre sua obra, ali dizem que a cor de sua pele ser negra é o motivo pelo qual sua arte trata da questão negra e especificamente do que diz respeito à mulher negra. Ela diz que essa é sua questão em seu blog, mas não é só isso.





É parte da motivação dela, creio eu. É bom frisar que ela faz arte. É o que disse de Siron. Rosana faz arte também com caráter social, de denúncia. Com arte, com técnica, com habilidade e sensibilidade. É arte! 
Faz gravura em metal, desenha, faz monotipia, cerâmica, faz instalações. Rosana é artista plástica e educadora. 
Gosto muito da peça em cerâmica que ela segura na foto. É uma das muitas que ela fez para a série que chamou de Tecelãs.
Rosana tem obras que me atraem, especialmente as de cerâmica e os desenhos, leia-se "obras sobre papel". 

 

 
Volto a repetir, Rosana Paulino é uma artista envolvida com questões mais profundas do que a superfície de sua pele pode supor.

Correção

Em algumas postagens futuras vou fazer correções. Ao falar sobre Pablo Picasso, Iberê Camargo e Siron Franco me dei conta de que não falo das minhas artistas queridas. Isso parece como em todo o mundo da arte, em que homens artistas têm uma visibilidade muito maior.
Na verdade, não se trata exatamente de corrigir um erro, afinal, não é errado gostar e admirar artistas homens mas quero que elas, as artistas, venham fazer parte desse espaço onde o importante é a arte.
Não vou fazer postagens de todas as que admiro, algumas vão ser citadas através de links apenas. São muitas, é apenas por isso.
Vou começar com uma artista brasileira, Rosana Paulino.

Siron Franco



Mais um artista que admiro. 
Siron Franco.
É um artista que, com muita propiedade e  qualidade, faz muitas vezes uma arte com cunho explicitamente social, de denúncia, de refelxão pública da realidade repetidamente injusta no País.
Admiro isso porque não considero que a arte deva ter obrigatoriamente que fazer essa abordagem social, porque pode cair numa cilada e se tornar uma ilustração medíocre da realidade. Ele o faz como homem e artista. 
Encontrei um site com imagens de suas obras e adicionei aos links, e aqui um vídeo com ele em ação. Pintando um quadro dos grandes. 
Bom, vê-lo atacar a tela com cor e pincel e mesmo com o tubo de tinta. 
É a primeira parte do vídeo que está aqui, não é um dos melhores, quem o fez se perdeu um pouco ao permanecer muito tempo numa obra de Siron, mas vale a pena ver e ouvir o artista. Palavras de Siron sobre seu processo criativo e mais: